Em defesa do juiz espanhol Baltasar Garzón

Carlos Alberto Lungarzo

A professora Margarida Genevois, ex-presidente da Comissão de Justiça e Paz de São Paulo, figura de extraordinário relevo na defesa dos direitos humanos no continente, autora de numerosas ações de proteção a perseguidos, tanto durante a ditadura, como nos anos posteriores, várias vezes reconhecida por sua extrema defesa de dignidade humana, vinha solicitando colaboração para a luta do juiz espanhol Baltasar Garzón, que acaba de ser absolvido no Supremo da Espanha, pondo fim à perseguição política que vinha sofrendo.

Pedia que fosse lidas as informações existentes na internet sobre Baltasar Garzón, e caso estivessem de acordo, assinassem uma petição em favor de Garzón, que estava sendo condenado na Espanha por seu esforço para julgar os criminosos ainda vivos ou relacionados com os crimes do franquismo (1936-1975). O Franquismo, embora seja menos conhecido e espetacular que o nazismo, talvez tenha sido o mais brutal e sádico de todos os movimentos repressivos da Idade Moderna.

Apesar da indignação mundial após a derrota do fascismo em 1945, os aliados se recusaram a invadir a Espanha, como fizeram com a Itália e a Alemanha, pois o fascismo espanhol serviria para perseguir o marxismo em toda Europa.

Garzón estava sendo perseguido por pretender que um dos três maiores genocídios do século 20 seja punido, ou, pelo menos, qualificado como crime contra a humanidade. As instituições espanholas, dominadas pelos Opus Dei, com um fascismo ainda vivo, dirigidas por sádicos supersticiosos e inquisitoriais, querem punir não os culpados, mas a quem, como Garzón, defende os que foram vítimas.

Garzón foi também o primeiro magistrado europeu que tratou os crimes de lesa humanidade como crimes de jurisdição planetária, não hesitando em processar qualquer criminoso contra os direitos humanos, de qualquer nacionalidade.

Foi o único que tentou e quase conseguiu capturar o insano multigenocida Augusto Pinochet, que só escapou graças a infame cumplicidade da direita britânica. E foi um dos poucos que teve sucesso numa tarefa que muitos juízes europeus tentaram sem sucesso: capturar criminosos de lesa humanidade da ditadura argentina.

Garzón conseguiu condenar ao torturador e genocida Adolfo Scilingo, oficial da Marinha Argentina, culpável de 30 assassinatos, 93 lições graves, 255 atos de terrorismo and 286 aplicações de tortura.

O esforço de Garzón contra o franquismo deve ser especialmente apreciado no Brasil, pois vários dois mais infames elementos de nossa política são membros do movimento criado pelo ditador Franco. O Franquismo, que se originou inicialmente no Falangismo (literalmente, a versão espanhol do fascismo) adoptou, nos anos 40, uma nova ideologia, a do Opus Dei, uma das mais aberrantes, desumanas e patológicas doutrinas místico-políticas, que assolou a Humanidade, e que ainda hoje gera movimentos de terrorismo de estado e extermínio em muitos países, incluído o Brasil, onde há governadores e altos dignitários que pertencem a suas infames fileiras.

A absolvição de Garzón é uma grande vitória da democracia

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