Efeito coronavírus ! Com sessões remotas, Senado economiza R$ 4 milhões com viagens na pandemia

Charge do Bruno (chargesbruno.blogspot.com)

Iara Lemos
Folha

Desde abril, pouco depois de o Senado implementar as sessões remotas para evitar a proliferação do novo coronavírus, despencaram os custos com passagens aéreas usadas pelos parlamentares para se deslocar até Brasília.

Em relação ao mesmo período do ano passado, a economia chega a 91%, o que equivale a R$ 4,13 milhões. O valor é referente a custos de locomoção de senadores, assessores e servidores da Casa. No caso dos servidores, inclui também os gastos com diárias.

DESTINO INCERTO – O destino do dinheiro economizado, contudo, ainda é incerto. Segundo a Casa, o valor poupado com os servidores poderá “eventualmente” ser usado para custear outros gastos do Senado. Em 2020, o Senado tem orçamento previsto de R$ 4,5 bilhões, sendo R$ 3,8 bilhões com despesas de pessoal e encargos.

No caso dos senadores, estes custos de deslocamentos são previstos por meio da Ceaps (Cota para Exercício da Atividade Parlamentar). Mas, com a redução dos pedidos de ressarcimento de gastos, o Senado não foi obrigado a reembolsar a maioria dos senadores.

Entre os dias 1º de abril e 21 de julho deste ano, os dados do Portal Transparência do Senado pesquisados pela Folha apontam que, dos 81 senadores, apenas 18 fizerem uso da Ceaps para o estipêndio de passagens aéreas. O valor de ressarcimento ao qual cada parlamentar tem direito mensalmente varia de acordo com o Estado de origem do político.

DISTÂNCIA – O cálculo leva em consideração a distância em relação a Brasília. Os senadores dos Estados mais distantes, como Acre (R$ 44.632,46) e Amazonas (R$ 43.570,12) têm verba maior. Já os que moram mais próximos de Brasília, como os de Goiás (R$ 35.507,06) e os três senadores do Distrito Federal (R$ 30.788,66) recebem menos.

O valor é usado tanto para os gastos com deslocamento quanto para estrutura de gabinetes, como pagamento de despesas telefônicas, combustível e alimentação do senador. Para viagens, o valor permitido por uso ao mês é de R$ 12.713,00. São nestes valores que a diretoria do Senado afirma que não tem como intervir no destino.

Nesse espólio não estão contabilizados os custos do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Assim como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM—RJ), Alcolumbre tem direito a se deslocar em voos da FAB (Força Aérea Brasileira).

One thought on “Efeito coronavírus ! Com sessões remotas, Senado economiza R$ 4 milhões com viagens na pandemia

  1. Advinham para onde vai esse dinheiro que sobra (?)

    Fica com o próprio Senado – ao invés de retornar para os cofres da União.

    Idem ocorre nos Estados e Municípios.

    Como acham que a ALERJ consegue comprar e ter vários prédios ali pela praça XV além do principal?
    Idem os Tribunais e os Ministérios Públicos.
    Esses ainda fazem reformas, obras e contratam coisas exóticas que nada tem a ver com a atividade finalística sendo verdadeito desperdício de recursos.
    Quer exemplos?
    – pinturas da parede com cor e acabamento ao gosto do juiz/promotor/parlamentar
    – contratação de empresa para gerir site da instituição (como se não existisse servidores do próprio órgão já contratados para área de informática).
    – substituição dos carpetes ou pisos por outro do gosto também dos citados acima.
    – locação de vagas em edifício garagem ou de estacionamentos particulares quando não possível aumentar no prédio ou nas ruas – como se fosse um direito ter vaga para todos os citados acima estacionarem seus veículos.
    E etc.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *