Em versos, Casimiro de Abreu conta como descobriu Deus

O poeta Casimiro José Marques de Abreu (1839-1860) nasceu em Barra de São João (RJ) e foi um intelectual brasileiro da segunda geração romântica. Sua poesia tornou-se muito popular durante décadas, devido à linguagem simples, delicada e cativante, como se vê nesse poema em que conta que sua infância descobriu “Deus”.

DEUS

Casimiro de Abreu

Eu me lembro! Eu me lembro! – Era pequeno 
E brincava na praia; o mar bramia, 
E, erguendo o dorso altivo, sacudia, 
A branca espuma para o céu sereno. 

E eu disse a minha mãe nesse momento: 
“Que dura orquestra! Que furor insano! 
Que pode haver de maior do que o oceano 
Ou que seja mais forte do que o vento?” 

Minha mãe a sorrir, olhou pros céus 
E respondeu: – Um ser que nós não vemos, 
É maior do que o mar que nós tememos, 
Mais forte que o tufão, meu filho, é Deus. 

                Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções) 

2 thoughts on “Em versos, Casimiro de Abreu conta como descobriu Deus

  1. Amigos.

    Muitos leitores gostaram do lançamento da coluna POEMAS & CANÇÕES e estão enviado suas próprias obras para postagem. Faça como eles, tire o poema da gaveta (ou da cabeça) e mande para nós.

    Envie o seu poema (com no máximo 30 versos) para o meu e-mail, que eu repasso para o editor do blog Tribuna da Internet:
    http://www.tribunadaimprensa.com.br

    A divulgação é feita por ordem alfabética e junto com o poema deve vir a qualificação do autor (nome, profissão, naturalidade) além de uma pequena explicação do poema, conforme exemplo, abaixo:

    O advogado, jornalista, crítico literário, contista, letrista e poeta carioca Tanussi Cardoso expõe a sua visão sobre o amor no poema “Cilada”.
    Aparentemente trágico, o poema exibe um humor latente e a ironia final fulmina toda a esperança de que um dia saibamos o que é essa coisa louca e bela chamada “amor”, segundo Tanussi Cardoso.

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    CILADA
    Tanussi Cardoso

    O amor não é a lua
    iluminando o arco-íris
    nem a estrela-guia
    mirando o oceano

    O amor não é o vinho
    embebedando lençóis
    nem o beijo louco
    na boca úmida do dia
    O amor não é a angústia
    de se encontrar o sorriso
    nem o vermelho
    do coração dos pombos

    O amor não é a vitória
    dos navios e dos barcos
    nem a paz cavalgando
    cavalos alados

    O amor é, sobretudo
    a faca no laço do laçador
    O amor é, exatamente
    o tiro no peito do matador

    Abraços,
    Paulo Peres

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