Em Minas, parlamentares desistem da política e se dizem frustrados


Gustavo Prado
(O Tempo)

A decepção com a política brasileira não é uma sensação exclusiva da população em geral. Até quem já ocupou um cargo público e já sentiu o gostinho do “poder” se diz frustrado com a complexidade do sistema. A morosidade das ações no Legislativo é uma das principais queixas de parlamentares e ex-parlamentares, que avaliam não terem alcançado grandes resultados. Além disso, a exposição na mídia, geralmente negativa, e as constantes denúncias das quais são alvos obrigam muitos políticos a repensarem a vida pública.

“A desilusão que temos é o sentimento de impotência, de não conseguir fazer tudo o que a gente gostaria. A gente ainda tinha aquela visão um pouco romântica, irrealista do exercício de um mandato”, disse o ex-deputado estadual e ex-vereador da capital Amilcar Martins (na foto), do PSDB.

O tucano ocupou uma cadeira no Legislativo municipal por dois mandatos, sendo presidente da Câmara entre 1993 e 1994. Após deixar o cargo, Martins foi eleito deputado estadual. Ele ainda exerceu funções no governo do Estado e na Prefeitura de Belo Horizonte. Apesar de certa frustração, ele disse que deixou a política para se dedicar à carreira de professor na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Quem também ocupou um lugar na Câmara e, depois de derrotado nas urnas no ano passado, desistiu de disputar uma nova campanha é Alberto Rodrigues (PV). “Eu fiquei dois mandatos lá. Imaginava que era uma coisa diferente. Às vezes, a gente perde muito tempo lá com coisas sem valor”, disse o narrador, que foi vereador de 2004 a 2012.

EXPOSIÇÃO NEGATIVA

Constantes alvos de denúncias de órgãos fiscalizadores e da imprensa, os representantes também se dizem cansados com a exposição negativa. Alberto Rodrigues, juntamente com os demais 40 parlamentares da última legislatura, foi denunciado pelo Ministério Público por improbidade administrativa em função de suspeita de uso irregular da verba indenizatória.

“A gente acaba sendo combatido injustamente, entrando no mesmo balaio. Aparecem algumas coisas que deixam a gente chateado. Não é fácil fazer política”, argumentou. Apesar de negar, Alberto é cotado para ocupar algum cargo na prefeitura da capital.

Ex-deputada estadual e federal, Maria Elvira (PSB) também se distanciou das urnas depois de perder a disputa pela prefeitura da capital em 2000 e de ser derrotada como candidata a vice-governadora e a vice-prefeita em 2002 e 2004, respectivamente. “O processo eleitoral no Brasil é muito desgastante. Não tem como fazer campanha sem recursos financeiros. A captação é um negócio desgastante”, disse ela, defendendo o financiamento público do processo. A socialista ainda participa de conselhos nas esferas federal, estadual e municipal.

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3 thoughts on “Em Minas, parlamentares desistem da política e se dizem frustrados

  1. Esse ainda deve ter um pouco de decência, se bem que, político,não sei não… Já eu estou cansada, estou perdendo a capacidde de indignar-me com as indignidades perpetradas pela quadrilha que tomou de assalto o país , como dizia o poeta, ‘antes de eu nascer.!’ São quinhentos anos de expropriação, de bandalhas, injustiças, ultrajes, abandonos, crimes de lesa-pátria. A saúde pública, aqui no rio, uniu-se ao tráfico, aos bandidos, ao trânsito, ao judiciário, ao legislativo, ao executivo, para matar os cidadãos despossuídos.Lembro-me que,no 2º Período na vetusta e tradicional Faculdade Nacional de Direito, nos foi passaso um trabalho que originou um seminário sobre um livro de um Assistente Social estadunidense (sua dissertação de Mestrado, se não me falha a memória) denominado ‘Manicômios, Asilos e Prisões’ em que ele defende uma tese que, hoje, com o devido distanciamento, considero interessante: as pessoas despossuídas não sofrem ao serem submetidas a situações indignas,humilhantes, já que não conhecem outra realidade, então, para elas a situação em que vivem é ‘normal.’ A Faculdade Nacional de Direito, longe da imponência do Largo de São Francisco/SP,é um prédio decrépito, ‘caindo aos pedaços’ que, por ironia, já abrigou o Senado do brasil imperial! Como é vizinha ao Hospital Souza Aguiar (A MAIOR EMERGÊNCIA DA AMÉRICA LATINA), todas as as manhãs, ao chegar para as aulas, eu passava em frente ao hospital e ficava indignada com o verdadeiro ‘pátio dos milagres’ ali exposto: fraturas expostas, crâneos ‘quebrados’, ‘atirados’, esfaqueados… aquele quadro fazia-me muito mal mas, ao mesmo tempo, eu ficava chocada, também, com a passividade das pessoas na fila, na calçada, muitas vindas de longe, da Baixada Fluminenese, com fome e, sem esboçar nenhuma reação de impaciência, contrariedade, revolta, esperando, esperando… Após ler o supracitado livro foi como se eu tivesse levado um soco no estômago ou um choque, quando o autor conclui que o sofrimento daquelas pessoas me atingia muito mais do que a elas próprias, quer dizer, eu sofria por elas e muito mais do que elas, pelo simples fato delas não terem coñsciência da sua própria situação indigna! Alguém já disse um dia, não me recordo quem que, o povo brasileiro é muito ‘parecido’ com o povo russo; eu discordava até Gorbachev; de lá prá cá estamos mesmo muito parecidos! Com a dirferença de que aqui é pior!

  2. Concordo com a complexidade do sistema, morosidade das ações legislativas e frustrações daí decorrentes. Mas, não é possível que se queixem quando são investigados por abusos de verbas indenizatórias. Dez mil limpinhos por mes é mais que suficiente para qualquer um sobreviver com dignidade. Ganham muitíssimo mais e ainda abusam com frequência. Nosso homens públicos quando passam a ocupar cargos de chefia no executivo ou de representação no legislativo, salvo raras exceções, querem viver vida de ricaços, se esquecem que lá estão para servir o interesse público ou representar seus eleitores. Muitos se revelam abertamente prepotentes e desrespeitam os cidadãos-contribuintes-eleitores.

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