Em 2022, pode surgir a terceira via política, a ser formada por ex-petistas e antibolsonaristas

Anti Bolsonaro no Mercado Livre Brasil

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Melo
Estadão

No Brasil, os polos políticos capazes de atrair e agregar várias forças partidárias foram redefinidos em 2018. A “clássica” polarização PT/PSDB — que no país e na cidade de São Paulo, em particular, deu o tom da disputa por tanto tempo – tende a desaparecer nas eleições deste ano. Ao que tudo indica, um ciclo se encerrou dando origem a outro — que, talvez, também já esteja passando por novo processo de transmutação. A vida e a política seguem, como numa noite veloz.

Na eleição presidencial, a crise econômica e a Lava Jato fizeram com que o antipetismo – que nasceu junto com o partido — se expandisse. Com maior afinco e desespero, buscou força capaz de derrotar a até então forte legenda de Lula. O PSDB deixava, porém, de ser a aposta: exposto aos próprios escândalos e diluído no Centrão, os tucanos sucumbiram como alternativa. O vazio, contudo, abriu espaço para a aventura.

BOLSONARISMO – Favorecido por esse quadro, o bolsonarismo tomou corpo. (Era também beneficiado pela onda mundial de ressentimento e rancor contra a política e a democracia, originada nos indivíduos abandonados pela revolução tecnológica – os esquecidos, somente agora percebidos por Paulo Guedes.  Como em vários cantos do planeta, aqui também o populismo se aproveitou das circunstâncias e se estabeleceu.

Nesses dois anos, o bolsonarismo vem se consolidando para parte da população, mas também se desgastando com outra. Com efeito, a demagogia populista radicaliza e fideliza seu público, mas não consegue dar resposta efetiva a problemas concretos. Por sua vez, o PT vem perdendo o viço, embora Lula mantenha forte lembrança no eleitorado.

NOVA POLARIZAÇÃO –  São duas forças ainda importantes, mas a excitação constante que exigem tende à fadiga, revelando limites claros, impossíveis de se expandirem para além de suas tropas. Assim, improdutiva e cansativa, essa polarização pode, nesse período, ter-se desdobrado em duas outras forças: o antipetismo e o antibolsonarismo.

O petismo e bolsonarismo se combatem, se anulam e não somam. Já “os antis” criam intersecções, delineando espaço para “candidatos nem-nem” — que nem Bolsonaro, nem Lula. Havendo visão de futuro, programa e energia, um campo distinto do Centrão e não entendido como um centro anódino pode se apresentar como alternativa a polarização bolso-petista.

ATRÁS DO VOTO ÚTIL – Estaria inaugurada uma antipolaridade agregadora de não petistas e não bolsonaristas? Pode ser. Sendo capaz romper a fortaleza de um dos polos, chegaria ao segundo turno contra o outro, tendendo a atrair o “voto útil” de quem ficou de fora.

Mais uma vez: demandará propostas e posicionamento. Ser “Centro”, por si só, não define ninguém. Mas a lógica e as vantagens do “centro político”, assim como a racionalidade do antigo eleitor mediano, estariam assim reconstituídas. A história dirá.

19 thoughts on “Em 2022, pode surgir a terceira via política, a ser formada por ex-petistas e antibolsonaristas

  1. A Imprensa no Brasil estará presente para contar as noticias e a verdade -.No Brasil o SJPERJ com sede em Niteroi – Rio, o SJPERJ. tem.tudo para ser o mais novo. Representante da Classe, o Sindicato.dos Jornalistas do Brasil ( Nacional ) – com o apoio da Fenaj, Fij – o Brasil e o Mundo mudou ( Brasil 2020 ).

  2. É impressionante como ainda existe gente que sonha com a volta da esquerda ao Poder, ela não volta mais pela via do voto, pode voltar pela via do STF, aí sim. Esta coisa de unir “desiludidos” é sonho de pestista arrependido, de “antifa”, o boçal a cada dia que passa fica mais firme e forte, só perde para ele mesmo. Mas pode perder sim se a economia não decolar e o desemprego disparar, aí um candidato de centro, sem o rabo preso com a esquerda ou o radicalismo de direita aparecer, mas só assim para o boçal não se reeleger.

  3. O Melo só errou quanto ao segundo turno, até porque, no caso, não haverá segundo turno. E POR FALAR EM REVOLUÇÃO, no Brasil, a Terceira Via de Verdade é possível sim, aliás, trata-se de uma super avenida, a mais ampla possível, que, a meu ver, perfaz o melhor caminho possível, capaz de conduzir o país e o conjunto da população ao futuro mais alvissareiro possível, totalmente aberto a inovações benéficas, que não e de hoje que está sendo esculpida e pavimentada, a qual todavia não compactua com a má-fé, nem com o oportunismo de ocasião, nem com a falta de escrúpulos e nem com a passagem do carro adiante dos bois e muito menos com a puxação das suas brasas para as sardinhas dos interesses e interesseiro$ laterais, sendo este, aliás, o contexto histórico que se encontra colocado diante dos interesses políticos da esquerda tchutchuca, da direita aloprada e da direita-centro-esquerda menta aberta que pode ser a pedra de toque do desfecho político histórico. A esquerda brasuca tradicional, “data venia”, ao que parece, está se fazendo de muito tchutchuca, face à Revolução redentora da política, do país e da população, tudo aquilo que ela sempre quis ser desde criancinha mas nunca conseguiu sequer imaginá-la, nem sonhá-la de forma tão grandiosa e completa, com começo, meio e fim, que, agora, na fase madura, está flertando com ela há mais de 20 anos, à moda Richard Gere cobiçando Sharon Stone como se ela ainda fosse uma super gatona esplendorosa, em plena forma, toda sedução, não obstante já no inverno existencial, a qual ao perceber o flerte com o qual sempre sonhou se faz de sonsa, superestima-se, faz-se de indiferente, ignora, esnoba, desmerece, fingindo não saber que trata-se do último trem do lamaçal fora do qual não há mais salvação., mas ante o qual comporta-se como os pobres bichos sem noção do pantanal em chamas que ao invés de fugirem do fogo, jogam-se ao encontro das chamas, posto que irracionais, sem chance de sequer jogarem o xale à salvação. Daí, o que vai acontecer é que, cansada de tanto esperar, ela, a Revolução, vai acabar tirando a centro-direita para dançar o bailão existencial, e a esquerda, por conseguinte, já ferida de morte há algum muito tempo, vai acabar morrendo na praia, depois de muito surfar nas ondas da sua própria bolha e soberba.

  4. Concordo, sim, com o articulista.
    Acho que existem chances palpáveis de uma terceira força, e como ele mesmo designou, nem-nem, nem Lula e nem Bolsonaro.

    Mas, ela não logrará êxito nessas próximas eleições.
    A direita não vai querer largar o osso, assim como a esquerda tratará de retomá-lo na marra.

    Os equilibrados, digamos assim, serão fracos em número para se impor perante duas tendências definidas politicamente, mesmo com tantos males praticados contra o povo.
    É aquela força do hábito, que nos caracteriza:
    o povo sofre, gosta de sofrer, e adora colocar-se na posição de vítima.
    Quando não justifica para si mesmo a sua passividade e covardia, alegando que “Deus quis assim”.

    Uma nova força política será compreendida como outra tendência para roubar, explorar e manipular o cidadão, conceito não muito distante da realidade em se tratando de política nacional.

    Agora, seria de bom alvitre, que fosse se criando um movimento com várias tendências, desde que tenha o povo como objetivo inegociável, que valorize o cidadão, que se preocupe com as condições econômicas atuais e atue neste sentido.

  5. Sempre desprezada pelos intelectuais, a classe média tem tido um ativismo político extraordinário. Sob a bandeira anticorrupção (variável explicativa que não frequenta as academias) já colocou milhões de pessoas na rua e impichou aquela coisa chamada Dilma.

    Escrevam aí: esse vai ser, também o fim desta outra coisa que, além de ser comandado pela sua famiglia, (des)governa o país. É só passar a pandemia que o pândego de plantão será catapultado de sua cadeira, com ou sem sua caneta bic.

    • Delcio Lima
      Correto. É do pessoal anti-petista e quem apostou em Bolsonaro e foi traído. Como o presidente descumpriu com os compromissos assumidos, vem perdendo um contingente de votos. Neste grupo estão aqueles que querem mudanças de verdade!
      Abraço
      Fallavena

  6. A esquerda não se junta com ninguém – e ninguém quer se juntar com eles!
    Bolsonaro, a bola da vez, irá com sua seita!
    E a terceira via? Desistentes da esquerda são poucos. Desistentes de Bolsonaro são muitos!
    Bolsonaro terá de “sustentar” o nordeste, ex-petista.
    Pensem comigo:
    * Os petistas estão murchando: muitos, pelo bolsa, passando ao bolsonarismo;
    * Bolsonaro, com certeza, perderá parte importante que se sentem traídos. Irão com a 3ª via;
    * A direita de verdade, terá candidatos: receberão os votos que são contra esquerdistas e Bolsonaro.
    Para vencer, com alguma folga, Bolsonaro terá de competir com o PT, no segundo turno! Se3 for com outro, correrá boa chance de não vencer!
    A 3ª via já está sendo organizada! Bolsonaro não terá mais discurso.
    Fallavena

  7. A terceira via é a ajuntamento dos tucanalhas com os petralhas, a velha corruptocracia que desgraçou o país nas últimas décadas e estava nos transformando numa neocolônia cubana.

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