Em 1931, há 80 anos, o grande Pedro Ernesto era nomeado Interventor do Distrito Federal. Em 1932 era eleito Prefeito, o primeiro nessa condição. O mais importante e realizador.

Helio Fernandes

Médico de extraordinária competência, era tido e havido como socialista, pela razão muito simples de que se preocupava com a coletividade. Construiu escolas, hospitais, se interessava por esportes, cedeu terrenos para que os clubes se expandissem.

O Flamengo foi um dos beneficiados, com a única exigência: os terrenos só podiam ser utilizados para práticas esportivas. Há alguns anos, o então presidente do Flamengo tentou erguer ali um supermercado, embarguei a obra, republicando na Tribuna impressa o decreto de Pedro Ernesto em 1931.

(Muita gente estranhou  pelo fato deste repórter ser o sócio proprietário mais antigo e do Conselho Deliberativo. Não interessa, o supermercado ficou no chão, ou na cabeça de Marcio Braga).

Era popularíssimo, em 1935 já se falava em seu nome para presidente da República em 1938. Em novembro de 1935 houve a tentativa de Prestes com a Revolução Comunista, chamada sempre pelos jornalões de “Intentona Comunista”. Disseram que Pedro Ernesto, muito amigo de Prestes, havia participado do movimento.

Pedro Ernesto foi preso em 1936, 4 ou 5 meses depois da prisão de Prestes na Rua Honório. Pedro Ernesto era realmente amigo de Prestes, mas era também amigo de Vargas, e mais ainda de Dona Darcy, Primeira-Dama. Ela sofreu um atentado que era para atingir o marido, queriam cortar as duas pernas de Dona Darcy, “para salvar sua vida”. (Um atentado pouco conhecido, a ditadura, ainda não a do Estado Novo, fez tudo para esconder).

Pedro Ernesto foi preso, ficou na cadeia, enquanto Vargas tratava da própria sucessão, tendo como candidato ele mesmo. Mandou Benedito Valadares lançar dois candidatos “sem cacife e sem cacique”, apenas para enganar a opinião pública e os jornalões, já COOPTADOS por Vargas.

A prisão do prefeito (e sua manutenção no cárcere) teve enorme repercussão. Grandes personagens de 1930, (do qual Pedro Ernesto participou intensamente) começaram a pressionar Vargas para libertar Pedro Ernesto. Vargas fez o que era do seu caráter.

Libertou Pedro Ernesto e se livrou de um adversário que seria fortíssimo em 1938, a primeira eleição direta de toda a História da República até então, e que continuou sem existir. Vargas conversou com Osvaldo Aranha e outros, mas fez exigências. Uma delas: “Pedro Ernesto escreveria uma carta que entregaria a Osvaldo Aranha, garantindo que não seria candidato a presidente”. O que fazer?

Com isso, Vargas afastou também o Interventor em São Paulo, Armando Salles de Oliveira (cunhado do doutor Julio de Mesquita, do Estadão). E não referendou a candidatura de José Américo, tido como candidato do governo. E para fazer a festa completa, não realizou a eleição marcada para 3 de outubro de 1938.

Para o lugar de prefeito, substituindo Pedro Ernesto, nomeou o padre Olimpio de Mello, o mais amaldiçoado e corrupto que Deus (?) botou no mundo. Por que estou lembrando isso agora? Por muitos motivos. Os 80 anos do fato. A forma como Vargas misturava sua ambição e os negócios públicos. E o fato de até hoje (mesmo depois de 80 anos), ninguém ter chegado perto dele. (Só Lacerda e Negrão, merecem referência).

E agora chegamos ao subterrâneo da indignidade em matéria de governo do Estado do Rio. Até 1960 continuavam os prefeitos, governador eleito só a partir de 5 de novembro de 1960, com a mudança da capital. Com isso, JK favoreceria Lacerda, que jamais seria governador, não havia eleição.

Assim mesmo, como não havia segundo turno, Lacerda foi eleito com 29 por cento dos votos, Sergio Magalhães 28, Tenório Cavalcanti 15, o ex-prefeito Mendes de Moraes 8.

(Tenório era um portento de popularidade. Por onde ia, multidões. Era deputado pelo então Estado do Rio, como não havia domicílio eleitoral, disputou aqui e teve esses 15 por cento dos votos.

De degradação em degradação, chegamos a cabralzinho, mas diga-se a bem da verdade, ele é herdeiro político e eleitoral de uma frota ou flotilha que só navega em mar de lama. E sem credenciais, acusado de enriquecimento ilícito, duas vezes derrotado para prefeito, durante 16 anos comandando a Alerj, chegou a governador. E não apenas governador eleito, mas o pior: REEELEITO.   

Portanto, não pode mais obter outro mandato, trata de infernizar a vida do cidadão. Que já sofreu a tragédia serrana e se prepara, terá que enfrentar a sucessão de 2014. Uma catástrofe.

Joga as peças de 2014, agora na eleição da Alerj. Ele e Picciani dominam a Câmara estadual há 16 anos. 8 de cabralzinho, 8 de Picciani. Este, pior, acusado de enriquecimento ilícito e indiciado por exploração de trabalho escravo. Queria ser senador, devia ter seguido o que escrevi durante mais de três meses: “Picciani e Cesar Maia não se elegem senadores, vão ganhar Lindberg e Crivella, apoiados por Lula”.

Picciani e cabralzinho não podem se hostilizar mais do que se hostilizaram no passado, Picciani era candidato de cabralzinho. Mas quem tinha voto era o presidente e não o governador. Agora, apavorado, o governador tenta eleger o presidente da Alerj.

Na entrevista a O Globo, Paulo Melo, cumprindo ordens do “chefe e patrão”, rompeu o acordo com o deputado Brazão. Deixou claro que quem comanda tudo é o próprio Picciani.

Acontece que seu mandato acaba em 31 de janeiro. No dia 1º a Alerj se instala, no dia 2 elege e empossa o presidente. Tanto faz, Melo não tem brasão, na verdade, deveriam empatar pela “cláusula” da falta de caráter.

Mas Picciani não liga para o calendário, está chamando deputados, COM URGÊNCIA, para conversar. Não na Alerj, que ainda preside, e sim no “prédio administrativo”, na Rua da Quitanda, esquina de Primeiro de Março, onde cabralzinho e Picciani se reuniam, de madrugada, e dividiam os troféus da politicalha. Que saudades desses tempos.

 ***

PS – Picciani e cabralzinho precisam manter o controle da Alerj, como acontece há 16 anos. Como governador que conhece a fundo os “meandros e igarapés da politicalha” (royalties para Tancredo Neves), cabralzinho conseguirá.

PS2 – Mas para Picciani as coisas estão difíceis, política mas não financeiramente. Está com tanto dinheiro e tanta empresa para administrar, que vai botando dinheiro pelo ladrão.

PS3 – Pretendia um cargo federal e especial, mas desde que Dona Dilma “atingiu cabralzinho no esôfago”, Picciani viu que não adiantava esperar nada desse lado.

PS4 – Agora, Picciani quer a presidência do PMDB do Estado do Rio. Consultou pessoalmente as potências, Michel Temer e Henrique Eduardo Alves.

PS5 – Os três riram diante do espelho, na linguagem deles significa aceitação e ratificação. Com isso, em 2014 sobrou para cabralzinho uma vaga de deputado federal. Mas não em Brasília.

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