Em plena crise, ainda estamos bancando a Olimpíada…

Roberto Nascimento

As demissões em cascata, iniciadas em 2015 e ainda presentes no último trimestre do ano que finda, indicam grave recessão. Normalmente há uma recuperação do emprego no final do ano, o que não está acontecendo agora.

A mudança brusca no comando da economia, com a nomeação de Joaquim Levy, que reduziu o crédito e os investimentos ao mesmo tempo em que aumentou os juros e paralisou a ação do Estado na economia, produziu os reflexos atuais.

Sinalizou para a sociedade tempos escuros, sujeitos a ventanias e trovoadas. O empresariado parou de investir em suas empresas, o BNDES reduziu os repasses a juros subsidiados e o povo (Sua Excelência mais temida pelos políticos), enfim, parou de consumir com medo do porvir.

CAMPEÕES NACIONAIS

Qual a razão desse cenário obscurantista, se tudo ia muito bem até 2010? Creio firmemente, que a aposta nos campeões nacionais deu em nada. O maior deles experimenta a decadência de seu gigantesco grupo. O segundo setor aquinhoado com investimentos vultosos do BNDES, o da construção civil (empreiteiras) foi derrubado diante do descobrimento de cartel na Petrobrás, então, cessada a cachoeira de dinheiro público, as obras pararam e muitas empreiteiras, exemplo da OAS e da Engevix, entraram em recuperação judicial.

Além disso, a decisão de patrocinar a Copa do Mundo e a Olímpiada talvez tenha sido o início dos nossos problemas, como exemplos ocorridos na Grécia e na África do Sul pós-eventos esportivos de grande monta. Muito dinheiro público foi direcionado para estádios de futebol e arenas olímpicas, só que são obras com tempo certo. No primeiro momento, geram muitos empregos, mas depois que acabam as obras a empregabilidade se esvai como a neblina da manhã. Sobram estádios faraônicos e de difícil administração, por serem caros para os clubes, quase todos endividados até a raiz dos cabelos.

PEQUENAS E MÉDIAS

Se os investimentos estatais, principalmente os oriundos do BNDES, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, fossem direcionados para as pequenas e médias empresas, as que verdadeiramente geram empregos, penso que não estaríamos nessa situação desesperadora atual. A indústria e o comércio estariam empregando e atuando como molas propulsoras do capitalismo.

PACOTE DO PMDB

Em meio à crise decorrente de apostas erradas, de quem se julgava acima do bem e do mal, o PMDB lança um pacote econômico de última hora para confrontar a política de ajuste fiscal do seu “aliado” PT, como se o PMDB não fosse também um partícipe de todas as decisões políticas e econômicas tomadas nestes 13 anos de reinado do PT, sendo ele PMDB, o maior fiador da governabilidade da era tucana e da era petista.

A Copa acabou, o Brasil não ganhou, e o emprego despencou. A Olimpíada também vai dar um prejuízo e tanto.Para quê tudo isso? Para nada. Quer dizer, para o sofrimento do povo, aquele que sempre paga pelos erros de seus governantes.

12 thoughts on “Em plena crise, ainda estamos bancando a Olimpíada…

    • Realmente Werneck, você está coberto de razão, principalmente em relação a segurança. Na sexta-feira última, dia 06/11/15, ás 07:00, próximo ao mergulhão da Av. Ayrton Senna, na Barra da Tijuca, uma dama de 30 anos foi esfaqueada 15 vezes por um assaltante. Um guarda municipal veio em ajuda da vítima, que foi levada para o Hospital Lourenço Jorge localizado do outro lado da Passarela que corta a avenida. O ladrão fugiu com o celular da vítima em desabalada carreira margeando o Bosque da Barra. Um covarde literalmente.

      O que espanta os cariocas, sem sombra de dúvidas é a insegurança a luz do dia. Imagina na noite escura e mal iluminada?

  1. Roberto Nascimento está certo. O Prefeito do Rio está gastando uma fortuna em obras
    em toda a cidade, que a maior parte desse dinheiro vem do governo federal. Enquanto
    isso as escolas públicas estão totalmente abandonadas, o SUS não funciona e os hospitais
    também estão em estado de abandono, segurança nem se fala.
    Como diz o velho ditado: por fora, bela viola, por entro pão bolorento.

    • Perfeito Nélio Jacob. Parece que a melhor política é a construção de prédios em série, transformando a cidade maravilhosa em uma muralha de concreto na altura da Abelardo Bueno, palco das Olímpiadas e ao longo da orla do Recreio a Joatinga. Esse paredão de concreto impedirá a livre circulação dos ventos vindos do oceano. O resultado será um Rio de Janeiro insuportavelmente quente. Que fazer?

  2. Causa-me revolta e indignação o esbanjamento de dinheiro público em obras que depois ficarão sem qualquer utilidade, dinheiro posto fora, literalmente.
    Sem entrar no mérito de quem foi a culpa ou os responsáveis pelo endividamento do meu Estado, RS, por exemplo, que hoje atinge 60 bilhões de reais(!), impagável pelo que o RS arrecada e tem de gastos à sua manutenção e funcionários, o custo dessa faraônica e delirante Olimpíadas em território brasileiro ultrapassa a 40 bilhões!
    Se o Planalto pensasse, fosse organizado, comedido – impossível com a Dilma de presidente, mas apenas como exercício de imaginação -, essa fábula seria dividida entre os Estados mais problematizados.
    Por exemplo:
    O RS não teria parte da sua dívida perdoada ou verbas doadas para sanar os seus problemas, não, PORÉM O GOVERNO PETISTA HONRARIA A PROMESSA de pagar o Piso do Magistério porque partiu do governo do PT a proposta de melhores salários aos professores, e que o RS não cumpre em face de não ter dinheiro!
    Se os mestres gaúchos e de outros Estados da Federação na mesma condição de miséria tivessem este auxílio, e as dívidas reformadas com taxas de juros e prazos de acordo, as arrecadações federais seriam até melhores, e não viveríamos esta crise econômica tão grave.
    Lula, que desejava ser ovacionado na inauguração da Copa do Mundo, que nos levou bilhões em propinas e obras ainda inconclusas(!), e que deixou de comparecer ao jogo inaugural porque covarde, medroso, cagão, terá em Dilma o mesmo comportamento – não comparecer pelas vaias de um povo extorquido por impostos escorchantes e sem que lhes dê o devido destino -, diante do repúdio popular pelas verbas que são distribuídas às conhecidas empreiteiras atualmente envolvidas no petrolão, e que encarecem os projetos orçados inicialmente em mais de o dobro do que foi projetado.
    Certamente os prédios construídos para este espetáculo, que não poderíamos financiar e patrocinar será com o tempo alvo de invasões de gente sem teto, afora ser controlado por traficantes, que transformarão o local em mais um centro de venda de drogas, assassinatos e terror!
    E com piscinas, quadras de esporte, alojamentos de luxo, construções elaboradas com o sangue e suor de uma população escrava, submissa, que trabalha a metade do ano para sustentar a corja de ladrões, corruptos e desonestos poderes legislativo e executivo e, agora, para oferecer a criminosos comuns belas instalações e conforto!
    E dizer que este governo deletério, podre, incompetente, ladrão, tem ainda dois anos para saquear e dilapidar o patrimônio nacional e deixar o cidadão arruinado!
    Que praga de madrinha que nos rogaram, credo!

    • Prezado Bendl, O Tarso Genro antes de sair, como maldade, largou um abacaxi nas mãos do
      novo governador. “Esse é o jeito do PT governar” como costumavam dizer nas propagandas do partido.
      Abraços

      • É verdade, Jacob, é verdade.
        Agora, esperar que um petista aja decentemente, convenhamos, é melhor acreditarmos em fadas e duendes!
        Ou, fazendo eu uma analogia ao avesso de um célebre episódio com Santo Tomás de Aquino, um frei corpulento, com quase dois metros de altura, porém extremamente crédulo, estava sentado à mesa escrevendo a sua Suma Teológica, concentrado, pensativo, quando um padre que sabia dessa sua maneira de ser quis lhe pregar uma peça.
        Em voz alta, surpreendendo o filósofo e religioso, clama para que Tomás fosse até a janela ver um boi que voava!
        O abade se levantou, pesadão foi difícil se erguer da cadeira.
        Chegando à janela, olhou para cima, para os lados, e, claro, não havia boi que voava.
        Dirigiu-se então ao seu colega e lhe perguntou:
        – Padre, onde está o boi que voa?
        – Ora, Tomás, somente um maluco fosse acreditar que um boi possa voar, respondeu o frade.
        Tomás, então, do alto da sua sabedoria, exclama:
        Pois é mais fácil eu acreditar que um boi possa voar que um padre possa mentir!
        Jacob, em relação ao PT, é mais fácil acreditarmos em fadas, duendes, varinha de condão, no pó pirilim pim pim, que os grilos falam, que um petista possa dizer a verdade!
        Um abraço.

    • Francisco Bendl: Copa e Olímpiadas foram decisões sem um planejamento das consequências sobre o endividamento e o déficit fiscal. Muito dinheiro público investido em perfumarias. Para quê? Para nada, quer dizer, para aumentar o endividamento nacional. Logo, logo estaremos as portas do FMI para pedirmos os famosos empréstimos pontes e em contrapartida fazer o que os economistas recessivos do organismo financeiro globalizado mandar como imperativo para poder emprestar.

      Aí a vaca vai para o brejo e nós para o olho da rua chamada desemprego.

      • Caro Roberto Nascimento,
        Soubeste dos últimos boatos com relação à economia?
        Meirelles está sendo cotado para assumir o ministério da Fazenda!
        Que governo ridículo, mentiroso, falso, corrupto e desonesto.
        Agora, se Meirelles aceitar estamos diante de outra pessoa que tem mau caráter, uma personalidade distorcida, ego insuflado, pois somente corrupto e desonesto trabalharia com o PT!
        Um abraço.

  3. Em 2010 se inciou o “faço o diabo para continuar no poder”, e lula fez. Distribuiu din-din para eleger seu poste.
    E todos os economistas e experts aplaudiam o crescimento “extraordinário” do país.
    Eu vivia isolado nas conversas com amigos e conhecidos apontando o erro desta política econômica e o precipício que entraríamos após a copa e olimpíada. E todos sorriam e balançavam a cabeça pensando: “quanto pessimismo….”
    Onde estavam os analistas e acadêmicos da área econômica em 2010, 2011 e 2012?
    Quase ninguém apontava o erro da bolsa-empresário com juros subsidiados, da falta de investimento no pequeno negócio, na educação, na infraestrutura. Deu no que deu. O “gênio” reelegeu o poste, raspando o fundo da nossa panela para isso.
    Somos um país? Uma nação? Estamos num grau civilizatório minimamente razoável?
    Após o mar de lama da Samarco, onde a imprensa já tirou da primeira página a catástrofe humana que se abateu em Minas e quase todos os blogs de opinião (de todos os matizes!) ignoram o tema, acho que a resposta a estas indagações é: Não!

  4. Quem mora aqui na cidade do Rio de Janeiro consegue perceber nitidamente que esta cidade não tem cara alguma de “Cidade Olímpica”.

    Exemplos do que vemos por aqui cotidianamente:

    – Lixo por todos os lados;
    – Engarrafamentos em todas as regiões, e em quaisquer horários;
    – Obras visivelmente mal feitas sendo entregues às pressas;
    – Transportes públicos desorganizados, sujeitos a acidentes constantes, e a ações de violência urbana;
    – Guerras entre grupos fortemente armados pelo domínio de comunidades pobres;
    – Caos absurdo no serviço de saúde pública, federal, estadual e municipal;
    – Rede hoteleira que presta maus serviços, mas que cobra caro por eles;
    – Serviços ruins de taxis, com frequentes atos desonestos praticados por muitos dos seus motoristas;
    – Aeroportos ainda repletos de deficiências diversas;
    – Baía de Guanabara, que será palco de competições náuticas, altamente poluída por esgotos, óleos, e lixo flutuante;
    – Lagoas da Barra da Tijuca e Jacarepaguá, vizinhas do Parque Olímpico e da Vila dos Atletas, absurdamente contaminadas, exalando até mau cheiro;
    – Praias diversas poluídas por esgotos clandestinos e até mesmo “oficiais”;
    – Parte das grandes obras em curso demonstrando fortes chances de ameaçadores atrasos;
    – Desemprego crescente, camuflado com tintas coloridas pela grande imprensa;
    – Miséria visível nas vias, praias, calçadas, parques e praças, configurando ineficiência das ações sociais diversas.

    Moro neste Rio de Janeiro desde 1997. E percebo claramente que não há mais aquele ânimo que antes havia no povo desta cidade perante os Jogos Olímpicos de 2016.

    Pelo contrário: noto a revolta em muitos, no dia-a-dia desta metrópole. Principalmente porque fica cada vez mais claro que tal evento esportivo não deixará um legado – ao Rio de Janeiro – condizente com as dezenas de bilhões de reais que estão sendo investidos.

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