Em matéria de CBF, Romário e Pelé, de um lado; Ronaldo Fenômeno de outro

Pedro do Coutto

Na revista Veja que se encontra nas bancas, Romário, agora deputado federal, e Pelé atacam a atual direção da CBF, mesmo após a renúncia (evidentemente forçada pelo Palácio do Planalto) de Ricardo Teixeira. Romário, inclusive, nas páginas amarelas, entrevista a Renata Betti, estende sua artilharia até José Maria Marin, que assumiu o posto, por ser o vice presidente mais antigo.

Já Ronaldo Nazário (Fenômeno), no momento empresário do esporte, dono da agência Nine (quase Nike) defende uma estabilidade em torno de Marin e anuncia sua intenção de se candidatar à presidência da CBF depois da Copa de 2014. Falou ao jornalista Fernando Rodrigues, página inteira da edição de 19 de março, Folha de São Paulo.

É natural. Ronaldo Fenômeno foi contratado por Ricardo Teixeira, na intenção (por parte de Teixeira) de usar sua imagem para confrontar com as de Pelé e Romário. Tentativa impossível, pode-se afirmar. Ninguém possui a imagem de Pelé e, muito menos, prestígio junto à presidente Dilma Rousseff como ele.

No universo esportivo. Isso ficou mais do que claro no sorteio das chaves da Copa do Mundo, realizado no Hotel Windsor, na Barra da Tijuca. Ricardo Teixeira empenhou-se em sentar ao lado da presidente da República mas não conseguiu. O lugar coube a Pelé. Naquele momento, para quem possui um pouco de sensibilidade política, ficou nítido o descrédito do expresidente da CBF. Sua permanência à frente da Confederação Brasileira de Futebol chegava ao fim. Seu reinado de 23 anos desmoronava.

Na sequência, já com Teixeira afastado, Pelé esteve ao lado de Dilma quando do encontro com o presidente da FIFA, Joseph Blater. Dilma Rousseff não desejava a permanência de Teixeira. E é verdade. Quando o santo não combina, não adianta fazer força. Pode-se driblar até o goleiro e rolar a bola para a pessoa apenas empurrar para dentro do gol, que esta vai continuar achando que você não fez nada. Um mistério da vida. Acontece com todo mundo. Aconteceu com Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central.

Mas por falar em mistério, chegou a hora de desvendar os mistérios da CBF. Uma caixa preta. A entidade não presta contas a ninguém, tampouco ao TCU. Alega ser uma sociedade particular, independente. Em termos. A partir do momento que opera com recursos públicos, a meu ver encontra-se na obrigação de prestar contas no Tribunal. E ao Ministério do Esporte também. Não pode se tornar inviolável.

Poder-se-á dizer que ela não tem acesso a dinheiro público. Não é nada disso. Recursos públicos não são apenas verbas financeiras. A construção do estádio do Corintians, por exemplo. Implica em renúncias fiscais, financiamentos, liberação de área pública. O vínculo está caracterizado.Caso contrário qualquer empresa, como fazem aas ONGs poderiam alegar não terem fins lucrativos. E daí? Não recebem repasses? Recebem. Não pagam salários a seus dirigentes? Pagam. Então o vínculo está assinalado.

Como sustento sempre, não se deve apenas ver o fato. É indispensável ver-se no fato. Principalmente quanto à CBF, uma entidade que, diga-se de passagem, leva o nome do Brasil ao exterior. É responsável portanto pela imagem que reflete do país. O envolvimento em subornos, escândalos, chantagens, manobras, recebimento de propina todos esses fatos pesam negativamente para a Seleção e para o Brasil.

Na verdade, a CBF é a mais forte embaixada do nosso país no mundo. Tem que prestar contas de seus atos. E dos atos dos que a dirigem.

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