Em 2009, Lula avisou a China e a Arábia Saudita para não comprarem títulos dos EUA. Detalhe: ele não sabia que o Brasil também estava comprando, e continuou comprando.

Carlos Newton

Recordar é viver, especialmente nessa crise econômica por que passam os Estados Unidos, por ora sem condições de honrar suas dívidas em títulos emitidos pelo Tesouro. Então, vamos lembrar que, em maio de 2009, Carlos Chagas registrou aqui no blog que o então presidente Lula estava cometendo sucessivas gafes numa viagem à Ásia e ao Oriente.

“A gente não sabe se foi por conta de outro improviso ou se estava no texto escrito, preparado pelo Itamaraty, mas a verdade é que tanto em Riad, na Arábia Saudita, quando em Pequim, na China, o presidente Lula deu uma grande escorregadela. Disse, nas duas capitais, que em vez de ficar comprando títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os países emergentes devem usar suas reservas monetárias para investir em atividades produtivas, da indústria à educação”, escreveu Chagas, acrescentando:

“Além disso, na ocasião Lula não foi alertado pelo Itamaraty para o fato de que a China, em primeiro lugar, e a Arábia Saudita, em segundo, são os países que mais compram títulos do Tesouro americano. Pode tratar-se de uma estratégia, porque se resolvessem vender todos os papéis que se acham em seu poder, os dois governos quebrariam para todo o sempre a economia dos Estados Unidos. Claro que não o fazem nem farão, seja por esperteza, seja por caridade.”

Apesar de correto o conselho de Lula, revelava um dado espantoso. Nosso presidente desconhecia inteiramente que o Brasil também estava investindo pesado nesses  títulos do Tesouro dos Estados Unidos que ele tanto menosprezou junto às autoridades chinesas e sauditas. A tal ponto que hoje, mais de US$ 200 bilhões das reservas brasileiras estão investidos em títulos dos EUA, que pela primeira vez na História contemporânea ameaça dar um impensável calote nos credores, caso o Parlamento não eleve o teto de endividamento do país, o que inevitavelmente acontecerá ainda esta semana, podemos ter certeza, fazendo as bolsas dispararem e tudo o mais.

Na época da viagem de Lula ao outro lado do mundo, o que ficou meio estranho foi a advertência dele, intrometendo-se em questão delicada. “Mais ou menos como se os governantes daqueles dois países recomendassem ao Brasil parar de plantar soja e dedicar-se à cultura do arroz ou das tâmaras”, comentou Chagas aqui no blog, acrescentando:

“Quanto ao fundamental daquela viagem presidencial, parece que houve sucesso. Tanto Arábia Saudita quanto China interessaram-se em participar da exploração do petróleo encontrado por nós na camada do pré-sal. Trata-se de um apoio fundamental, tendo em vista que carecemos de recursos para enfrentarmos sozinhos o desafio, que até agora não deslanchou”.

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PLANO ALTERNATIVO SALVARÁ EUA

Nada está perdido. Parlamentares republicanos na Câmara dos Representantes (deputados) pretendem colocar em votação esta semana um plano alternativo que permita um aumento imediato de US$ 1 trilhão no teto da dívida dos Estados Unidos e uma segunda elevação no ano que vem, com o objetivo de tornar possível um novo acordo conjunto do Congresso para produzir um corte maior do déficit governamental.

Segundo a nova proposta republicana, além do corte imediato de gastos, seriam estipulados limites legais para as despesas no futuro, o que levaria a uma economia de aproximadamente US$ 1,2 trilhão nos próximos dez anos, segundo os republicanos. O plano não prevê novas receitas, ou seja, não haveria aumento de impostos, acalmando o eleitorado conservador e as elites.

Ao mesmo tempo, um novo comitê formado por 12 membros – republicanos e democratas – firmaria compromisso de encontrar outras formas de economizar US$ 1,8 trilhão. Esse comitê teria prioridade de apresentar projetos de lei antes da Câmara e do Senado e as propostas não receberiam emendas nem sofreriam atrasos no Parlamento. Se o plano passar, o presidente poderia exigir outros US$ 1,6 trilhão de aumento no teto da dívida com base na proposta do novo comitê. Ou seja, tudo certo na Matrix mundial, embora mais ou menos como dois e dois são cinco.

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