Enfim, a Polícia Federal vai investigar a lavagem de dinheiro no Tribunal do Trabalho no Rio

Carlos Newton

O Inquérito vai apurar se servidor que movimentou R$ 282,9 milhões, detectados pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras, órgão do Ministério da Fazenda) integrava organização criminosa instalada no Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro. Mas o nome do tal funcionário continua sendo mantido em sigilo, ninguém sabe o motivo.

A Polícia Federal vai investigar todas as transações financeiras – de 2002 até os dias de hoje. Os agentes federais trabalham com a hipótese de que um esquema criminoso, que envolveria uma quadrilha, opere dentro do TRT para lavar dinheiro.

O Coaf identificou, entre 2000 e 2010, 205 movimentações consideradas suspeitas de irregularidades entre servidores do Judiciário, familiares e magistrados. Este grupo de pessoas integra o universo de 216 mil nomes que foram remetidos ao órgão ligado ao Ministério da Fazenda pela Corregedoria Nacional de Justiça para avaliação de movimentações atípicas, investigação suspensa por decisão liminar do Supremo Tribunal Federal. As movimentações suspeitas são aquelas que, além de fugir à normalidade, levantam dúvidas concretas de cometimento de crime.

Na quarta-feira, os relatórios de inteligência financeira foram discutidos em audiência entre o presidente do Coaf, Antonio Gustavo Rodrigues, e o comando da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), entidade autora da ação que suspendeu no Supremo a investigação que vinha sendo feita no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

De acordo com AMB, a ministra Eliana Calmon, em despacho do dia 1º de dezembro de 2011, teria solicitado que se fizessem relatórios de inteligência financeira para avaliar todas as movimentações consideradas atípicas o que atingiria um total de 3.426 mil pessoas que movimentaram no período R$ 855 milhões.

O presidente do Coaf, entretanto, assegurou aos magistrados que nenhum relatório de inteligência foi produzido com base em requerimento do CNJ. Rodrigues salientou que os dados encaminhados à corregedoria tratam-se “de um cruzamento burro” que apenas identifica, sem qualquer análise aprofundada, movimentações que fogem a aparente normalidade.

Detalhe importantíssimo: diversos dirigentes da Associação dos Magistrados Brasileiros estão entre os investigados pelo CNJ. E não é preciso dizer mais nada.

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