É tudo estranho, muito estranho mesmo, em relação ao delator Sérgio Machado

Machado, que enganou Janot e Teori, não quer cumprir pena

Carolina Brígido e André de Souza
O Globo

Um dos principais delatores da Lava-Jato, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado enviou petição do Supremo Tribunal Federal (STF) declarando que não quer ser preso antes de qualquer condenação judicial. No fim de junho, ele tinha pedido ao tribunal justamente o contrário – para que começasse a cumprir logo a pena, mesmo sem saber qual seria sua condenação. Agora, desistiu dessa possibilidade. A decisão da polêmica cabe ao relator da Lava-Jato no tribunal, ministro Teori Zavascki.

Uma das cláusulas do acordo de delação premiada que Machado assinou com o Ministério Público Federal diz que o colaborador pode pedir “autorização para cumprir antecipadamente a pena privativa de liberdade, desde logo isentando a União de toda e qualquer responsabilidade caso não venha, por qualquer fundamento, a sofrer condenação penal ou, sofrendo, caso as penas privativas de liberdade que lhe forem aplicadas sejam inferiores ao ora pactuado”.

Machado fez esse pedido ao STF no dia 21 de junho, em um documento que não foi divulgado pelo tribunal, embora o processo não esteja sob sigilo. Na nova petição, em sentido contrário, a defesa afirma que “os motivos que levam o peticionário (Machado) a desistir de exercer a faculdade prevista no Acordo de Colaboração Premiada são de foro íntimo, desimportantes para o deslinde da presente causa”.

MESADAS – Nos depoimentos da delação premiada, Machado contou que pagava mesada a integrantes da cúpula do PMDB. O esquema teria beneficiado o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL); o ex-senador José Sarney (AP); e os senadores Edison Lobão (MA), Romero Jucá (RR), e Jader Barbalho (PA). O mensalão de Machado era entregue, na maior parte, em dinheiro vivo. Renan teria ficado com a parcela maior, amealhando R$ 32 milhões ao longo de uma década. Segundo o delator, o senador recebia R$ 300 mil por mês.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como diria Shakespeare, há algo de podre na delação de Sérgio Machado. O ex-presidente da Transpetro ficou de entregar ao Supremo provas de suas acusações a 24 políticos de destaque, incluindo o presidente Michel Temer, ninguém sabe se entregou ou não, devido ao execrável sigilo do foro privilegiado. Dizem que levou R$ 1 bilhão, mas só vai devolver R$ 75 milhões, em suaves prestações, pelo generoso acordo fechado com o procurador Rodrigo Janot e o ministro Teori Zavascki. Agora, quer ficar solto, até o julgamento final no Supremo, que só deve ocorrer no Dia de São Nunca, como se dizia antigamente. É tudo sempre estranho, muito estranho, no tocante a Sérgio Machado, e desta vez ainda nem é possível fazer tradução simultânea, mas logo voltaremos ao instigante e preocupante assunto. (C.N.)

7 thoughts on “É tudo estranho, muito estranho mesmo, em relação ao delator Sérgio Machado

  1. A lógica dos fatos conclui que você tem razão, Newton. Alguma coisa há. Seria a promessa de absolvição? Quem fez a promessa? O governo Temer lhe assegurou que está tudo certo para sua absolvição? Será que foi Sarney, Jucá ou Renan? Nem um de nós deve duvidar que ” tudo já esteja dominado”. Como ficará a sociedade se a delação de Sérgio Machado “virar pizza”? É melhor consultarmos Shakespeare e Sherlock Holmes. A coisa está feia.

  2. Fácil deduzir o “por causa de quê. Afinal ele dedurou a cúpula da nojenta política que assola o País. Como alertou o CN, segundo o Ministro Barroso, o STJ não tem condições de julgar esses processos do maldito e descarado fôro privilegiado. Então, prisão por que, se o cara poderá ficar de pantufas alegre e sorridente em qualquer lugar, livre da tornozeleira, exatamente porque o processo deverá ficar engavetado até caducar.

  3. Caro Jornalista,

    Creio que deve ser por conta da QUEDA DA PRISÃO já na SEGUNDA INSTÂNCIA, a ser feita pelo Supremo Tribunal Federal…

    Como ele pertence ao “meio criminoso”, soube antes dos cidadãos de bem.

    O negócio agora será recorrer, eternamente, em liberdade.

    Abraços.

  4. A delação de Machado é a notória delação – biquini, mostra tudo e esconde o essencial. Muitos preferem o silencio premiado, que tb é protegido pelo ‘julgamento em suspenso’. Julgamento postergado ad aeternum, como convém aos criminosos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *