Encontros e reencontros (as chances do Atlético)

Tostão (O Tempo)

Hoje, fora de casa, contra o Olimpia, começa a decisão para o Atlético. A segunda partida será no Mineirão. Quem jogou toda a competição em um estádio deveria, pelo regulamento, fazer também, no mesmo local, a final. O Atlético preferiu o Independência ao Mineirão por razões técnicas, supersticiosas e psicológicas, e não econômicas. O trabalho, agora, é diminuir o desamparo, a dependência emocional, de Cuca e dos jogadores.

O Atlético tem mais chances que o Olimpia de ser campeão, mas os jogadores não podem acreditar no oba-oba de alguns comentaristas, de que o Galo é um supertime e que deu aula de futebol contra o Corinthians. Contra o Tijuana-MEX e o Newell’s Old Boys-ARG, o Atlético esteve muito perto da desclassificação.

Faltou dizer, na coluna anterior, que o estilo Galo Doido, de pressionar quem está com a bola, em todo o campo, só é possível se os jogadores estiverem envolvidos emocionalmente e muito bem fisicamente. O preparador físico do Atlético é Carlinhos Neves.

O desenho tático, 4-2-3-1, usado pelo Atlético, pela seleção e pela maioria das equipes, brasileiras e de todo o mundo, é, na prática, o mesmo e antigo 4-4-2, criado pela Inglaterra, campeã do mundo em 1966. São quatro defensores, dois volantes, um meia de cada lado, que atacam e voltam para marcar ao lado dos volantes, formando uma linha de quatro no meio-campo, além de um centroavante e de um meia, pelo centro, mais recuado, como Ronaldinho, no Atlético, ou mais avançado, um ponta-de-lança, como Neymar, na seleção.

As coisas vão e voltam, com nomes e números diferentes. Quase todos os encontros, no futebol e na vida, são reencontros. Mudam apenas os personagens. Só os gênios, raríssimos, são originais.

Teremos hoje São Paulo e Corinthians, pela decisão da Recopa. O grande desafio de Paulo Autuori será desvendar o mistério, fazer Ganso brilhar. Ou será que isso nunca vai acontecer, por causa de uma avaliação equivocada sobre o jogador? Nenhuma equipe do mundo joga com dois meias ofensivos (Ganso e Jadson), dois volantes e dois atacantes. Não se deve confundir essa formação com o tradicional 4-4-2, com dois volantes e um meia de cada lado, que marcam e atacam.

Uma tentativa seria colocar Ganso ou Jadson mais perto do centroavante ou recuar um dos dois para atuar de uma intermediária à outra, com funções defensivas e ofensivas, como fazem Schweinsteiger, Pirlo, Xavi, Paulinho e outros. Ganso nunca demonstrou mobilidade para ter dupla função. Se Paulo Autuori desvendar o enigma, será muito mais reconhecido. Há muitos jornalistas e torcedores que não gostam do treinador, muito mais por sua bela voz, por seu português correto e por suas explicações professorais do que por seu bom trabalho.

COMEÇA A DECISÃO

Para o Atlético conseguir um bom resultado, vitória ou empate, é melhor a equipe tentar jogar mais ofensivamente, como faz no Independência, ou tomar mais cuidados defensivos, para tentar ganhar no contra-ataque?

Bernard não joga. Luan é o provável substituto. Outras opções seriam Guilherme, com características bem diferentes, Rosinei, para ser um terceiro marcador no meio-campo e chegar à frente, e até, em uma conduta bem defensiva, colocar Gilberto Silva, de volante, além de Josué e Pierre. Essa pode ser uma opção mais para o fim do jogo, para garantir o resultado. Imagino que Cuca tenha colocado Gilberto Silva, de volante, contra o Corinthians, já pensando nessa possibilidade. O que o Galo não pode é perder por dois gols de diferença. É dar muita sorte para o azar.

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