Em São Paulo, Temer prefere fazer aliança política com José Serra

Aliança entre Temer e Serra fica cada vez mais nítida

Pedro do Coutto

Reportagem de Pedro Venceslau e Valmar Hupsel Filho, O Estado de São Paulo, edição de terça-feira, revela que o presidente Michel Temer concordou com a indicação de Andrea Matarazzo como candidato a vice-prefeito nas eleições de outubro, na chapa liderada por Martha Suplicy, hoje filiada ao PMDB, depois de romper com o PT. O fato é importante na medida em que Temer vincula-se a uma disputa que diretamente exclui o candidato do PSDB, João Dória, lançado pelo governador Geraldo Alckmin.

Até aí apenas a surpresa de o chefe do Executivo preferir jogar sua participação numa aliança PMDB-PSD, e não numa aliança, o que seria mais natural, entre seu partido , o PMDB, com o PSDB, base da luta a ser travada no Senado para afastar definitivamente Dilma Rousseff de seu esforço (inútil) para retornar ao Palácio do Planalto.

Mas falei em surpresa. Ela se torna maior quando se lê na reportagem que o lance em torno da união PMDB-PSD conta com o apoio do senador José Serra, que é do PSDB. Quer dizer, Serra vai se empenhar numa disputa contra Geraldo Alckmin, cujo candidato é João Dória, da legenda do PSDB.

DISPUTA TUCANA – Ao que parece à primeira vista, desenha-se, entre os tucanos, uma disputa aberta entre o ministro das Relações Exteriores e o governador de São Paulo em torno de quem poderá vir a ser o candidato do partido à sucessão de Michel Temer na sucessão presidencial de 2018. Mas esse quadro não se encontra completo. Falta ver como Aécio Neves, também do PSDB, vai se situar, pois ele se apresenta também como uma alternativa. Independentemente, entretanto, mas voltado para assegurar a manutenção da aliança entre a oposição de ontem, contra o governo Dilma, e a composição governista para o amanhã.

Política é assim. O companheiro de hoje pode se tornar o adversário de amanhã. No momento, os principais adversários dentro do PSDB são três ex-aliados: Serra, Alckmin e Aécio. Qual deles vencerá a convenção que terá de escolher o candidato? Pelo visto, com base no quadro atual, dos três é José Serra que aparece como o preferido de Michel Temer. Caso contrário, não teria avalizado a coligação Marta-Matarazzo. Aliás Matarazzo era o candidato da preferência do ex-presidente Fernando Henrique.

URNAS DE OUTUBRO – Mas tudo isso depende do destino das urnas de outubro. Se a chapa Marta Suplicy-Andrea Matarazzo vencer a disputa, tudo bem. Mas se perder? Michel Temer e, consequentemente, Serra sairão abalados do episódio.

Se João Dória for eleito para suceder Fernando Haddad, quem se fortalece é o governador Geraldo Alckmin, que terá marcado pontos na disputa pela administração da maior cidade brasileira. José Serra então descerá alguns andares, enquanto Aécio Neves não terá saído do lugar em que se encontra.

Por falar em lugar, qual é o candidato de Aécio Neves à prefeitura de Belo Horizonte? Isso de um lado. De outro, o Ibope revelou recentemente, em pesquisa feita pela CNI, que a liderança de Marina Silva é muito grande.

MARINA NA FRENTE – Se as urnas fossem abrir amanhã, no segundo turno, a ex-senadora pelo Acre venceria disparada, derrotando tanto Lula (cuja candidatura não é provável), quanto Alckmin, Serra ou Aécio.

Esse quadro destaca a fragilização e a fragmentação do universo político brasileiro. Marina Silva veste-se de um sentido de renovação. Ao contrário dos demais nomes. Estará aí sua chance? Não creio. O panorama político pode mudar de uma hora para outra. O que não muda é a rivalidade que predomina no PSDB.

One thought on “Em São Paulo, Temer prefere fazer aliança política com José Serra

  1. Não é a primeira vez que Serra trai seu partido. Em eleição anterior apoiou Gilberto Kassab contra o próprio Alckmin em eleição para prefeito. Alckmin está certo em afrontar alguns luminares tucanos, que adoram vê-lo vencer eleição para se aboletar em cargos, e depois minarem Alckmin abertamente. Dória não é um bom candidato, mas talvez tenha mais honradez que alguns bicudos plumados.

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