Em busca de popularidade, Câmara planeja mudanças para dar mais divulgação às suas ações

Câmara vai reestruturar toda a sua grade de televisão e rádio

Paulo Cappelli
O Globo

Parlamentares de diferentes partidos avaliam que a Câmara dos Deputados não divulga suas ações da forma como deveria e que, por isso, foi o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) quem faturou politicamente com o pagamento do auxílio emergencial de R$ 600, apesar de, originalmente, o governo ter defendido um valor mais baixo.

Para tentar melhorar a comunicação, a Câmara vai reestruturar toda a sua grade de televisão e rádio a partir do ano que vem. “O governo queria dar R$ 200 de auxílio emergencial. Foi a Câmara que batalhou muito para que o valor fosse aumentado. Mas, depois que o dinheiro caiu no bolso das pessoas, foi a popularidade do Bolsonaro que cresceu, ao passo que a do Congresso diminuiu. Acho que a Câmara não se comunica com clareza. Insisti para que o (presidente da Casa) Rodrigo Maia (DEM) fizesse um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV sobre a conquista do auxílio emergencial, mas ele não quis”, disse a líder do PCdoB, Perpétua Almeida (AC).

LICITAÇÕES – Em junho, Maia passou a estrutura da comunicação da Casa para a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), com formação em Jornalismo. Ela afirma que prepara licitações para alterar toda a grade da TV Câmara e da Rádio Câmara, à exceção das transmissões das sessões plenárias ao vivo.

“Todo mundo quer ser pai de filho bonito. O auxílio emergencial era um filho bonito, e o governo chamou de seu. A Câmara não alardeou que o filho era nosso. Então acabou ficando um filho de só um cônjuge. Tem um ditado que diz: “Galinha boa cacareja quando bota ovo”. O governo cacarejou em cima do ovo do outro “, disse a deputada.

COMENTARISTAS NA TV – Segundo Joice, a partir de 2021 a TV Câmara dará mais espaço para comentaristas analisarem e explicarem projetos discutidos pela Casa. Assim como Perpétua, ela avalia que Maia errou ao não usar a cadeia de rádio e TV para divulgar o auxílio emergencial, argumentando que o deputado opta pela discrição. Procurado, Maia não comentou.

À frente da Secretaria Digital da Câmara, responsável pela divulgação nas redes sociais, Orlando Silva (PCdoB-SP) reconhece que a capacidade de comunicação da Câmara é “bem pequena”, mas diz que o número de seguidores tem aumentado nas redes sociais.

ESTRUTURA – “A Casa não tem uma estrutura profissional de comunicação como o governo federal tem, com agência de publicidade e verba para propaganda. Bolsonaro tem uma estratégia de microtarget (propaganda específica direcionada para cada segmento), uma engenharia que utiliza desde a campanha eleitoral, e conta com militância política. A Câmara não tem militância para ajudar a divulgar. O Rodrigo Maia tomou a decisão de ter um orçamento austero, até por conta da dificuldade provocada pela pandemia, o que faz sentido, mas isso também limita o poder de comunicação da Casa”, afirma o parlamentar do PCdoB.

Segundo Orlando Silva, a disputa pela paternidade do auxílio emergencial era uma batalha difícil de ser vencida pela Câmara. “Por mais que o parlamento tenha lutado por um valor maior para a população, enquanto o Planalto resistia, a execução do pagamento se dá por meio do governo federal, que é quem efetivamente efetua os depósitos nas contas das pessoas”, avaliou Orlando Silva.

10 thoughts on “Em busca de popularidade, Câmara planeja mudanças para dar mais divulgação às suas ações

    • No mesmo site, alguém comenta: “Tenho visto que quando um caminhão tomba em qualquer parte do Brasil,a população saqueia a carga sem vergonha na cara. Diante disso eu me pergunto: Como podemos reclamar da roubalheira dos nossos políticos se o povo é tão ladrão quanto”.

      O Executivo, o Legislativo e o Judiciário são amostras do povo.

  1. A Comunicaçao faz parte para o lado positivo da Camara Federal – temos no Brasil entidades da classe Fenai, Abi e OJB sempre em defesa da Comunicação e de todos os Jornalistas do Brasil.

  2. Só justifico os saques porque o povo sente fome, MUITA FOME!!

    Já os políticos sentem muita sede e muita fome, DE ROUBAR!!

    São muito piores que o esfomeado povo!!

    Vamos nos esborrachar com força!!

    Atenciosamente.

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