Edições impressas dos jornais ainda financiam suas edições eletrônicas

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Circulando há mais de 2 mil anos, o jornal ainda resiste

Pedro do Coutto

A jornalista Paula Cesarino Costa, ombudsman da Folha de São Paulo, escreveu na edição de domingo excelente artigo sobre a atual situação econômica dos jornais impressos e o futuro dessa forma de comunicação em face de suas edições eletrônicas – na realidade, em minha opinião, um subproduto da maior importância em tempo real, mas cujos custos operacionais são logicamente transferidos para a conta das rotativas.

Paula Cesarino cita seis exemplos. Três internacionais e três brasileiros. No primeiro plano, fala do Wall Street Journal, cuja circulação diária é de 2,3 milhões de exemplares, do New York Times e do espanhol El País. Entre nós, destaca a própria Folha, o Estadão e O Globo, aliás, os três principais brasileiros. Refere-se a seus balanços de 2015 e seus planos de contenção de despesas.

É natural. Os custos da imprensa escrita são cada vez mais altos, e as receitas publicitárias são pressionadas pela retração econômica que atinge o país, causada na maior parte, de forma direta e indireta, pelo maremoto da corrupção. Mas este é outro caso.

QUEDA NO CONSUMO – A publicidade se retrai em face da compressão do mercado de consumo, e não pela transferência dos anúncios e anunciantes tradicionais para as edições eletrônicas. Nada disso. Os números comprovam o contrário, como é lógico.

Uma edição impressa é lida, em média, por três pessoas. Os cliques às edições na internet são individuais. Um por um, não um exemplar por três pessoas. Este é um fato. Outro fato é que os leitores folheiam diversas páginas. Na rede eletrônica o fenômeno não é tão igual.

Nem poderia ser. As edições eletrônicas não destacam assim os temas como acontece com os jornais nas bancas, onde ficam expostos, ou nas mãos dos assinantes. Mas existem outras diferenças. As que relacionei referem-se ao ângulo dos leitores. As edições eletrônicas excitam a busca das matérias. Os jornais impressos confirmam, em muitos casos, em outros não, as versões eletrônicas. Não estou me referindo a sites de opinião, como é o caso da Tribuna da Internet, editada pelo jornalista Carlos Newton. O grande número de leitores deste site está mais à procura de opinião do que em busca da informação que dá margem à opinião e as opiniões sobre o que foi ou está sendo veiculado.

A ORIGEM É A MESMA – Mas vamos ao conflito entre as edições impressas no papel e as edições reproduzidas nas telas. O que acontece na realidade?

Falei em páginas reduzidas. Exatamente isso. Basta comparar para conferir esta verdade. Então, qual é o processo econômico? As edições impressas estão financiando as edições dos mesmos jornais na internet. Porque as equipes de produção das matérias são as mesmas, as fotos as mesmas, ou da mesma origem de produção.

Por isso, penso eu, as empresas não podem separar um custo do outro. As matérias e editoriais que saíram pela manhã são as mesmas que estão exibidas à tarde na rede eletrônica. Ou então o contrário: o que está saindo à tarde e à noite nas telas está no dia seguinte nas páginas impressas. Claro que a rapidez eletrônica atrai legitimamente os internautas. Mas em matéria de custo de produção não muda nada. A fonte permanece a mesma.

E assim vai prosseguir. Não há problema. As empresas jornalísticas – de presença fundamental para a democracia e liberdade de escolha – necessitam apenas unificar os custos de produção. Pois, afinal de contas, é muito mais fácil reproduzir do que produzir matérias de interesse coletivo.

5 thoughts on “Edições impressas dos jornais ainda financiam suas edições eletrônicas

  1. Matéria bem otimista sobre a real condição financeira da maioria dos jornalões. Na realidade eles estão falidos, sobrevivendo graças a favores do Estado.
    Eu assinava a edição eletrônica do Estadão por R$ 19,90 /mês, como OESP atingiu a pior nível de jornalismo, que é o jornalismo de instigação barata, cancelei a minha assinatura.
    Quando para lá liguei solicitando o cancelamento, a atendente me ofereceu a mesma assinatura por R$ 5,00, como recusei ela abaixou para R$ 1,99, pois mesmo de graça isso influi no preço dos anúncios.
    Novamente recusei e anida brinquei com a telefonista: Mesquita pobre, não quero um jornalzinho de 1,99.
    Há mais de 15 anos quem manda na linha editorial do Estadão é o Banco Itaú, segundo me disse o falecido Rui Mesquita há muitos anos atrás.

  2. A última vez que comprei um jornal foi quando derramei óleo de motor no piso da garagem: saia mais barato (e melhor) comprar um jornal do que um pacote de estopa! A limpeza ficou ótima!
    As páginas que sobraram puderam ser usadas para forrar a mesa nas trocas periódicas da tinta da impressora.

  3. No geral, uma análise entre dois meios de comunicação que detém os seus leitores, cada qual no seu quadrado.
    Mas, pelo aspecto de uma realidade nesse confronto, do elas por elas, não comungo ,com todo respeito, com o otimismo do jornalista Pedro do Coutto..
    Na minha modesta opinião, o comentário do senhor Virgilio, foca bem mais perto do meu ponto de vista sobre a matéria.
    No caso, a visão dos poderes ocultos que de fato influem na linha editorial de muitos jornais de todo o Brasil. Tanto para mídia impressa como para a eletrônica.
    Existem controvérsias…

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