Em pleno ostracismo poltico nacional, tentando intimidar a Alerj, Sergio Cabral se manifesta a favor do aborto, com uma frase de dbil mental: Quem aqui, que no TEVE uma namoradinha que TEVE de abortar?

Helio Fernandes

No meio de toda a confuso do Brasil e do mundo, com tantos fatos a comentar e a examinar, precisvamos tratar da questo Sergio Cabral. Pelo menos, a partir da derrota escandalosa da tentativa de nomeao do Sergio Cortes, secretrio estadual de Sade, que pretendia promover a Ministro.

Fui adiando, mas agora, depois da vergonhosa manifestao sobre o aborto, no posso retardar mais, juntando essa declarao com os problemas polticos (com Dona Dilma) e os da Alerj. Pretende eleger o presidente dessa casa, com medo de sofrer impeachment, ou desaprovao de projetos.

O aborto hoje uma questo que movimenta e mobiliza o mundo. Pode ser dito que metade CONTRA, metade a FAVOR. Nos EUA a divergncia to grande, que dos 9 juzes da Suprema Corte, quatro so a FAVOR, quatro CONTRA, e o ltimo no tem opinio formada. Por isso, a Corte no se manifesta. E quando surge uma vaga (rara, eles so vitalcios, como foram no Brasil at 1926) esse indicado examinadssimo, principalmente em relao ao aborto.

Qualquer um pode tomar posio em relao aos mais diversos assuntos. Mas com seriedade, respeito, dignidade, at pedindo desculpas. E no da forma que o governador considerou brincalhona, e que vergonhosa, escandalosa, escabrosa, torpe e sem respeitabilidade.

Terminando essa parte mistificadora e execrvel, antes de passar ao exame poltico e eleitoral, a constatao: Sergio Cabral precisa urgentemente de um psiquiatra. No servem psiclogos ou psicanalistas, sua deteriorao mental est num estgio gravssimo.

(Tambm um revisor de textos. Quem numa frase de 12 palavras repete duas vezes o TEVE, no teve bons professores ou formao adequada. O que nele o habitual).

Como a fase no boa, no apenas a deturpao mental que foi atingida. O episdio Sergio Cortes, da forma como foi tratado pelo governador, j um sinal de deteriorao mental alarmante, no levado em considerao.

Desinformado, mas arrogante no exagero da mediocridade e da senilidade precoce, o governador, antes de ir conversar com a presidente eleita, devia saber sem qualquer dvida: ela j havia afastado candidatos pasta da Sade, com muito mais credenciais do que o nome que o governador levara. Publicamente, Dona Dilma j dissera: O Ministro da Sade sair da minha cota pessoal. Nem isso o governador sabia? Conversaram mesmo, mas Dona Dilma deixou bem clara sua posio.

Primrio, sem inteligncia ou cultura (tem habilidade e o dom de saber rastejar), resolveu que podia fazer a presidente voltar atrs atravs da intimidao. O que no podia era deixar o apaniguado Sergio Cortes apenas secretrio. Ento, sem nenhum constrangimento, revelou publicamente: A presidente Dilma CONVIDOU Sergio Cortes para Ministro da Sade. E viajou para a Argentina.

To debilmente como seria depois (agora) na questo do aborto, mentiu despudoradamente, desafiou Dona Dilma e o prprio PMDB, e o que aconteceu? A presidente e o partido fulminaram esse governador impostor.

A presidente eleita veio a pblico, desmentiu tudo o que o governador falara, reafirmou que no convidara ningum para Ministro da Sade. O PMDB tambm no deixou de graa, acertou e atingiu duramente o governador, desmentindo-o de forma jamais vista.

Como todo primrio, Srgio Cabral acreditou que pedindo desculpas pblicas, tudo seria esquecido, afinal, sou governador eleito e reeleito do importante Estado do Rio.

Acontece que a presidente eleita ficou to revoltada, que desde ento no chamou Sergio Cabral para mais nenhuma conversa. Ele telefonou duas vezes para a presidente eleita, mas a filtragem to bem feita, que os telefonemas no chegaram (oficialmente) a ela. Pode dizer, sem mentir, que no sabe de nada. Mas no retornou.

Tambm tentou falar com o ainda presidente Lula, no conseguiu. Ricardo Teixeira garante que tem o celular do presidente (Srgio Cabral nem isso). lgico que um presidente da Repblica tem vrios celulares, quando um deles toca, j sabe quem . Ou pode trocar de nmero em 5 minutos, sem Sergio Cabral saber.

Como dizia J Soares (quando fazia programa de televiso), a fase, copiada do genial Chico Anysio, nada d certo para o governador. Est alarmado e assustado com a eleio para presidente da Alerj. Se for algum da oposio, pode criar enormes problemas para ele.

Logo a Alerj, que dominou por 16 anos. Oito com ele mesmo na presidncia, outros oito com o irmo-camarada Picciani, que como disse aqui muito antes, no tinha cacife para se eleger senador, mesmo ou principalmente com apoio do prprio governador.

O costume, hbito, tradio (portanto, mais do que lei) na Cmara Federal e na prpria Alerj, no incio da nova legislatura, o deputado mais velho abrir a sesso, presidi-la e eleger o presidente, que geralmente est referendado entre os partidos, e assume logo.

(Foi assim que o Doutor Ulysses, presidente da Cmara, descobriu que podia ser eleito por mais 2 anos, sem ferir a legislao, que proibia reeleio. Acaba a legislatura, a Cmara fechava, quando reabria depois da eleio, ele conseguia novo mandato, sem ser reeleito. Acabados esses dois anos, no meio da legislatura, tinha que sair, saa mesmo).

***

PS Na reabertura da Alerj, a presidncia ser ocupada por Gerson Bergher, de vrios mandatos, e o mais idoso, tem 85 anos. Defende votao igual da Cmara Federal (e do Senado), com voto secreto.

PS2 Cabral tem quase certeza que com esse sistema tradicional, seu candidato Paulo Mello, do PMDB, ser derrotado por Jorge Abraho, do mesmo PMDB.

PS3 Cabral quer ento inovar completamente: pretende que na reabertura, a Alerj seja presidida no pelo mais antigo (Bergher, no amestrado) e sim pelo que tem mais mandatos. Nesse caso, a presidncia ficaria com o intimssimo (de todos os governadores) tila Nunes Filho. S que isso tem que ser decidido pela prpria Alerj.

PS4 Para terminar, por hoje, por hoje: Cabral est prejudicando o Estado do Rio, que no participa da composio do paulistrio. Quem se revoltou, ningum esperava: o prprio PT, que por causa disso ganhar a presidncia da Cmara. Para um gacho, os cogitados eram todos paulistas, do prprio PT.

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