Enfim, os astrônomos podem comemorar a descoberta do verdadeiro buraco-negro. É o Banco PanAmericano, fundado por Silvio Santos, onde a Caixa vai despejar mais R$ 10 bilhões.

Carlos Newton

Há décadas os astrônomos do mundo, utilizando os mais modernos e poderosos telescópios, tentam encontrar o buraco-negro. Se mirassem em direção ao Brasil, mais especificamente para São Paulo, logo encontrariam o buraco-negro do Banco PanAmericano. E por mais que tentem tapá-lo, segue aumentando. Daqui a pouco estará maior do que o sorriso que Silvio Santos estampa, como se não tivesse nada a ver com isso.

Agora, a presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho, vem a público anunciar que a instituição deverá injetar de R$ 8 bilhões a R$ 10 bilhões no Banco PanAmericano, em aportes de médio a longo prazo.

“A Caixa vai dar suporte para que o PanAmericano tenha condições de executar suas atividades. Estudos estão sendo feito para avaliar as possibilidades dessa negociação.  Nossas expectativas são positivas. Não só em relação ao novo parceiro, mas em relação a todos os estudos que estão sendo feitos pela Caixa no sentido de ampliar cada vez mais nossa capacidade de atendimento e de negócios nessa parceria”, disse a ilustre executiva, que demonstra manejar com excessiva liberalidade os recursos da instituição estatal, que não lhe pertencem, pois ela só está lá temporariamente. Se a Caixa fosse dela, certamente Maria Fernanda Ramos Coelho seria mais zelosa em seus investimentos.

Mas que história é essa? O Banco PanAmericano não foi vendido ao BTG Pactual, que passou a controlador? Todos lembram que a venda do PanAmericano foi anunciada pelo próprio Silvio Santos no dia 31 de janeiro. “Vendi o banco, claro. Não podia deixar de vender o banco. Porque o meu banco não deu prejuízo pra ninguém. Não ganhei nada, não perdi nada”, disse ele.

Pouco depois, em nota oficial, o BTG Pactual confirmou ter acertado a compra da fatia de Silvio Santos, pagando R$ 450 milhões, que foram repassados ao Fundo Garantidor de Crédito (uma instituição de que nunca ninguém ouvira falar, até a quebra do PanAmericano).

Com o acordo, o BTG Pactual passa a deter 34,64% do PanAmericano, com 51% das ações ordinárias – o que garante o controle do banco – e 21,97% das preferenciais. E a Caixa manteve sua participação minoritária de 36,56% no capital social total do banco.

Mas se a Caixa é minoritária, por que vai injetar mais 10 bilhões no banco, além dos bilhões que já perdeu no negócio furado, com prejuízos “reconhecidos” de 5 bilhões? Por que o BTG Pactual, que é o controlador, não injeta um centavo? Não lhes falta dinheiro, já que, na nota oficial, anunciaram que “o patrimônio do Grupo BTG Pactual é de aproximadamente R$ 7,3 bilhões e o do Banco BTG Pactual, de R$ 5,6 bilhões”.

Essa história está muito mal contada. O Tribunal de Contas da União (TCU) precisa acelerar a investigação que está sendo feita pelo sobre as circunstâncias em que o PanAmericano foi vendido – se é que podemos confiar no TCU, neste país que parece ter perdido o respeito por si mesmo.

E a pergunta que não cala. Por que a Caixa tinha de socorrer o PanAmericano? Só por que Silvio Santos esteve no Planalto e pediu socorro ao então presidente Lula? E pouca gente reclama, a maioria das pessoas acha normal esse tipo de gentileza com o dinheiro da viúva, digo,  da União. Uma coisa é apoiar Lula. Outra coisa, muito diferente, é concordar com qualquer bobagem ou ilegalidade que ele tenha feito.

Por fim, é bom destacar que as demonstrações financeiras do PanAmericano estão previstas para serem divulgadas terça-feira, Como dizia o genial compositor Miguel Gustavo, no mercado financeiro “o suspense é de matar o Hitchcock”.

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