Eduardo Paes, com Seedorf, imita Lula com Maluf: gol contra

Pedro do Coutto

O prefeito Eduardo Paes, na campanha pela reeleição, ofereceu uma recepção, com brilho quase oficial, ao craque Seedorf, que acaba de sair do Milan, clube com o qual conquistou vários títulos, transferindo-se para o Botafogo. Ao lado do alcaide e do holandês estava no primeiro plano das comemorações o presidente do alvinegro, Maurício Assunção, filiado ao PMDB, em relação a quem tenho dúvida se é ou não candidato a vereador.

Mas de olho na cena, e no lance, encontrava-se também o Procurador Regional Eleitoral, Maurício da Rocha Ribeiro. Este anunciou que vai representar junto ao TER-RJ contra o comportamento de Paes, pois nele identifica uso da máquina pública e de bem público, o Palácio da Cidade, para promoção pessoal.

Sob o aspecto jurídico, Rocha Ribeiro tem razão e age no sentido de corrigir uma ultrapassagem da lei. Eduardo Paes talvez termine sendo multado. Nada mais, em matéria de penalidade. Porém não é esta a questão essencial. O ponto chave da questão é que, em vez de ganhar, na minha opinião perdeu votos importantes para seu projeto. Poderá recuperá-los mais à frente, a campanha na televisão ainda não começou. Só a 20 ou 21 de agosto, quarenta e cinco dias antes das eleições.

Mas isso não significa que sua atitude não tenha sido negativa: para ele próprio. Torcedor do Vasco, não ficou bem, é claro, com a torcida vascaína. Tampouco com a rubro negra e com a tricolor. Ele reservou um tratamento preferencial a um jogador do Botafogo. Não programou, até hoje, manifestações do mesmo porte a todas as agremiações rivais. Nem ao Vasco da Gama.

Prestigiou uma torcida em detrimento das demais. A reação, sente-se nas ruas, não foi positiva. Pelo contrário. Eduardo Paes esqueceu que futebol é uma paixão. Os torcedores amam e desejam, é natural, ser correspondidos. E pior do que não serem correspondidos é serem excluídos. Foi o que o prefeito praticou. Marcou um gol contra para sua própria campanha.

Assim, exatamente, como fez o ex-presidente Lula ao ir ao encontro de Paulo Maluf, na residência deste, no final da ópera prejudicando o próprio candidato do PT à Prefeitura da cidade de São Paulo, Fernando Haddad. A pesquisa Datafolha apontou o fenômeno negativo imediatamente: o ex-ministro da Educação desceu de 8 pontos para 6% das intenções de voto.

Havia começado somente com 3 pontos. Lula entrou na partida e o colocou no oitavo andar. Avanço considerável dada a colocação inicial do candidato. De 3 para 8 pontos. Mas a visita à residência no Jardim Europa não pegou bem. Tanto assim que Haddad perdeu embalo. Foi um gol contra também. O ser humano, por mais experiente que seja, comete erros. Luis Inácio da Silva equivocou-se. Não levou sequer em consideração que, sozinho, canaliza mais votos para Fernando Haddad do que junto com o deputado condenado em Nova Iorque e incluindo na relação dos procurados pela Interpol. Não pode sair do país. Se sair, será preso onde estiver.

Lula, no triste episódio que marcou uma ruptura com o seu passado, esqueceu que venceu disparado as três últimas eleições presidenciais. Por 62 a 38 contra Serra; 61 a 39 sobre Geraldo Alckmim; e transferiu seu prestígio à atual presidente levando Dilma Rousseff à vitória por 56 a 44% contra José Serra. Um líder assim, francamente, não precisa de Maluf para vencer ou perder com o candidato de sua indicação.

Se o seu prestígio e sua popularidade não forem suficientes para o êxito de Fernando Haddad, a culpa não será sua e sim resultado da fraqueza do candidato. Lula fez um gol contra. Eduardo Paes, com Seedorf, atrasou a bola. Mas não viu que o goleiro estava fora da cidadela. Fez um gol contra também.

São coisas da política.

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