Eduardo Paes culpa, ao mesmo tempo, Cabral, Pezão e Dornelles pela crise no RJ

Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Pedro do Coutto

Ao afirmar no sábado numa entrevista a várias emissoras de TV e jornais que a crise financeira que atinge o Estado do Rio de Janeiro é um problema de gestão, o prefeito Eduardo Paes, tácita e concretamente culpou as administrações dos governadores Sérgio Cabral, Pezão e Dornelles, porque os problemas são de tal dimensão que não podem ter sido acumulados ao longo dos exercícios de 2014 e 2015. Vêm de longe. Portanto, do início do mandato do governador Sérgio Cabral, eleito em 2006 e reeleito em 2010.

O déficit nas contas públicas, segundo Francisco Dornelles, atinge 20% do orçamento e não foi construído, nem podia ser, a curto prazo. A diferença entre receita e despesa ocupou um espaço de tempo maior do que apenas em 2014 e 2015.

Eduardo Paes tem razão. Falta tudo no Estado do Rio de Janeiro. Salários atrasados dos servidores, hospitais praticamente fechados, universidades e colégios, quando não paralisados funcionando precariamente.

ISENÇÕES FISCAIS – Enquanto isso, como publicou a revista Veja na edição do último sábado de junho, o governo estadual liberou isenções fiscais da ordem de 138 bilhões de reais. O montante impressiona e proporcionalmente é maior do que as desonerações tributárias concedidas pela presidente afastada Dilma Rousseff. Isso porque as desonerações federais dos últimos quatro anos somaram 430 bilhões de reais, mas abrangeram o país todo. Os governos Sérgio Cabral e Pezão liberaram 130 bilhões ao longo de oito anos.

Percentualmente as desonerações de Dilma Rousseff corresponderam praticamente a 13% do orçamento da União. As isenções de Cabral de Pezão correspondem a cerca de 150% do orçamento do RJ para este ano. O orçamento federal está na escala de 3 trilhões de reais. O orçamento do RJ para 2016 é de 79 bilhões de reais.

NÃO DERAM EM NADA – As duas desonerações não conseguiram produzir efeito econômico e social algum. Tanto assim que as arrecadações cresceram respectivamente a níveis menores do que o ajuste inflacionário. Os déficits cresceram e o desemprego aumentou.

O prefeito do Rio afirmou-se revoltado – reportagem de Julia Amin, O Globo edição de domingo – com a falta de segurança na cidade, citando como exemplo o enorme roubo dos equipamentos de empresas alemães de TV que aqui chegaram para instalar o sistema e cobertura das Olimpíadas.

Eduardo Paes chegou a afirmar que o Estado do Rio de Janeiro precisa tomar vergonha na cara.  As declarações do prefeito foram publicadas também pela Folha de São Paulo, matéria de Alfredo Mergulhão.

CRIMES E MAIS CRIMES – A insegurança pública realmente se generaliza na capital do estado. São tiroteios constantes, assaltos sucessivos, mortes seguidas, contribuindo para a falta de segurança até o atraso do pagamento dos vencimentos mensais do sistema policial.

Confronte-se tudo isso com o superfaturamento de 198 milhões de reais nas obras, não de remodelação, mas na verdade de reconstrução do Maracanã, Estádio Mário Filho, episódio que está vindo a público agora, com toda a força, como se viu na manchete principal de O Globo de domingo.

O descalabro na administração pública apontado pelo prefeito Eduardo Paes vai, sem dúvida exigir intenso trabalho a médio prazo para que se recupere o tempo perdido e os recursos financeiros desviados maciçamente para as contas particulares dos principais responsáveis pelos escândalos que marcaram a passagem do tempo.

QUE FAZER AGORA? – A verba de 2,9 bilhões de reais que o governo federal destinou ao RJ, logicamente, causará um efeito de alívio por alguns meses. Não mais do que isso como os números anunciados por Dornelles indicam.

O estado do Rio de Janeiro terá que se recuperar por si mesmo: cobrando os impostos em atraso e tentando conter suas despesas, afastada a hipótese ilegal de atrasar os salários do funcionalismo. Além disso, terá que combater a sonegação fiscal, que enriquece uns poucos e leva tantos ao desespero.

10 thoughts on “Eduardo Paes culpa, ao mesmo tempo, Cabral, Pezão e Dornelles pela crise no RJ

  1. Dívida pública do Rio de Janeiro vai a R$130,4 bilhões no mês de maio/2016.

    O déficit primário (excesso de despesas sobre as receitas) acumulado em doze meses até maio é de R$6,4 bilhões. Enquanto os juros da dívida acumularam R$14,7 bilhões. Logo, o déficit nominal foi a R$21,1 bilhões.

    Representação gráfica da gestão da dívida pública do Estado do Rio de Janeiro (maio/2016):

    (-) Déficit primário………..R$6,4 bilhões
    (-) Juros nominais………..R$14,7 bilhões
    —————————————————
    (=) Déficit nominal………..R$21,1 bilhões (devidamente incorporados à dívida pública.

  2. Resultado Orçamentário do primeiro bimestre/2016:

    (+) Receitas totais……………….R$8,137 bilhões
    (-) Despesas totais………………R$11,801 bilhões
    ————————————————————-
    (=) Resultado Orçamentário…-R$3,664 bilhões (deficitário)

    Fonte: Portal transparência do Governo do Rio de Janeiro.

    Conclusão: A ajuda de R$2,6 bilhões do Governo Federal não será suficiente nem para cobrir as despesas orçamentárias só do primeiro bimestre, pois, o déficit alcançou R$3,664 bilhões.

      • Só para se ter uma ideia da bagaça que vai ser este ano para o Rio de Janeiro, em apenas um bimestre – o primeiro bimestre -, o déficit orçamentário alcançou R$3,664 bilhões. Em todo o ano de 2015 o déficit orçamentário foi de R$4,3 bilhões. Ou seja, apenas no primeiro bimestre o déficit foi quase o equivalente ao déficit de todo oano de 2015.

        2016 vai ser um ano avassalador para o estado do Rio de Janeiro.

        É previsível, inclusive, uma intervenção federal. Vai ser impossível dar continuidade às funções estatais do Rio de Janeiro.

        Quebrou e quebrou feio!

  3. Não votei em Eduardo Paes, nem Sérgio Cabral e nem em Pezão, mas o prefeito atual do Rio de Janeiro não mentiu, o governador Sérgio Cabral e Pezão afundaram o Rio de Janeiro, embora o prefeito atual também sofre investigações, a prefeitura não está falida como o estado do Rio de Janeiro, o povo colocou o corrupto do Sérgio Cabral e Pezão para governador um estado importante como o Rio de Janeiro e este incompetente destruiu o esta e se locupletou, não é de hoje que este mal caráter faz das suas, desde quando é deputado estadual que mete a mão no erário público, a mansão de Mangaratiba já era motivo de investigações pelo MP, TCE, PF, mas nunca foi questionado sobre sua riqueza duvidosa, o que ele fez além de ser deputado estadual para ter esta fortuna.

  4. Assim o Rio de Janeiro segue o exemplo dos gênios administrativos de São Paulo, a famosa Quadrilha do Efeagácês.
    cunha e cabral com toneladas de bilhões em Paraísos Fiscais roubados do erário público e o Estado numa draga de dar dó.
    cabral, o falso, fazia festas regadas ao bom vinho francês e cardápio dos mais caros do Planeta com vários convidados em Paris., inclusive com um convidado ilustre o dono da Delta que também fez alguns trabalhinhos nada honesto com o Vampiro da Móoca.
    cunha, o nefasto religioso, também usa o dinheiro público para fazer os mimos de sua linda esposa customizada com bótox francês, fora seu vício em comprar bolsas para sua coleção de luxo.,
    Engraçado que os dois pertecentem ao mesmo partido do Presidente Interino Provisorio temer/dilma/2010.,

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