Emílio Odebrecht se desespera e manda Marcelo entregar logo Lula e Dilma

Fotomontagem reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

O método de atuação da força-tarefa da Operação Lava Jato é intrincado e às vezes necessita de tradução simultânea. Fala-se muito em delação premiada da Odebrecht, mas isso não existe. Não há um acordo amplo que envolva toda a empresa. A delação premiada é um benefício individual, embora possa ser concedido em grupo, como está acontecendo agora, com os procuradores solicitando delação premiada para três executivos simultaneamente, porque estão indiciados no mesmo inquérito.

No caso da Odebrecht, maior corporação envolvida na Lava Jato na condição de agente corruptor, a delação mais importante será de seu ex-presidente Marcelo Odebrecht, embora a força-tarefa nem espere dela maiores novidades, porque apenas confirmará outros depoimentos já concedidos.

Ainda há um impasse e a delação premiada somente será aceita se Marcelo Odebrecht der informações adicionais sobre o envolvimento direto do ex-presidente Lula da Silva e da presidente afastada Dilma Rousseff no esquema de corrupção. Há outras exigências da força-tarefa, mas estas duas são as principais, consideradas indispensáveis ou “condições sine qua non”, como dizem os juristas.

EMILIO SE DESESPERA – O empresário Emilio Odebrecht, pai de Marcelo, está desesperado e não entende por que o filho ainda reluta em revelar o que sabe sobre as atividades ilegais de Lula e Dilma.

Foi por ordem direta de Emilio Odebrecht que os executivos da empreiteira já informaram a força-tarefa sobre o tráfico de influência que Lula fazia em benefício do grupo, especialmente no exterior. Revelaram também que Lula era remunerado através de supostas palestras de sua empresa, a consultoria LILS, e do Instituto Lula, que recebia patrocínio constante. Além disso, confirmaram que a Odebrecht fazia doações legais e ilegais (caixa dois) às campanhas eleitorais do PT, a pedido de Lula e Dilma.

Também a pedido do patriarca Emilio, os executivos revelaram que a presidente Dilma realmente nomeou o procurador Navarro Ribeiro Dantas para o Superior Tribunal de Justiça, com a missão específica de libertar Marcelo Odebrecht e Otavio Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez.

O ÚNICO A FAVOR – O fato concreto é que Ribeiro Dantas foi efetivamente nomeado por Dilma para ocupar a vaga do desembargador Newton Trisotto, provisoriamente na cadeira e que era relator e vinha votando contra a soltura dos presos da Lava Jato.

E no julgamento do habeas corpus que pedia a liberdade de Marcelo Odebrecht, o neoministro Ribeiro Dantas, como relator, foi o único dos cinco integrantes da turma do STJ a votar pelo “sim”, e o fez com um entusiasmo constrangedor, digamos assim.

Agora, Navarro está sendo investigado pelo Conselho Nacional de Justiça por ter sido citado na delação do ex-senador Delcídio Amaral, que confirmou a nomeação do ministro como parte de estratégia do governo para soltar Marcelo Odebrecht e Otávio Azevedo.

MARCELO AINDA RELUTA – Um ano se passou, o empreiteiro Otavio Azevedo conseguiu delação premiada, já foi solto e está revelando tudo o que sabe. Os executivos da Odebrecht cumprem as ordens do patriarca Emilio, estão fazendo importantes depoimentos e até ensinando a força-tarefa a operar o programa de computador do chamado “Departamento da Propina”. Mas o recalcitrante Marcelo Odebrecht ainda reluta, levando ao desespero sua família.

O patriarca Emilio Odebrecht até já se ofereceu para depor, mas não adianta, porque ele não está sendo investigado e a delação premiada só pode ser  feita oficialmente pelo filho Marcelo.

De toda forma, falta pouco, muito pouco mesmo, para Marcelo Odebrecht ceder e revelar, em plenitude, como na verdade Lula da Silva e Dilma Rousseff se comportaram ao exercer a Presidência da República. E aí é que a Lava Jato vai pegar fogo.

13 thoughts on “Emílio Odebrecht se desespera e manda Marcelo entregar logo Lula e Dilma

  1. Acho que a relutância dele, esta no fato de não ter a garantia que será solto e como delator, se tornará réu confesso.
    Ao confessar que praticou os crimes que estão sendo investigados, poderá nunca mais sair da cadeia. É uma situação difícil, que tomado um caminho, não terá mais volta.

    • O Odebrecht é outro, que como o Vaccari, vai morrer esperando a salvação do PT. Quanto mais passa o tempo, menos ele tem para relatar, e quem perde o bonde morre nos trilhos.

  2. A sela amacia a carne até do mais forte dos cavalos.
    No caso brasileiro, a cela poderá a mesma coisa com UM POR CENTO dos bandidos que ficam realmente presos.

    POR ISSO, os parlamentares do Partido dos Trabalhadores sempre foram a favor da PENA ALTERNATIVA, trabalhos comunitários, progressão de pena, audiência de custódia, perdão de natal, sadão dos dias das mães, responder em liberdade, sexo na cadeia, revisão da Lei de Crimes Hediondos, fiança, liberdade provisória, prisão especial, foro privilegiado…etc…etc… e de qualquer coisa que possa tirar o bandido da cadeia e deixá-lo nas ruas.

    Estavam apenas PAVIMENTANDO e tirando as pedras da estrada que um dia poderiam trilhar!

  3. ALÉM DO MACHADO, MAIS 4 JÁ CITARAM O SAN MICHEL !
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    Temer já foi citado por 5 delatores
    Com a divulgação das declarações do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado de que Michel Temer negociou com ele o repasse de R$ 1,5 milhão de propina para a campanha de Gabriel Chalita (ex-PMDB) à Prefeitura de São Paulo, em 2012, sobem para cinco o número de envolvidos na Lava Jato que citaram o presidente interino.
    Temer já havia sido citado anteriormente em investigações da Lava Jato, mas ainda não estava na Presidência da República. Em uma proposta de delação premiada apresentada em abril pela defesa de um dos donos da Engevix, o engenheiro José Antunes Sobrinho, afirma que ele pagou propina a operadores do esquema de corrupção na Petrobras que falavam em nome de Temer. Um dos beneficiários do suborno – um “amigo de Temer”, segundo a revista Época – embolsou R$ 1 milhão para que fosse obtido e mantido um contrato de R$ 162 milhões da Engevix com a empresa do setor elétrico.
    O ex-senador Delcídio do Amaral também citou Temer. O ex-petista disse em depoimentos que Michel Temer foi o padrinho da indicação de João Henriques para diretoria da BR-Distribuidora, durante o governo FHC. E que Henriques era o “principal operador” de um esquema de aquisição ilícita de etanol de 1997 a 2001. Delcídio contou que, em 2008 Michel Temer “teve grande influência na substituição de Nestor Cerveró por Jorge Zelada”, ex-diretor da Petrobras preso na Lava Jato.
    Outro que envolveu Temer foi o empresário e lobista Julio Camargo, que intermediou negócios bilionários na estatal e confessou ter pago propina a integrantes do PMDB, entre os quais o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Camargo afirma ter ouvido que Temer era um dos beneficiados pelo suborno, o que o vice-presidente nega.
    A Lava Jato também encontrou uma mensagem no celular de um dos sócios da OAS, Léo Pinheiro, que cita um pagamento de R$ 5 milhões ao vice-presidente, segundo denúncia apresentada pela Procuradoria Geral da República contra Eduardo Cunha.
    O procurador-geral, Rodrigo Janot, escreveu na acusação ao Supremo que “Eduardo Cunha cobrou Léo Pinheiro por ter pago, de uma vez, para Michel Temer a quantia de R$ 5 milhões, tendo adiado os compromissos com a ‘turma’”. Temer diz que os R$ 5 milhões foram doação legal.
    O presidente interino classificou a declaração de Sérgio Machado de “totalmente inverídica”.
    http://www.gazetadopovo.com.br/blogs/certas-palavras/temer-ja-foi-citado-por-5-delatores/

  4. Esses empresários podem entender de negócios, mas nada entendem de lula. Como disse Brizola, o cara pisa no pescoço de qualquer um pra se dar bem. Isso sem contar que não carrega feridos, vide o caso do sentenciado “guerreiro do povo brasileiro”.

  5. Não é cabível, após um ano preso e já condenado, a aceitação de uma pretensa delação desse sujeito desprezível chamado MO. Tudo que era necessário saber foi confirmado pela inteligência dos policiais, pelas informações das pessoas de bem e delações dos que imediatamente reconheceram a imundície em que estavam envolvidos. De MO somente se obteve as tentativas de atrapalhar as investigações e de acobertamento de provas.
    A esse ser abjeto que agora protege o próprio pai ou outra pessoa que dirigia a empresa antes, creio, o serviço público deve dar somente mais cadeia e em regime fechado. Infelizmente a lei brasileira não permite outros tipos de penas.

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