Em depoimento à PF, Carluxo assume que administra redes de Bolsonaro, mas se acovarda e nega usar robôs

Charge do Duke (domtotal.com)

Marcelo Rocha
Folha

Em depoimento à Polícia Federal no inquérito que investiga atos antidemocráticos, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) disse que não é “covarde ou canalha a ponto de utilizar robôs e omitir essa informação”. A Folha teve acesso ao depoimento, prestado no dia 10.

Conhecido como filho 02, o vereador admitiu ainda relação com contas pessoais do pai, o presidente Jair Bolsonaro, nas redes sociais. Questionado pela PF, ele disse que não participa da política de comunicação do governo federal e que “tem relação apenas com divulgação dos trabalhos desenvolvidos pelo governo federal nas contas pessoais do declarante e do seu pai”. Carlos prestou depoimento na Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) também será ouvido pelos investigadores. A oitiva está prevista para a terça-feira, dia 22. O interrogatório foi realizado pela delegada Denisse Dias Rosas Ribeiro, encarregada de conduzir as investigações do inquérito que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal), a pedido da PGR (Procuradoria Geral da República).

ROBÔS – No início da oitiva, Carlos foi informado do seu direito de permanecer calado e de não responder a perguntas ou de responder a algumas e se calar em outras. O vereador não se furtou a responder aos questionamentos. O vereador foi questionado sobre a utilização de robôs para impulsionamento de informações em redes sociais envolvendo memes ou trabalhos desenvolvidos pelo governo federal. Ele então respondeu “jamais fui covarde ou canalha a ponto de utilizar robôs e omitir essa informação”.

O inquérito em questão foi aberto em 21 de abril pelo ministro Alexandre de Moraes, a pedido da PGR, e mira integrantes da militância bolsonarista que participaram de manifestações com pautas favoráveis ao AI-5 e ao fechamento do Congresso e do STF.

Moraes já determinou mandados de busca e apreensão, quebra do sigilo bancário e outras diligências contra dez deputados federais, um senador e diversos outros apoiadores do chefe do Executivo.O filho 02 disse à PF foi questionado sobre sua eventual ligação com assessores da Presidência da República apontados como integrantes do chamado “gabinete do ódio”.

“DIVULGAÇÃO”  – Ele disse que mantém contato com José Matheus Salles Gomes , um desses assessores, “em razão de solicitações realizadas pelo declarante [Carlos] no tocante a fornecimento de informações relacionadas aos trabalhos desenvolvidos pelo governo federal”. E que usa as informações para “divulgação nas suas redes sociais, uma vez que as redes sociais do declarante tem alcance maior do que de muitos órgãos do governo federal”.

Ele disse que conheceu José Matheus por volta de 2010 ao saber de uma página mantida por ele no Facebook denominada “Bolsonaro Zueiro”, na qual eram divulgados memes relacionados ao seu pai, que despertavam interesse dos usuários Além de José Matheus, a polícia o questionou sobre o Tércio Tomaz Arnaud, outro assessor da Presidência suspeito de participar do chamado “gabinete do ódio”.

Ele respondeu que foi apresentado a Tércio pelo próprio pai em 2017, em razão do conhecimento do assessor da Presidência em redes sociais. Sobre um terceiro assessor da Presidência apontado como integrante do “gabinete do ódio”, Carlos disse que tem ciência de Mateus Matos Diniz em relação com a assessoria da Presidência e que o conheceu por intermédio de José Matheus durante uma viagem pessoal.

NEGATIVAS – Carlos negou qualquer relação com a criação ou divulgação de conteúdo caráter antidemocrático. Disse que não conhece Sara Giromini, conhecida como Sara Winter e apontada como líder do grupo de extrema-direita 300 do Brasil.

Disse ainda desconhecer o jornalista Oswaldo Eustáquio, apoiador do presidente Jair Bolsonaro e que preso por ordem do ministro Alexandre de Moraes no inquérito dos atos democráticos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Do início ao fim, Carluxo provou ser exatamente aquilo que negou, um covarde. Ficaria mais digno ter permanecido em silêncio. A exemplo do pais e dos irmãos, mente sem pudor, monta seu teatro diante das acusações e manipula as informações para ver até onde a corda estica. O cidadão-eleitor conseguiu de uma só vez, eleger um dito presidente acompanhado pelo pior pacote combo possível, atrelado a um plano de fidelidade de pelo menos quatro anos. Ninguém merece. (Marcelo Copelli)

7 thoughts on “Em depoimento à PF, Carluxo assume que administra redes de Bolsonaro, mas se acovarda e nega usar robôs

  1. A reportagem, obviamente, não é favorável a Carlos. Mas dá a entender (ou é diferente?) que Carlos Bolsonaro respondeu a tudo. E não mandou ninguém perguntar a defuntos ou coisa do gênero. Tudo indica que o nível de depoimentos subiu.

    • Alô Senado! 15 dias sem pautar para votação o PL 1.485/2020, relativo ao dobro das penas para crimes de corrupção conexos à pandemia, já aprovado na Câmara.

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