Em matéria de religião, discordar é sempre possível

José Reis Barata

Poderia trazer muito mais de Max Weber em “A Ciência por vocação”, escolhi este trecho: “Como a ciência poderia nos “conduzir a Deus”? Não é a ciência naturalmente uma potência não-religiosa? Homem algum, em seu foro íntimo – independente de admiti-lo de forma explícita – coloca em dúvida esse caráter da ciência.O presuposto fundamental de qualquer vida em comunhão com Deus impele o homem a se emancipar do racionalismo e do intelectualismo da ciência.”

Mais alguns pensamentos esparsos que permitem imaginar os intervalos: “Menos ainda se poderá provar que o mundo descrito por esses conhecimentos (física,química, astronomia)  mereça existir, que ele encerre sentido ou que não seja absurdo habitá-lo.”

“…sempre que um homem de ciência permite que se manifestem seus próprios juízos de valor , ele perde a integral compreensão dos fatos.”

“Por conseguinte, tudo se passa exatamente com se passava no mundo antigo, que se encontrava sob o encanto dos deuses e demônios, conquanto assuma diferente sentido… Continuamos a proceder de maneira semelhante, conquanto nosso comportamento haja rompido o encanto e se haja despojado do mito que ainda vive em nós. Quem governa os deuses é o destino e não uma ciência, seja esta qual for. O máximo que podemos compreender é o que o “divino” significa para determinada sociedade, ou o que esta ou aquela sociedade considera como divino”.

“O fim precípuo de nossa época , caracterizada pela racionalização, pela intelectualização e, principamente, pelo “desencantamento do mundo” levou os homens a banir da vida pública os valores supremos e mais sublimes. Enquanto tentarmos produzir intelectualmente novas religiões , chegaremos, em nosso âmago, na ausência de qualquer nova e autêntica profecia, a algo semlhante e que terá, para nossa alma, efeitos ainda mais desastrosos.”

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