Enquanto a Venezuela produzir petróleo, o sistema de Chávez será estável

Flávio José Bortolotto

Os governos da Venezuela até 1998 polarizaram o País, deixando o povo dividido em cerca de 5% de ricos, 20% de classe média e 75% de pobres, com viés de alta de inflação e desemprego. Nesse contexto, em 4 de fevereiro de 1992, o Tenente Coronel Hugo Chávez dá um golpe de Estado, tenta rebelar todo o Exército, é vencido e vai para a cadeia.

Tudo depende do petróleo…

Após 2 anos de prisão, com a posse do novo presidente da República, em 1994 é anistiado, dá baixa do Exército e passa a se dedicar integralmente a política partidária. Em final de 1998 vence as eleições para Presidente da República, convoca Assembléia Constituinte, aprova nova Constituição, e se reelege 4 vezes até sua morte.

Ignorando os 5% de ricos e 20% de classe média, que foram os mais prejudicados com sua eleição, Chávez se dedica a melhorar a vida dos 75% de pobres. Em 11 de abril de 2002 sofre golpe de Estado, é removido do Palácio Miraflores, ficando preso 2 dias na Ilha La Orchila.

Os golpistas dizem que ele renunciou, mas Chávez, clandestinamente, via telefone, informa que não renunciou, mas que está preso. O Povo se mobiliza, a maioria do Exército lhe apóia, e após 3 dias está de volta vitorioso ao Palácio Miraflores.

A partir de então, radicaliza sua atuação. Faz uma aliança estratégica com Cuba, que tem boas Forças Armadas e excelentes Serviços de Informação/Contra-Informação, dos melhores do mundo, e faz uma Política de Transferência de Rendas, do Estado via exploração do petróleo, e dos ricos e classe média via Impostos, e transfere boa parte dessas rendas para os 75% de pobres, através de programas sociais.

Não se preocupa com produção e, principalmente, produtividade. Enquanto produzir petróleo, o sistema é estável. A doença finalmente o vence. Seu legado continuará, provavelmente de forma mais moderada, pois ninguém que mexer nos atuais programas sociais ganhará eleição na Venezuela.

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