Em plena campanha presidencial de 2014, discutem o PIB, o juro e a inflação de 2013. Dona Dilma, franca favorita, repete 2008, diz que “quem governa, tem que governar”.

Helio Fernandes

Pessoalmente ou através do conhecimento, acompanhei quase todas as sucessões da República. É bem verdade que não foram muitas. Na Primeira República, não existia nem campanha nem candidatura, prevaleciam as imposições. Depois, 36 anos de ditadura, 15 de 1930 a 1945, 21 de 1964 a 1985.

Dois modelos de autoritarismo. Inicialmente o modelo clássico, apenas um personagem acumulando todos os Poderes, cercado de servos, submissos e subservientes. Depois a mesma incompetência, com outro rótulo. Não havia eleição, mas também não era permitida reeleição.
O mesmo personagem solitário, só que de farda, e se mantendo apenas por um período. Em nenhum dos modelos o país avançou, sem considerar que sempre havia um vice, que à vezes assumia, às vezes não era permitido.

Até que chegamos a esse insólito e incrédulo sistema, em que se discute quem vai governar a partir de 2015. Estamos no início de 2013, a eleição será em 2014, mas a posse em 2015. Realmente inacreditável.

Precisam preencher o tempo e o espaço, os jornalistas têm que acompanhá-los, imaginem discutir outra coisa que não seja sucessão presidencial. Só que todos os pretensos, supostos ou prováveis candidatos, fazem questão de acusarem os outros de terem iniciado a corrida espacial, perdão, presidencial.

Essa honra pertence a Dona Dilma e ao senhor Eduardo Campos. Ela confessou a ele, no que chamou de confidência: “Governador, sou candidata à reeleição em 2014, mas isso é confidencial”. Menos para ele, lógico, que candidatíssimo, revelou publicamente o que ouvira.
Atingiram o objetivo: alertar o ex-presidente Lula de que a volta seria recebida com revolta. Lula, que é o personagem mais importante de todos (isso não é elogio, é constatação), entendeu, não mudou de ideia, mas mudou de trajeto.

Está em plena “caravana”, só que ressalta que não é para ele e sim “para o país”. Quando tem oportunidade, lembra a reeleição de Dona Dilma, sabe que tudo o que está sendo tratado ou discutido agora, não é definitivo. Tem certeza de que, se houver algum problema para Dona Dilma, entra em campo e resolve.

Mas sabe que não está enganando ninguém. Pode entrar em campo representando um poste (Dona Dilma) ou a seleção de 2014 (ele mesmo). Tranquilo, absoluto, intocável, Lula não discute a própria importância, sem ele a sucessão presidencial não tem a menor graça.

PIBINHO, PIBÃO, JUROS, INFLAÇÃO, CÂMBIO

Com têm que fingir desprendimento e preocupação, tratam desses assuntos, aleatórios. O pibinho de 2012 foi desmoralizado pelo excesso de confiança do ministro e de desconfiança do Banco Central. Para colocar em pauta o pibão de 2013, Dona Dilma se lembra do que falou em 2008, e repete: “Um espirro lá de fora não provocará uma pneumonia aqui dentro”.

Cada vez engordando mais fisicamente, Dona Dilma pode se considerar desconfortável diante do espelho. Mas o conforto e a satisfação não surgem do espelho e sim da realidade: ela engorda eleitoralmente de forma mais suntuosa, garantindo o futuro. Os adversários (?) tentam desviá-la da trajetória eleitoral, ela é rigorosamente inarredável.

Todos, Dona Dilma e os outros, sabem que “a nova classe média de 1.543 reais” (a já famosa Classe C) não se interessa por PIB, Taxa Selic, câmbio, quer é consumir, encher lojas, supermercados, movimentar o comércio. Isso é sustentável?

É claro que não, é preciso investimento para haver desenvolvimento e sustentabilidade de salários e, consequentemente, de consumo. E a indústria? Estagnou de vez, não sai do lugar. Comércio e indústria são importantes e indispensáveis, se completam. Como só o comércio cresce e é procurado, e a indústria precisa de incentivo, os preços sobem, não demora o consumo vai parar, o salário é devorado.

Principalmente porque uma parte desse consumo entra na estatística com os 70 reais e o resto das bolsas, que têm vários nomes e até sobrenomes. Mas nada atinge Dona Dilma. Assim como o povão não se interessa por siglas, enigmáticas, também não ouve os discursos de Dona Dilma, medíocres e cada vez mais irrelevantes.

PS – Estrutura, infraestrutura, aeroportos, rodovias, portos, nada disso tira o sono de Dona Dilma e dos delfins do seu governo. O PAC não recebe os investimentos comprometidos? Nenhuma importância ou desgaste para ela.

PS2 – Uma grande vitória no currículo ou na biografia de Dona Dilma: os impostos alcançaram o recorde de mais de 36 por cento de tudo o que se produz no Brasil, Que maravilha viver.

PS3 – Avaliando e analisando pelos fatos convencionais, Dona Dilma tem mais 4 anos garantidos. Começando em janeiro de 2015.

INJÚRIA: O FILHO DE EIKE BATISTA
DIRIGIA A 60 KM, FALAM EM 135 KM

Carolina Heringer, Paolla Serra e Sergio Ramalho fizeram matéria altamente jornalística, publicada em O Globo. Desvendaram o que está acontecendo no caso do jovem Thor, que atropelou e matou um homem. Contam em detalhes e minúcias o que acontece nos bastidores da Justiça, na tentativa de inocentá-lo e condenar o perito.

Ouviram respeitáveis juízes, desembargadores, promotores, advogados, peritos. Opinião quase geral: “Não me lembro de nada igual. Talvez seja inédito. O laudo poderia ser desconsiderado, mas não desprezado”. O perito, que além do mais é professor da UERJ, jamais passou por isso, afirma: “Estranho meu afastamento”. Tem que estranhar mesmo. A não ser que consulte a geografia bancária e financeira de Eike, vai entender.

PS – O que não está na matéria, mas circula nos corredores da Rádio Justiça: “Assim que o filho for absolvido e o processo arquivado, Eike vai processar o perito.

PS2 – Com documento de garantia da Mercedes, provará que esse “carrinho” não chega a 135 km, nem “pisando fundo”

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