Em evento pró-cloroquina, Bolsonaro diz que jornalista ‘bundão’ tem mais chance de morrer de coronavírus

Atrás de uma tela de proteção de uma janela, Bolsonaro fala com as duas mãos perto da boca

Sem qualquer motivo, Bolsonaro volta a fazer ofensas

Natália Cancian e Ricardo Della Coletta
Folha

Com mais de 114 mil mortes provocadas pelo novo coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) liderou, nesta segunda-feira (24), um evento no Palácio do Planalto para defender que o Brasil está “vencendo a Covid-19” e para fazer apologia ao tratamento com a hidroxicloroquina — medicamento que não têm tido eficácia comprovada para a doença em estudos recentes e com risco de efeitos colaterais.

No ato, ele voltou a criticar a imprensa e disse que jornalistas, se infectados pelo coronavírus, têm mais chance de morrer por ser “bundão”. O ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, não participou da agenda por estar em compromisso no Ceará.

CASO DA GRIPEZINHA – Referindo-se à repercussão negativa de quando disse em março que, por seu “histórico de atleta”, sentiria apenas uma “gripezinha” se infectado pela Covid, Bolsonaro se referiu a jornalistas com a expressão “bundão”.

“O pessoal da imprensa vai para o deboche [na frase do histórico de atleta]. Mas quando [a Covid] pega num bundão de vocês a chance de sobreviver é menor”, afirmou. “[Jornalista] só sabe fazer maldade, usar caneta com maldade em grande parte. Tem exceções, como aqui o Alexandre Garcia. A chance de sobreviver é bem menor do que a minha”, disse, sinalizando o ex-apresentador da TV Globo e hoje defensor do bolsonarismo nas redes e que participou da agenda.

É a segunda vez em 24 horas que Bolsonaro se refere de forma desrespeitosa a jornalistas. No domingo (23), ao ser questionado sobre depósitos de R$ 89 mil feitos pelo ex-assessor Fabrício Queiroz na conta da primeira-dama, Bolsonaro disse que tinha vontade de encher a cara do repórter com uma porrada.

CRÍTICAS A MANDETTA – O presidente também utilizou seu discurso para criticar seu ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), demitido por discordar do mandatário na condução da resposta do governo diante da pandemia.

Diferenças de opiniões sobre o uso da cloroquina foram uma das motivações da demissão. “Se a hidroxicloroquina não tivesse sido politizada, muito mais vidas poderiam ter sido salvas”, afirmou o presidente, em frase sem embasamento científico. A cerimônia, realizada no principal salão de eventos do Palácio do Planalto, reuniu médicos entusiastas da cloroquina.

Entre os que participaram do evento, estão profissionais que ficaram conhecidos por divulgarem vídeos em defesa da cloroquina — alguns com afirmações refutadas por sociedades de especialistas ou em checagens de projetos como o Comprova.

MÉDICA APOIA – “Com o tratamento precoce, a nossa linda hidroxicloroquina, consegue sim reduzir os danos da Covid-19. Povo brasileiro, não tenha medo dessa medicação”, disse a médica Raíssa Soares, uma das participantes.

Na cerimônia desta segunda, o grupo disse representar “10 mil médicos que ousam pela verdade e pela vida” e em defesa da “linda e velha cloroquina”.

Apesar de dizer que têm evidências que sustentam o uso do medicamento também para a Covid-19, o grupo não apresentou quais seriam esses estudos. “Mesmo que não as tivéssemos, em tempos de pandemia, o médico pode sim fazer uso de medicamentos off label”, disse o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Meio estranha essa conversa de “Off Label”. Eu e o Santos Aquino preferimos o Royal Label, o White Label, o Red Label e o Black Label. (C.N.).

28 thoughts on “Em evento pró-cloroquina, Bolsonaro diz que jornalista ‘bundão’ tem mais chance de morrer de coronavírus

    • CN boa tarde meu chapa.. Esse ano, o concurso Piada do Ano vai ser uma looouuucura, já dizia a Narcisa.. Rsrs. Os piadistas estão virando a esquina para serem inscritos… A propósito.. Lula da Silva disse que achava que o Cezar é Battisti era inocente.. Essa piada tem que entrar no concurso,, grandes chances de ganhar.. Abs meu chapa..

  1. Deveriam perguntar pro bostanágua por que o queiróz and his wife depositaram aquela PORRADA de cheques e caches nas contas do capetão corona and his wife, e de onde veio a bufunfa. Terá sido dos BUNDÕES dos contribuintes que pagam uma PORRADA de impostos para suntentar essa PORRADA de políticos LADRÕES, CORRUPTOS?

    Vade retro, fures!!!

  2. Então quer dizer que o Bozo canalha prova que ele não tem respeito nenhum pelos brasileiros mortos pela Covid-19?!

    Para esse genocida morreram mais de 115 mil bundões?!

  3. Acho que devíamos era vender a Amazônia de porteira fechada, com os índios incluídos, para os Gringos tomarem conta e pararem de encher o saco com esta estória de preservação.
    Zeraríamos as nossas contas e ficaríamos livres de muita coisa ruim daquelas paragens: garimpeiro, jagunço, índio político etc…etc…etc…
    Chega de tanta hipocrisia neta causa toda.
    Me dá náuseas…
    Irrrccc !!!

  4. Dá licença, vou vomitar e já volto!
    O crápula se supera a cada tolete que sai da orelha dele.

    É simplesmente inacreditável!!

    Vamos nos esborrachar com força!!

    Cordialmente.

  5. “Jair Bolsonaro, Augusto Aras, procurador-geral da República, e Wassef, o advogado do presidente, se envolveram em uma operação de bastidores em favor da JBS — que pagou 9 milhões de reais ao advogado.

    Leia um trecho da reportagem exclusiva [da Crusoe]:

    … o advogado Frederick Wassef visitou a PGR no fim do ano passado para tratar da delação da JBS, sem nenhuma procuração da empresa. Detalhe: a visita, informal, foi marcada pelo próprio procurador-geral, Augusto Aras, a pedido do presidente Jair Bolsonaro. A reunião se deu em 4 de outubro, quando o processo do polêmico acordo de colaboração estava na Procuradoria-Geral. Wassef foi conversar com José Adonis Callou de Araújo Sá, que tinha acabado de ser nomeado coordenador da equipe que toca os inquéritos e processos relacionados à Lava Jato. Pouco antes do encontro, o próprio Aras ligou para Adonis dizendo que Bolsonaro lhe havia feito um pedido para que Wassef fosse recebido para uma conversa com o responsável pelos casos da operação de combate à corrupção. A audiência foi marcada, como queriam o procurador-geral e o presidente. Horas antes do encontro, Adonis se surpreendeu com uma ligação do próprio Bolsonaro. O presidente não entrou em detalhes sobre o que seria tratado pelo advogado, mas fez questão de demonstrar seu contentamento com a disposição do procurador em atender Wassef…

    A PGR, àquela altura, defendia oficialmente a rescisão do acordo, algo que aterroriza os irmãos Batista em razão do risco de eles serem punidos nos processos a que respondem — com a possibilidade, inclusive, de voltarem para a prisão. Rodrigo Janot, responsável por fechar o acordo, e a sucessora dele, Raquel Dodge, defenderam a anulação dos benefícios aos delatores, por causa de polêmicas diversas, como a descoberta de que um dos procuradores que representaram a PGR na negociação vinha atuando também em parceria com um dos escritórios que defendiam a companhia. O mesmo entendimento foi mantido pela gestão Aras, que assumiu o comando do MPF no fim de setembro do ano passado. Em novembro, o próprio procurador-geral indicado por Bolsonaro chegou a defender a rescisão nas alegações finais do processo que corre no STF, sob a relatoria do ministro Edson Fachin. Curiosamente, depois das gestões de Wassef junto ao gabinete de Aras, a PGR passou a considerar a possibilidade de rever sua posição. Começaram, então, tratativas no sentido de repactuar o acordo com a JBS…

    Crusoé vinha apurando há meses a relação de Wassef com a JBS e sua atuação na PGR em favor da companhia. Em conversas reservadas, todas as partes vinham negando enfaticamente que houvesse a relação. A admissão só veio após a revelação, ainda na quarta-feira, de que o advogado recebeu 9 milhões de reais do frigorífico dos irmãos Batista, entre os anos de 2015 e 2020. Os registros dos pagamentos constam de um relatório do Coaf, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, enviado aos promotores do Ministério Público do Rio de Janeiro que investigam a relação de Wassef com Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro e amigo do presidente da República. Queiroz foi preso em junho em uma casa de Wassef em Atibaia, no interior de São Paulo. Segundo os promotores, o advogado ajudou a esconder Queiroz no último ano e recebeu do ex-assessor e de familiares dele o apelido de “Anjo”…

    A reportagem conta todos os detalhes da história.
    Crusoé.

    Jair Bolsonaro, Augusto Aras, procurador-geral da República, e Wassef, o advogado do presidente, se envolveram em uma operação de bastidores em favor da JBS — que pagou 9 milhões de reais ao advogado.

    Leia um trecho da reportagem exclusiva:

    … o advogado Frederick Wassef visitou a PGR no fim do ano passado para tratar da delação da JBS, sem nenhuma procuração da empresa. Detalhe: a visita, informal, foi marcada pelo próprio procurador-geral, Augusto Aras, a pedido do presidente Jair Bolsonaro. A reunião se deu em 4 de outubro, quando o processo do polêmico acordo de colaboração estava na Procuradoria-Geral. Wassef foi conversar com José Adonis Callou de Araújo Sá, que tinha acabado de ser nomeado coordenador da equipe que toca os inquéritos e processos relacionados à Lava Jato. Pouco antes do encontro, o próprio Aras ligou para Adonis dizendo que Bolsonaro lhe havia feito um pedido para que Wassef fosse recebido para uma conversa com o responsável pelos casos da operação de combate à corrupção. A audiência foi marcada, como queriam o procurador-geral e o presidente. Horas antes do encontro, Adonis se surpreendeu com uma ligação do próprio Bolsonaro. O presidente não entrou em detalhes sobre o que seria tratado pelo advogado, mas fez questão de demonstrar seu contentamento com a disposição do procurador em atender Wassef…

    A PGR, àquela altura, defendia oficialmente a rescisão do acordo, algo que aterroriza os irmãos Batista em razão do risco de eles serem punidos nos processos a que respondem — com a possibilidade, inclusive, de voltarem para a prisão. Rodrigo Janot, responsável por fechar o acordo, e a sucessora dele, Raquel Dodge, defenderam a anulação dos benefícios aos delatores, por causa de polêmicas diversas, como a descoberta de que um dos procuradores que representaram a PGR na negociação vinha atuando também em parceria com um dos escritórios que defendiam a companhia. O mesmo entendimento foi mantido pela gestão Aras, que assumiu o comando do MPF no fim de setembro do ano passado. Em novembro, o próprio procurador-geral indicado por Bolsonaro chegou a defender a rescisão nas alegações finais do processo que corre no STF, sob a relatoria do ministro Edson Fachin. Curiosamente, depois das gestões de Wassef junto ao gabinete de Aras, a PGR passou a considerar a possibilidade de rever sua posição. Começaram, então, tratativas no sentido de repactuar o acordo com a JBS…

    Crusoé vinha apurando há meses a relação de Wassef com a JBS e sua atuação na PGR em favor da companhia. Em conversas reservadas, todas as partes vinham negando enfaticamente que houvesse a relação. A admissão só veio após a revelação, ainda na quarta-feira, de que o advogado recebeu 9 milhões de reais do frigorífico dos irmãos Batista, entre os anos de 2015 e 2020. Os registros dos pagamentos constam de um relatório do Coaf, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, enviado aos promotores do Ministério Público do Rio de Janeiro que investigam a relação de Wassef com Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro e amigo do presidente da República. Queiroz foi preso em junho em uma casa de Wassef em Atibaia, no interior de São Paulo. Segundo os promotores, o advogado ajudou a esconder Queiroz no último ano e recebeu do ex-assessor e de familiares dele o apelido de “Anjo”…

    A reportagem conta todos os detalhes da história.

    E também a reação dos personagens — o presidente, o PGR, o advogado e a JBS — à revelação feita pela Crusoé.”

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