Em entrevista, Temer errou várias vezes ao tentar explicar reunião com Joesley

BRASILIA, DF, BRASIL, 21-05-2017, 16h00: O presidente Michel Temer durante entrevista exclusiva à Folha na biblioteca do Palácio da Alvorada. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) ***EXCLUSIVO***

Temer não sabia que Joesley era investigado?

Deu na Folha

A Agência Lupa checou a veracidade de vários trechos da entrevista do presidente Michel Temer à Folha, publicada na segunda-feira (dia 22). Uma das informações inverídicas foi a seguinte: “Quando [Joesley Batista] tentou muitas vezes falar comigo, achei que fosse por questão da [Operação] Carne Fraca”. Na verdade, a Operação Carne Fraca, realizada pela Polícia Federal para investigar um suposto esquema de corrupção na fiscalização de carnes pelo país, foi deflagrada em 17 de março deste ano, dez dias depois da reunião que o presidente Michel Temer teve com o empresário da JBS. Em nota, o Palácio do Planalto reconhece que o presidente “se enganou”. Há muitas outras informações equivocadas ou contraditórias de Temer.*

“Ele falou que tinha [comprado] dois juízes e um procurador (…) E logo depois ele diz que estava mentindo”
Quando entregou a gravação de sua conversa com o presidente Michel Temer à Procuradoria-Geral da República, o empresário Joesley Batista de fato disse que essa afirmação havia sido uma bravata. No último sábado (20), no pronunciamento que fez à nação, Temer ressaltou esse recuo do empresário. Mas, já no dia 27 de abril, Joesley havia feito um complemento em seu primeiro depoimento à PGR e contou como tinha feito para pagar R$ 50 mil por mês ao procurador Ângelo Vilella, preso na última quinta-feira (18), para receber informações sobre a Operação Greenfield, que investiga a Eldorado Celulose, outra empresa da holding J&F, que controla a JBS. “Hoje, eu tenho um conjunto de evidências de que não era bravata”, afirmou o empresário.

“Daí ele [Joesley] me disse que tinha contato com [o ex-ministro] Geddel. Falou do Rodrigo [Rocha Loures], e eu falei: ‘Fale com o Rodrigo quando quiser, para não falar toda hora comigo”
Na gravação feita por Joesley Batista, quem menciona o nome do deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) é Temer –não o dono da JBS. Além disso, é o empresário que pede instruções ao presidente sobre como não incomodá-lo – e não o contrário. Joesley pergunta: “Eu queria falar sobre isso, falar como é que é pra mim falar contigo, qual a melhor maneira. Porque eu vinha falando através do Geddel. Eu não quero lhe incomodar” E, logo em seguida, Temer indica Rodrigo: “É da minha mais estrita confiança”. A informação também consta da petição da Procuradoria Geral da República, enviada ao STF.*

“Não tenho uma relação, a não ser uma relação institucional [com o deputado federal Rodrigo Rocha Loures]”
Nos últimos dois anos, Rocha Loures (PMDB-PR) foi assessor direto de Temer em duas ocasiões. Entre 23 de janeiro e 29 de abril de 2015, foi chefe da assessoria parlamentar da Vice-Presidência da República, então ocupada por Temer. Em setembro do ano passado, depois do impeachment de Dilma Rousseff, foi nomeado assessor especial do gabinete pessoal da Presidência. Ainda vale destacar que, na gravação que Joesley Batista entregou à PGR, o presidente afirma que Rocha Loures é da sua “mais estrita confiança”; e que, em 2014, Temer gravou um depoimento para a campanha do deputado, elogiando a ajuda que prestou a seu gabinete e dizendo que Rocha Loures era uma das “belíssimas figuras da vida pública brasileira”.

“Eu nem sabia que ele [Joesley] estava sendo investigado”
Em julho de 2016, o empresário Joesley Batista foi um dos alvos da operação Sépsis, da Polícia Federal – um desdobramento da Lava Jato. Em setembro, a PF deflagrou a operação Greenfield, e a Justiça bloqueou os bens do empresário. Em 31 de março, Joesley foi afastado das atividades empresariais do grupo depois de a Justiça acatar pedido do Ministério Público do Distrito Federal nesse sentido. No mesmo mês, a operação Carne Fraca investigou vários frigoríficos no país. Na lista da PF, apareceram 50 empresas, entre elas duas subsidiárias da JBS: a Seara e a Big Frango. Temer comentou publicamente a operação Carne Fraca. Disse, entre outros pontos, que não era para “causar um terror que está-se imaginando”. Um dia depois, minimizou o número de frigoríficos investigados.*

“Não é ilegal [deixar de registrar um compromisso na agenda]”
 A lei 12.813/13 determina que o presidente da República é obrigado a “divulgar, diariamente, por meio da rede mundial de computadores-internet, sua agenda de compromissos públicos”. A Controladoria Geral da União (CGU) informa, por meio de nota, que compete à Comissão de Ética Pública, instituída no âmbito do Poder Executivo federal, fiscalizar a divulgação da agenda de compromissos públicos do presidente e de outros cargos públicos do país.

“O PSB eu não perdi agora, foi antes, em razão da Previdência”
Em abril, o PSB foi contra as reformas trabalhistas e previdenciárias propostas pelo governo Temer. A Comissão Executiva chegou a aprovar um posicionamento oficial contrário a elas. Mas a saída do PSB só ocorreu mesmo no último sábado (20), quando a direção do partido anunciou que passaria à oposição.

“Meirelles [ministro da Fazenda] me contou que, se não tivesse acontecido aquele episódio na quarta [dia da divulgação do caso], ele teria um encontro com 200 empresários”
A agenda pública do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para a última quarta, quinta e sexta-feira (dias 17, 18 e 19 de maio) não previa reuniões com empresários.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGDiante dessas contradições, seria o caso de se pedir que o perito Ricardo Molina explique essas  “adulterações” que Temer tenta fazer na conversa que manteve na calada da noite e no subsolo do Jaburu com um empresário que não estava sendo investigado, era até recatado e do lar. (C.N.)

 

9 thoughts on “Em entrevista, Temer errou várias vezes ao tentar explicar reunião com Joesley

  1. A SAÍDA EMERGENCIAL IDEAL, É O NOVO DE VERDADE QUE PRECISA ENTRAR, que é a Democracia Direta Já, com meritocracia eleitoral, no lugar do velho que já morreu que é a plutocracia putrefata que aí está, há 127 anos, com jeitão de cleptocracia e ares fétidos de bandidocracia, travessia essa que pode ser feita já, via RENDIÇÃO do $istema político podre, via congresso nacional, em prol do Projeto Novo e Alternativo de Política e de Nação, a ser inserido na Constituição, como propõe a RPL-PNBC-DD-ME, o novo caminho para o novo Brasil de verdade, porque evoluir é preciso. TODAVIA, caso não aconteça já a Rendição do velho $istema que já morreu e que precisa sair em prol do novo Sistema que precisa entrar, as eleições diretas às quais o velho $istema ora se apega, desesperadamente, como tábua de salvação dos me$mo$, aproveitando-se da confusão do cenário político, são de fato a saída menos ruim para o impasse político instalado no país desde Junho de 2013, com o povo gritando espontaneamente nas ruas do Brasil ” sem partido$, sem partido$, voce$ não nos representam”. Mas é honesto que se diga à população que, no caso, eleição direta, ou indireta, ou golpe, será mais uma saída que representa apenas o velho mais dos me$mo$, mais continuísmo da mesmice raso e seco que, obviamente, repetirá 2014, porque é óbvio e ululante que elle$ não abrirão espaço para o novo de verdade que precisa entrar e que é o Projeto Novo e Alternativo de Política e de Nação que satisfaz a vontade das ruas e da população. E em assim sendo, como de fato é, é honesto que se diga tb que as eleições diretas, cujo Temer é o resultado da mais recente, ou indireta, ou golpe, resolvem em parte, por ora, o dilema de continuidade do $istema político podre, tal seja do partidarismo-eleitoral, do golpismo-ditatorial, e seus tentáculos, velhaco$, que assim ganham mais sobrevida e conseguem continuar empurrando com a barriga a bomba relógio gigantesca, não obstante sentados no banco dos réus da Lava Jato com os seus integrantes majoritários já em condições de xilindró, valendo lembrar que eleições diretas sob a égide do me$mo e velho $istema político podre não é panaceia pra coisa nenhuma, não resolve o conflito entre o velho que já morreu, que é o $istema político podre ( que com eleições diretas, ou indireta, ou golpe, vence apenas mais uma das suas muitas curvas fechadas, da sua longa estrada sinuosa de 127 anos de muita safadeza, ganha mais sobrevida e mantém ainda que agonizante a velha guerra tribal, primitiva, permanente e insana dos me$mo$, e assim segue o embate dos me$mo$ entre o ruim e o pior, agora em dose tripla, à velha moda direta, indireta, ou golpe), para manter tudo como dantes no velho quartel de Abrante$, com o velho que já morreu dando as cartas e jogando de mão. O difícil a esta altura do campeonato da Lava Jato será combinar tudo isso com a população apartidária, consciente, que pensa com os próprios neurônios, que, no caso, será obrigada a votar outra vez no mais dos me$mo$, no velho que já morreu e que precisa sair, que é a plutocracia putrefata dos me$mo$ que aí estão (via eleições diretas, indiretas, ou golpes), e que não se confunde com o novo de verdade que as Ruas do Brasil querem, inequivocamente, desde Junho de 2013, e que precisa entrar, que é a Democracia Direta Já, posto que são coisas distintas, água e óleo, não obstante a forçação de barra apelativa da velhacaria do $istema político podre no sentido de tentar confundi-las para mais uma vez ludibriar a população e assim continuar dando as cartas e jogando de mão. Até quando ? Eis a questão. O fato é que a república 171 faliu, pelo fato de ser obrigada a gastar vela$ boas com defunto$ muito ruins, ao ponto de a população contribuinte não aguentar mais pagar a conta que tornou-se insuportável, salgada à beça. http://www.brasil247.com/pt/247/poder/297133/TSE-vai-discutir-diretas-na-cassa%C3%A7%C3%A3o-de-Temer.htm

  2. Prestem atenção. O momento é crítico.
    A declaração de Delano é fundamental.
    As metralhadoras estão voltadas para Janot e a Lava Jato em geral.
    Agora vejo sintonia entre a PGR, o MPF e Moro!
    A situação chegou no limite e os capos vieram com tudo para imobilizar a luta contra a corrupção. Só há uma saída e tenho dito isso com frequência : abrir a caixa preta das investigações que envolvem ministros do STF.
    Vejam que o STF cuidadosamente intimida as investigações.
    Força Lava Jato!

  3. Constato que a nossa democracia funciona por direito hereditário. Talvez uma monarquia tenha menos sucesso em garantir os privilégios corporativos.

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