Embolou o meio-campo

Carlos Chagas

Parece estar indo para o espao a estratgia do presidente Lula de transformar a sucesso presidencial num plebiscito a respeito dele mesmo, ainda que representado por Dilma Rousseff. A idia era levar o eleitorado a optar entre a candidata, em nome dele, e Jos Serra.

O processo poder seguir outro rumo, a partir da candidatura de Marina Silva, capaz de despertar a deciso de Ciro Gomes tambm disputar.

Admitindo-se esses quatro pretendentes, sem esquecer o quinto, no caso Helosa Helena, a conseqncia ser uma acirrada corrida para o segundo turno, onde Jos Serra j se encontra posicionado. Nada do sonho fantstico do presidente Lula de ver Dilma Rousseff eleita no primeiro, como vinha falando algum tempo atrs e no fala mais.

S haver lugar para um, entre Ciro, Marina e Dilma, desconsiderando-se Helosa. Briga de foice em quarto escuro. Claro que esse cenrio encontra-se apenas esboado, podendo desfazer-se entre muitas variveis. Marina Silva ainda no deixou o PT, pelo PV, e sofre presses razoveis para ficar onde est, sob a promessa de imensa blitz para reeleg-la senadora pelo Acre. Ciro Gomes ainda no fechou completamente a porta para sua candidatura ao governo de So Paulo. E Dilma Rousseff custa a decolar, por razes eleitorais e de sade. No por coincidncia que o governo obteve dos institutos de pesquisa uma espcie de pausa ou moratria na divulgao das consultas. Estranha-se que h quase dois meses tenham interrompido o fluxo de prvias, mas como o poder produz razes que a prpria razo desconhece, bom calar.

Assim, estamos diante de profunda mutao no quadro sucessrio, que os prximos dias se encarregaro de solucionar. Mas dentro da previso de que popularidade no se transfere.

Conversaram ou no conversaram?

Em poltica, costume a gente assistir embates veementes entre verses contraditrias, envolvendo idias, teses e programas. No fim, no se chega a concluso alguma, mantendo as partes suas opinies divergentes. Estatizar ou privatizar? Gastar ou economizar? Punir ou absolver? Dcadas podem transcorrer sem que se chegue a uma concluso.

Existem tertlias, porm, que em nome da lgica e da tica precisam ser decididas em questo de horas. No d para contemporizar, porque referem-se a fatos. Um dos lados ter a verdade, o outro, no.

Assim estamos assistindo a ex-chefe da Receita Federal, Lina Maria Vieira, dizer que esteve no gabinete de Dilma Rousseff e que a chefe da Casa Civil exigiu rapidez na apurao de denncias contra Fernando Sarney.

Em entrevista imediata, Dilma Rousseff negou haver recebido Lina Maria Vieira e, muito menos, solicitado providncias da Receita Federal em investigaes envolvendo o filho do senador Jos Sarney. Para ela, tratou-se de pura fantasia da contendora, que treplicou afirmando ela sabe que falou comigo.

No h meio termo. Com todo o respeito, uma das duas respeitveis senhoras est mentindo.

Bom senso

Coube ao presidente Lula, em Quito, evitar um racha de srias propores na Amrica do Sul, esta semana. Porque se submetida a votos uma moo de censura aos Estados Unidos, haveria constrangedora diviso entre os presidentes reunidos na assemblia da Unasul. Um resultado capaz de deixar todo mundo mal, qualquer que fosse.

Hugo Chavez, da Venezuela, exigia a condenao do governo de Washington por conta das bases militares americanas sendo montadas na Colmbia. Com ele ficariam, com certeza, os presidentes do Equador, da Bolvia e do Paraguai. Quem sabe outros, apesar de presidentes como os do Brasil, Argentina e Uruguai haverem anteriormente censurado a iniciativa dos Estrados Unidos mas sem a disposio de agravar a crise, em especial porque o coronel venezuelano chegou a falar em guerra.

Sendo assim, o Lula sugeriu que antes de qualquer votao, fizessem todos um esforo para ouvir o presidente Barack Obama. Nada mais sensato. Essa convocao, ou convite, levar semanas, seno meses, para concretizar-se. No foi dessa vez que a Unio virou Desunio. Mas passou perto…

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