É uma pena. Dilma Rousseff está desinformada sobre o crescimento do comércio do Brasil com a América do Sul.

Carlos Newton

A presidente Dilma Rousseff disse quinta-feira à noite, em Caracas, que o Brasil aumentou em 25% o comércio com os países latino-americanos. Para Dilma, a integração regional atuará como “motor” para o desenvolvimento dos 33 países da América do Sul e do Caribe. Segundo ela, a inclusão social e o desenvolvimento sustentável devem orientar as propostas das parcerias firmadas no âmbito da região.

Infelizmente, Dilma foi mal assessorada e está completamente desinformada sobre o assunto. Na verdade, o desempenho do comércio do Brasil com os países latino-americanos é muito superior. Para se ter uma ideia, no governo Lula (2003 a 2010) as exportações brasileiras para a América do Sul aumentaram 350% e não apenas 25%, como ela se referiu.

Vamos aos números verdadeiros, fornecidos pelo Ministério da Indústria e Comércio Exterior. De 2003 a 2010, as exportações brasileiras para a região aumentaram 350% (de US$ 18 bilhões para 63 bilhões) e o saldo comercial cresceu 450% (de US$ 2,5 bilhões para 11,3 bilhões). Então, o dado de Dilma (25%) não consta das estatísticas até 2010 (e 2011 ainda não acabou nem está computado). De 2009 para 2010, por exemplo, o crescimento foi de 11,5% e não de 25%. Ninguém sabe de onde assessoria do governo tirou esses modestos 25%.

Detalhe da maior importância: o ideólogo da política de integração continental foi o consultor Darc Costa, vice-presidente do BNDES no primeiro governo Lula e grande amigo de Dilma Rousseff. Foi ele quem conduziu pessoalmente essa integração, com apoio do então ministro do Exterior, Celso Amorim, e do secretário-geral Samuel Pinheiro Guimarães.

Conselheiro do Centro de Estudos Estratégicos da Escola Superior de Guerra (ESG), Costa preside a Consultoria DLC, é conferencista da Escola de Políticas Públicas e de Governo da UFRJ e membro do Conselho Diretor do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos.

Com participação do BNDES, que era presidido pelo economista Carlos Lessa, de quem é amigo e vizinho, Darc Costa intensificou pessoalmente as relações diplomáticas e comerciais entre os países do continente, resultando nesse formidável crescimento das exportações brasileiras para a América do Sul.

Começaram também a serem desenvolvidos por ele importantes projetos de integração – a refinaria Abreu Lima, em parceria Brasil-Venezuela; os estudos para criação do Banco del Sur, uma espécie de BNDES continental; as negociações para o Pacto de Defesa da Amazônia, integrado pelos países da Região; e os estudos para implantação do gasoduto sul-americano, entre outros projetos.

A presidente Dilma Rousseff conhece profundamente o assunto, só não está bem informada sobre os números já alcançados. Se tivesse convidado o amigo Darc Costa a acompanhá-la na visita a Caracas, não teria dado essa mancada.

Amanhã, Darc Costa está lançando mais um livro: “América do Sul – Integração e Infraestrutura”, coordenado por ele, com textos de Raphael Padula, André da Paz, Luciano Severo e Rodrigo Nunes. O coquetel de lançamento do livro será esta terça-feira, às 18h30m, no auditório Ruy Barreto, na Associação Comercial do Rio de Janeiro.  É um bom programa para quem se interessa pela economia brasileira.

 

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