Eduardo Campos, desorientado. Aécio Neves, atormentado. Celso Amorim foi demitido da Embrafilme por irregularidades. O corrupto Berlusconi perdeu tudo, só mantém a liberdade e a fortuna. Por enquanto.


Helio Fernandes

Embora Brizola tivesse muito mais cacife, carisma, liderança histórica, foi eleito governador por dois estados, deixou de ser presidente por não ter dado a devida importância eleitoral a São Paulo. Quase não ia lá, não passou para o segundo turno por falta de meio ponto.

Embora Aécio esteja longe de Brizola em qualquer escala ou avaliação, não vai ganhar a eleição de 2014, por muitos motivos. Mas o mais importante é o eleitorado de São Paulo. Tem que confiar em Alckmin e Serra, um risco acima de qualquer expectativa.

Aécio não pode esconder: quando Serra foi presidenciável duas vezes e Alckmin, uma, não se jogou aberta e ostensivamente nas campanhas. Considerava que um presidente de São Paulo não favorecia a eleição de um mineiro.

Na primeira República (a chamada “República Velha”), só depois de três paulistas (Prudente, Campos Salles, Rodrigues Alves) é que veio um mineiro. Assim mesmo porque era governador e se chamava Afonso Pena. Aécio não conhece história, não leu muito almanaque “Capivarol”, e agora sofre.

ÚNICA CERTEZA DE CAMPOS PARA 2014:
SERÁ PAI PELA QUINTA VEZ EM ABRIL

Quanto à sucessão, é quase impossível acreditar nele. Como as pesquisas situam o governador no máximo em 5 por cento, numa possível aventura presidencial, como concluir? Não acredito muito nessas pesquisas, mas o governador se baseia sempre nelas.

Me perguntam: “Eduardo Campos será presidenciável?”. Não há o que responder. Pela lógica, não será, mas pela ambição, pode ser. E pela incapacidade de análise, quer tentar agora, para surgir com chance poderosa em 2018. Aí, só adivinhando.

CELSO AMORIM E A EMBRAFILME

Ontem, foi publicado: “O agora ministro foi demitido em 1982 da presidência da Embrafilme, por ter financiado o “Pra Frente, Brasil”, que tinha cenas de um filme que exibia cenas de tortura na ditadura”.

Como o jornalista que comentou a Embrafilme de então, não integra o “comissariado”, mas se situa no “andar de cima”, devia se informar melhor. Amorim foi demitido por EXCESSO DE IRREGULARIDADES.

Provas? Foi a Tribuna impressa que derrubou o presidente da Embrafilme. Publiquei mais de 20 matérias diárias revelando as patifarias da Embrafilme. Todas assinadas, algumas de página inteira, impossível desconhecer. Amorim sabe de tudo, a repercussão na época foi destruidora. Para ele.

Apesar da demissão desonrosa, conseguiu chegar a chanceler e a ministro de Estado. Que maravilha viver.

O CORRUPTO BERLUSCONI

Condenado várias vezes, está com o último recurso antes de ir para a prisão. Tentando se fortalecer e voltar a ser primeiro-ministro, deu ordens ao partido: “Derrubem Enrico Letta, teremos novas eleições”. Foi desobedecido. Letta teve o voto de confiança, Berlusconi massacrado e desobedecido.

Perdeu o voto, vai perder o mandato de senador, perderá a liberdade. Ficará faltando perder o dinheiro da corrupção (Tudo o que tem). Berlusconi é bufão, blandicioso, burlesco. Enquanto não for preso, deixará a todos, bestificados.

“DERRUBADO O VOTO SECRETO”

Foi exatamente isso que a televisão divulgou assim que a Câmara FINGIU ter destruído o voto secreto. No dia seguinte, manchete de jornais impressos e análises de comentaristas arrogantes e empolgados com a própria importância ratificavam: “Não há mais voto SECRETO”.

Aqui mesmo desmenti tudo, alertei: “Nada foi derrubado, o projeto vai para o Senado, ficará meses vagando por lá”. Era tão fácil concluir assim, já se passaram mais de dois meses, e o ínclito Renan guarda tudo na gaveta, “engavetado”.

JORNALÕES DEVIAM SE DESCULPAR

Todos eles e as televisões da mesma “coudelaria” estavam obrigados, no mínimo, a desculpas. Bastava voltar com a mesma manchete no sentido contrário: “O VOTO SECRETO não foi derrubado, continua valendo”. Se quisessem ir mais longe e explicar, ainda mais fácil: “Estão esperando o resultado do julgamento do mensalão”.

MINISTROS DO SUPREMO

Lula falou sobre a independência e a duração do mandato deles. Esqueceu que tentou “invadir” o julgamento do mensalão, foi ao encontro de Gilmar Mendes, apoiado e amparado pelo ínclito, intocado e intocável Nelson Jobim.

Agora o ex-presidente contesta a duração do mandato dos ministros e não escapa de dizer bobagem: “Como está eles ficam 30 ou 40 anos”. Celso de Mello vai ficar 25, e isso é o máximo. Para ficar 30 anos, teria que ser nomeado com 40. Para permanecer 40, teria que ser nomeado com 30, impossível.

LULA QUER CORRIGIR RUI BARBOSA

Como não há rodízio, quando o presidente morre, se aposenta, fica incapacitado, o chefe do Executivo é que nomeia o presidente da Corte. Alguns já ficaram 50 anos pelo fato de serem vitalícios. Mas jamais houve essas queixas contra “traição” dos escolhidos.

Quando Nixon foi presidente, abriu-se uma vaga no plenário da Suprema Corte. De acordo com a Constituição, Nixon enviou um nome ao Senado, sem demora vetado. O segundo e o terceiro nome, o mesmo destino.

Nixon não se revoltou, se descabelou ou se irritou. Deixou passar uma semana ou dez dias, convidou os presidentes dos dois partidos e os dois lídres no Senado, para almoçarem na Casa Branca.

Conversaram, se divertiram, lembraram fato, Nixon havia sido senador, nem tocaram no assunto. na hora do café, Nixon fez a proposta: “Eu mando três nomes, os senhores escolhem um, está nomeado”.

E o presidente democrata (Nixon era republicano) respondeu: “Não, presidente, a última palavra tem que ser do senhor. Nós, democratas e republicanos, fazemos uma lista com sete nomes, o senhor reduz para três, qualquer um deles será aprovado”. Foi o que aconteceu.

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3 thoughts on “Eduardo Campos, desorientado. Aécio Neves, atormentado. Celso Amorim foi demitido da Embrafilme por irregularidades. O corrupto Berlusconi perdeu tudo, só mantém a liberdade e a fortuna. Por enquanto.

  1. A Constituição que nasceu Cidadã, aos 25: JUDAS, CIGANA, PROSTITUTA E BOMBRIL.
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    Um cipoal de leis em que difere do tão criticado “entulho autoritário” da época dos Decretos-Leis?
    Mudando-se o nome não se muda a coisa.
    “- 74 Emendas Constitucionais – EC em 25 anos…3 por ano…
    – 3.000 Medias Provisórias – MP com força de Lei em 25 anos…120 por ano”

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    H. Arendt deixa antever que Direito e burocracia se confundem; engordam “doutores” menestréis agourentos da desordem e inventam a mais nova forma de tirania:
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    “Hoje poderíamos acrescentar a última e talvez a mais formidável forma de tal dominação: a burocracia, ou o domínio de um sistema intrincado de departamentos nos quais nenhum homem, nem um único nem os melhores, nem a minoria nem a maioria, pode ser tomada como responsável e que deveria mais propriamente chamar-se domínio de Ninguém…
    A burocracia é a forma de governo no qual todas as pessoas estão privadas da liberdade política, do poder de agir; pois o domínio de Ninguém, não é um não-domínio, e onde todos são igualmente impotentes temos uma tirania sem tirano”
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    Desenlaces desanimadores como este, de negar – nesta oportunidade – o registro do partido REDE; ou o dos embargos infringentes e tantos outros do cotidiano que qualquer um pode alongar e que ofendem o senso comum encostam na parede o Judiciário; manietam o aparato policial de segurança; alimentam a corrupção e encorajam a violência desorganizando a sociedade.
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    Todo e qualquer um, então, se posta como escritor do futuro cm seus próprios e particulares códigos cambiantes no mais das vezes subservientes aos mais íntimos, inconfessáveis egoístas e profanos desejos. É gerado um ambiente em que vicejam e imperam mitos, hipocrisias, cinismos e inverdades.
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    Um livro didático apropriadamente leciona que:
    “a diversidade de nossas opiniões não provem do fato de uns serem mais racionais do que os outros, mas somente do fato de conduzirmos nossos pensamentos por vias diversas e de não considerarmos as mesmas coisas”
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    Há um buraco aberto e que se expande entre a legitimidade e a legalidade gerando um ambiente de desordem e insegurança por afetar fortemente a argamassa social da lei.
    As teses sobre a pureza do Direito necessitam ser relidas. A sutileza da predição de R. Von Jhering em a “Luta pelo Direito” clama por discussão:
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    “Não é a estética, mas a moral que nos deve dizer o que seja a natureza do Direito; e longe de expulsar a luta pelo direito, a moral proclama-a como um dever”.
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    A visão de Hans Kelsen em TEORIA PURA del DERECHO bem acentua o risco da função política-instrumental do Direito quando seu processo criativo fica submetido a injunções circunstanciais desprezando o compasso e ritmo da mudança social fazendo-o carro puxador de reformas ideológicas:
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    “El derecho tiene la particularidad de que regula su própria creación e aplicación. Tal definición se ajusta perfectamente a la teor de kant, para quien el conocimiento constiutuy e o crea su objecto, dado que aqui se trata de una creacion epistemológica y no de uma creación por el trabajo del hombre, em el sentido em que se dice que el legislador crea uma ley.”…
    …son siempre las normas jurídicas las que forman el derecho y no la conducta efectiva de los hombres.
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    Também impende não se descurar que:
    “Os decretos da ciência podem ser combatidos, os do direito têm valor positivo, mesmo aquele que tiver descoberto o seu erro, tem que se submeter a ele.”
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    Não se está examinando o mérito em si dos fatos que diariamente espantam o social e direcionam a opinião pública desprovida quase que integralmente de espontaneidade pelo efeito devastador provocado pela rapidez do mercado natural e negro da informação on-line que marca o tempo presente.
    Não se analisa se a REDE e uma dezena ou mais de outros partidos políticos em situação semelhante podem ser registrados ou não; se os embargos infringentes valem ou não; se o facínora homicida e/ou estuprador pode sair, risonho, pela porta da frente dos pardieiros denominados delegacias ou não; se alvarás concedidos por magistrados pouco atentos a responsabilidade de suas decisões favorecendo perigosos criminosos sentenciados ou não podem ou não ser expedidos; se o sistema prisional que regride penas tornando-as inócuas é válido ou não, etc., etc., etc.
    O que se pretende frisar e trazer à atenção é o descompasso entre a lei, necessidade civilizada e o interesse; entre a natureza dela e o que dela se faz e o desastre que se avizinha.
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    Tudo se origina no governo autoritário de FHC que abriu as portas da promiscuidade entre os Poderes destruindo o Estado Constitucional; a independência entre os Poderes e os deixando harmônicos, harmônicos em demasia. Mais exatamente promíscuos. Essa constatação ultrapassou fronteiras. Friedman, Thomas em O Mundo é Plano: Uma breve história do século XXI,observa:
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    “Essas reformas por atacado foram iniciadas por um punhado de líderes em Países como a CHINA, A RÚSSIA, O MÉXICO, O BRASIL E A ÍNDIA. Esses pequenos grupos de reformistas freqüentemente se valeram da alavanca de sistemas políticos autoritários para libertar as forças de mercado de suas sociedades que eram abafadas pelo Estado. Lançaram (essas reformas) em seus países… SEM JAMAIS CONSULTAR O POVO”
    .
    Hans Kelsen bem salienta a tirania que resulta quando o Direito perde a representatividade moral, a natureza soberana de seu povo:
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    “Las manifestaciones exteriores del poder del Estado, las cárceles e las fortalezas, las horcas y las ametralhadoras, no son en si mismas más que cosas intertes. Se coviertem en instrumentos del poder estatal solo en la medida en que los individuos se sierven de ellas en el marco de um orden juridica determinado, es decir, com la idea de que deben conducirse de la manera prescrita por este orden”
    .
    É citação corriqueira o Art. 116 da Declaração dos Direitos do Homem, de que não tem Constituição a sociedade que não assegure a separação dos poderes.
    O Art. 16 da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 26.8.1789 :
    .
    “Toda sociedade em que não seja assegurada a garantia dos direitos, nem estabelecida a separação de poderes, não tem Constituição”.
    No mesmo sentido The rights of man:
    “Uma Constituição é uma coisa antecedente a um governo, e um governo é apenas a criatura de uma Constituição”
    .
    A ousadia da mentira, da ignorância e do despreparo aliou-se à fábrica de Emendas Constitucionais e Medidas Provisórias:
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    “- 74 Emendas Constitucionais – EC em 25 anos…3 por ano…
    – 3.000 Medias Provisórias – MP com força de Lei em 25 anos…120 por ano”
    .
    Nada a comemorar, luto.

  2. Dirceu presidente
    (…)Quando enfim tive a certeza de que os mensaleiros ganhariam um segundo julgamento – confesso que até os momentos finais alimentei alguma esperança do contrário –, soltei um longo suspiro e senti uma avassaladora saudade do meu pai. Ah, como eu queria conversar com ele sobre o assunto…
    Apesar de sempre ter sido um homem de esquerda, meu pai nunca mais votou no PT depois da morte de Celso Daniel e do escândalo do mensalão. Sobre a recente e desastrosa decisão do STF, tenho certeza de que ele faria a seguinte piada: “Chega de intermediários – José Dirceu presidente!” Seria uma adaptação da piada que circulava entre os esquerdistas pós-1964: “Chega de intermediários – Lincoln Gordon presidente!” (nota: Lincoln Gordon era embaixador dos Estados Unidos à época do golpe militar brasileiro).

    Mais aqui: http://www.midiasemmascara.org/artigos/governo-do-pt/14566-dirceu-presidente.html

  3. Lula & STF
    Ontem Carlos Chagas já tinha nos mostrado, na sua Coluna no CH, que o palpite de Lula sobre o STF é absurdo e caótico como tudo que palpita.

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