Em Brasília, além de investigar o governador acusado de corrupção, a Polícia Federal precisa investigar também o vice, que opera desde os tempos de Roriz.

Carlos Newton

O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, além de estar com graves problemas com a Justiça Federal do Rio de Janeiro (MPF-RJ), por superfaturar o aluguel da Vila do Pan, no Rio, quando era Ministro do Esporte, e com a Justiça de Brasília, pelo caso da cessão de áreas públicas para construção de hoteis, enfrenta agora uma crise em seu próprio governo, com o pedido de demissão de Luiz Pitiman, o secretário de Obras.

Pitiman tem a imagem associada ao ex-governador José Roberto Arruda, de cujo governo participou como presidente da Novacap, entre 2008 e 2010. Seu padrinho atual é o vice-governador Tadeu Filippelli, presidente regional do PMDB, que espera indicar o novo secretário de Obras. Filippelli, por sua vez, sempre foi conhecido como um dos principais  integrantes do Secretariado do ex-governador Joaquim Roriz, cuidando justamente da questão das terras da capital, vejam só a que ponto chegou a política em Brasília.  

O vice-governador foi solidário ao correligionário e não concordou com a fritura política imposta a Pitiman. Ele esperava que qualquer reclamação relativa ao trabalho da Secretaria de Obras fosse feita diretamente ao comando do PMDB, assim como a troca no comando da pasta.

Em entrevista concedida há duas semanas, Filippelli declarou que estava solidário a Pitiman e, se houve erros de integrantes do PMDB, falhas também foram praticadas por representantes de outras legendas, inclusive do PT. E dizia falar como presidente de partido, preocupado em preservar um liderado.

O governador Agnelo Queiroz prometeu, na última semana de junho, que mexeria na pasta, mas queria tomar providências de forma a não provocar atritos com o secretário, a quem precisa manter como um aliado na Câmara dos Deputados. Pitiman tem mandato de deputado federal e assumirá o posto com a saída do governo. O estilo dele desagradou petistas de diversas correntes, porque inaugurou obras sem o aval do PT e se colocou abertamente como um futuro candidato a governador.

A crise irrompe justamente quando o governo precisa aprovar o Plano Plurianual, com as diretrizes estratégicas para os próximos quatro anos (2012-2015), a revisão do Plano Diretor de Ordenamento Territorial e o primeiro orçamento elaborado pela equipe de Agnelo Queiroz.

A revisão do Plano Diretor de Ordenamento Territorial foi anunciada pouco depois do início da nova gestão. Mas acontece que o Tribunal de Justiça do DF considerou inconstitucionais 60 dispositivos do projeto aprovado em 2007, e a Secretaria de Desenvolvimento Urbano teve de reabrir as discussões sobre esse assunto para substituir artigos que haviam sido derrubados pelo Judiciário local.

 E Agnelo Queiroz ainda tem muito a explicar nas Justiças do Rio e da capital.

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