Economia mundial cresce e o Brasil despenca…

Marcelo Ninio
Folha

A recessão no Brasil será um dos principais fatores para o desempenho abaixo do esperado que a economia global deve ter em 2016, prevê o FMI (Fundo Monetário Internacional). Em sua atualização do relatório Panorama Econômico Global, divulgada nesta terça (19), o Fundo reduz a expansão mundial neste ano para 3,4%, 0,2 ponto percentual a menos que nas projeções de outubro.

No caso do Brasil, o corte foi bem mais agudo. De acordo com o FMI, a economia do país recuará 3,5% em 2016, baixa de 2,5 pontos percentuais em relação ao relatório anterior. A esperança de retomada do crescimento brasileiro, que nas previsões de outubro do FMI aconteceria em 2017, foi adiada para 2018, último ano do governo Dilma Rousseff. No ano que vem, estima o Fundo, o Brasil sairá do vermelho, mas terá expansão zero, uma piora de 2,3 pontos percentuais em relação à previsão de outubro.

O boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central, estima que o PIB brasileiro cairá 2,99% neste ano e crescerá 1% no próximo.

Dos 16 países que compõem a tabela incluída no relatório, o Brasil é o que tem o pior desempenho projetado para 2016. O país é citado como destaque negativo também numa entrevista do economista-chefe do FMI, Maurice Obstfeld, divulgada junto com o relatório.

PIG GLOBAL

“A principal mensagem desta atualização, especialmente se comparada com as anteriores, é a queda consistente na expectativa de crescimento”, diz Obstfeld ao justificar o corte na projeção global. Grande parte disso se deve ao fraco desempenho das economias em desenvolvimento, responsáveis por mais de 70% do crescimento mundial. As estimativas de expansão do PIB global foram reduzidas em 0,2 ponto percentual tanto para 2016 (para 3,4%) quanto para 2017 (para 3,6%).

“Tais revisões refletem em grande medida, mas não exclusivamente, uma recuperação mais fraca nas economias emergentes do que fora projetado em outubro. Em termos de composição por país, as revisões se devem em grande parte ao Brasil, onde a recessão causada pela incerteza política, em meio à contínua crise das investigações na Petrobras, está se mostrando mais profunda e prolongada do que se esperava”, diz o Fundo.

CRISE DO PETRÓLEO

Entre os outros fatores para o corte nas previsões de crescimento global, o relatório cita os baixos preços do petróleo, que atingem as economias do Oriente Médio, a recuperação mais lenta da economia americana e a alta dos juros nos Estados Unidos, além da desaceleração da China, em meio ao “rebalanceamento” pelo qual passa o país asiático.

Apesar de reconhecer a incerteza que esse processo gera na economia mundial, sobretudo pela dificuldade dos mercados em interpretá-lo, o FMI considera que a China segue a transição conforme o que foi planejado pelas autoridades do país, com menos ênfase em investimentos e mais em consumo e no setor de serviços. Assim, o relatório manteve inalteradas suas projeções para o crescimento chinês em 2016 (6,3%) e 2017 (6%). Nesta terça, as autoridades de Pequim anunciaram que o PIB chinês avançou 6,9% em 2015. O resultado ficou dentro da meta do governo, mas foi o pior desde 1990.

CHINA E EUA

“O crescimento na China evolui conforme planejado, mas com uma desaceleração em importação e exportação mais rápida que o esperado, em parte refletindo o enfraquecimento do investimento e da atividade industrial”, diz o estudo. “Tais desdobramentos, juntamente com a preocupação sobre o futuro desempenho da economia chinesa, estão causando contágios em outras economias por meio dos canais de comércio e dos preços mais baixos das commodities, assim como da confiança em baixa e a volatilidade crescente nos mercados financeiros.”

Sobre os Estados Unidos, o FMI prevê que a maior economia do mundo crescerá 2,6% em 2016, mais que os 2,5% de 2015, mas 0,2 ponto percentual a menos que a projeção de outubro. Para 2017, os EUA devem repetir a mesma taxa de expansão, diz o relatório. A economia americana continua “resiliente”, mas tem alguns entraves, como a alta do dólar, que prejudica setores da indústria.

3 thoughts on “Economia mundial cresce e o Brasil despenca…

  1. FHC, LULA E CIA, na cadeia ? ” Se Lula for derrotado – e “derrotado” quer dizer, no limite, preso e desmoralizado -, o pouco de idealismo que resta neste país será varrido. Os jovens, sobretudo, intuirão que não vale a pena confrontar sistema.” Pelos meus cálculos, Lula e FHC não serão presos pela Lava Jato, nem Aécio-Aloysio e nem Dilma-Temer, nem Serra, Alckmin, Marina e CIA, desde que eles colaborem com a mudança de verdade do sistema podre, face ao qual, como já disse o Ciro, ninguém consegue sagrar-se vencedor sem sujar as mãos. ” Idealismo ? ” Confrontação do sistema” ? Fala sério. Peraí, peraí, companheiro, Eduardo Guimarães, menos, menos, senão vc bota a perder todo o seu texto, que assim, poderá ser caracterizado apenas como mais um panfleto pró-Lula, tipo cabo eleitoral remunerado. Ingratidão realmente é uma desgraça neste país do rei morto, rei posto, sempre foi, mas é típico da sua natureza, assim como a corrupção que o faz um país extremamente corrupto, como já disse o próprio PGR. Mas, no caso, o Lula não tem do que reclamar , posto que o país lhe deu aposentadorias suntuosas, mordomias, viagens ao mundo, riqueza, família encaminha e protegida por várias gerações, etc., etc. e tal, dois mandatos diretos e mais dois mandatos para Dilma, a seu pedido, feito histórico nunca antes visto neste país, dentro do modello podre que, não obstante podre, perdura por 126 anos. A que outro torneiro mecânico fora concedido tudo isso neste país ? Quer mais o quê, agora ? Mais queijo, como se diz aqui no interior de SP ? Assista José, ou Moisés, ou Noé, hoje, na Globo, e veja o que são Lideranças de Verdade, visionárias, do bem, quando as coisas estão feias à humanidade, daqueles que não hesitam em começar tudo de novo, quando é o caso. FHC e Lula, não confrontaram sistema nenhum. Lula aliás teceu loas até mesmo ao militarismo criminoso travestido de político. FHC e Lula apenas acenaram com mudanças, mas não tiveram coragem, disposição, intenção e nem força de vontade sequer para esboçar qualquer tipo de mudança profunda e estrutural no sistema. Pelo contrário, aderiram à podridão sistêmica partidária-eleitoral que já veio podre da famigerada ditadura militar cuja podridão fora ampliada. Mudanças, só no sentido do proveito próprio, como fez FHC, p. ex., com a sua própria reeleição, valendo-se do populismo e do salvadorísmo da pátria de ocasião, e da natureza do país extremamente corrupto. FHC, todavia, está aí, pelo menos aparentemente, tentando se redimir das suas cagadas políticas, dando a cara a tapas e discursando por mudanças profundas, estruturais, radicais, de verdade, face ao dito cujo sistema podre e seus ilusórios e sedutores cantos e encantos de sereias, ao passo que no Lula não estamos vendo a mesma atitude, infelizmente, pelo contrário, Lula passa a impressão que, não obstante tudo e o tsunami apelidado de Lava Jato, ainda continua querendo mais do me$mo.

    • Leão ou gatinho do Lulla? Por que tanta explicação para jogar a culpa no FHC? Quem fez o mensalão, o petrolão, o bbzão, o bndesão, quebrou o fundo de pensão dos correios, e detonou com todos os outros fundos de pensão foi o Lulla e o PT e não o FHC. Em comum, os dois tiveram amantes, mas só uma carregava mala de dinheiro público no avião presidencial.

  2. A propósito da charge contida no comentário, muito alvissareira a opinião de José Casado, articulista do jornal O Globo.
    Vejam a BRAVATA do apedeuta há 9 anos sobre a questão do SANEAMENTO BÁSICO em solo pátrio e concluirão que, lamentavelmente foi sufragado nas URNAS um farsante e, sobretudo incompetente, ou seja, continua tudo igual, exceto nos discursos.
    Certamente, se essa agremiação política não for DEFENESTRADA do cenário nacional, não teremos melhores dias para essa nação
    20/01/2016
    às 7:44 \ Opinião
    José Casado: Enquanto isso…
    Publicado no Globo
    Aconteceu num janeiro de nove anos atrás. Lula estava na primeira semana do segundo mandato, quando sancionou a Lei do Saneamento Básico (nº 11.445/2007): “Estamos dizendo ao mundo: ‘olha, o Brasil está entrando na esfera do Primeiro Mundo e, de cabeça erguida, define, de uma vez por todas que, a depender do governo federal, não haverá momento na história futura deste país em que a gente deixe de priorizar o saneamento básico.”’
    Governava há quatro anos, reelegera-se havia dois meses e continuava fascinado por culpar adversários pelo retrocesso. Estribado na ênfase, arrematou: “Nós temos que trabalhar o dobro do que o governo passado para que a gente possa recuperar a irresponsabilidade a respeito do saneamento básico.”
    Seu governo precisou de 32 meses para organizar um “grupo de trabalho” do plano de saneamento. E de mais 11 meses para regulamentar a lei, publicada três anos e meio antes.
    Em janeiro de 2010, Lula entregou o poder a Dilma. O novo governo levou 41 meses e 13 dias — ou seja, 230 semanas — para promover a primeira reunião do “GT”. Aconteceu na terça-feira 14 de maio de 2014 — sete anos, quatro meses e dez dias depois do discurso de Lula.
    Ano passado foi criado um “Grupo Técnico de Macrodiretrizes e Estratégias”, sob supervisão de um “Comitê Técnico” do Ministério das Cidades. Em dezembro, o “GT” criado por Lula, finalmente, conseguiu concluir sua primeira tarefa — nove anos depois da lei. Produziu um relatório de 156 páginas com proposta de 41 “macrodiretrizes” e 137 “estratégias”, enunciadas depois de consulta a 80 especialistas “empregando a técnica do método Delphi”. Acrescentou uma seleção de 23 indicadores.
    A principal conclusão do “GT” foi: Lula construiu, e Dilma sustentou até agora um Plano Nacional de Saneamento Básico sem prazos ou prioridades. Isto é, só existiu nos discursos presidenciais dos últimos 3.200 dias.
    No relatório há um alerta para a degradação da qualidade da água potável nas maiores cidades. Entre 2010 e 2013, notou-se variação crescente (de 0,6 a 3,9%) nos percentuais de presença de coliformes em amostras coletadas nas saídas das estações de tratamento.
    Pior é a situação na coleta de esgotos. A rede só alcança 58,2% dos domicílios. Entre 1995 e 2013 foi expandida à média anual de 1% ao ano, calcula a Confederação da Indústria. Desde 2007, cresce ao ritmo de 1,2% por ano.
    Continua tudo igual, exceto nos discursos. Por isso, em 60 das cem maiores cidades, os baixos índices de coleta de esgoto resultam em altas taxas de internação por doenças diarreicas, responsáveis por mais de 80% das enfermidades causadas pelo inadequado saneamento ambiental, informa a pesquisadora Denise Kronemberger em estudo do Instituto Trata Brasil. As campeãs são Ananindeua, no Pará, Belford Roxo, no Rio, e Anápolis, em Goiás.
    Sem prazos nem prioridades, o governo despeja dinheiro em obras definidas por critérios político-eleitorais. Ano passado, o Tribunal de Contas avaliou 491 contratos em cidades com mais de 50 mil habitantes, de 15 estados, que custaram R$ 10,4 bilhões. Encontrou de tudo: de obras paradas até a construção de uma estação de abastecimento de água em terreno contíguo a um cemitério. O lençol freático, claro, acabou contaminado.

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