Entenda como Cingapura conseguiu vencer a corrupção

Yew deixou lições preciosas para alcançar o desenvolvimento

Marcos Sawaya Jank
Folha

O Brasil vive o seu momento mais crítico de teste das instituições e bases do que queremos ser no futuro. Vi um gráfico interessante que comparava a qualidade das instituições com a renda per capita de mais de cem países. A relação é absolutamente linear: quanto maior a qualidade institucional, maior a renda per capita. Simplesmente não há casos de países pobres com boas instituições. Tampouco há países ricos com más instituições.

E, quando falamos de qualidade das instituições, talvez o principal item seja o combate à corrupção, em que Cingapura é um dos exemplos mais notáveis de sucesso. Nos anos 1960, essa cidade-nação era pobre, suja, perigosa e, assim como quase todos os países asiáticos, tomada pela corrupção.

Em seu livro de memórias, Lee Kuan Yew – o líder que levou Cingapura do Terceiro para o Primeiro-Mundo – narra as mudanças institucionais que transformaram um país muito corrupto em uma das nações mais limpas do mundo.

“Corrupção, nepotismo, propinas e suborno são um meio de vida na Ásia, e as pessoas as aceitam abertamente como parte de sua cultura e costumes. (…) A engenhosidade humana é infinita quando se trata de traduzir poder e arbítrio em ganhos pessoais (…) O problema é que um mínimo de poder nas mãos de homens que não conseguem viver do seu salário será sempre um convite à corrupção”, disse Yew.

CHICOTE E CENOURA

O líder acreditava que a única solução possível era combinar políticas do tipo “chicote e cenoura”. Investigações e punições exemplares (o chicote) foram feitas em Cingapura já nos anos 1960, resultando na prisão de centenas de pessoas.

Mas, para manter altos níveis de probidade no setor público, ele achava fundamental fixar remunerações adequadas capazes de atrair os melhores talentos do mercado (a cenoura). Segundo ele, altos funcionários, juízes e políticos mal pagos já haviam arruinado muitos governos. Mas a necessidade de apoio popular faz com que governos eleitos insistam em pagar baixos salários para seus ministros, compensando-os com adicionais menos visíveis como moradias, automóveis, cartões de credito e outros. Para ele, isso estava conceitualmente errado.

Nos anos 1990, Lee propôs uma fórmula de salários públicos altos que seriam vinculados ao crescimento da economia e à arrecadação fiscal e ainda respeitariam uma paridade de dois terços da remuneração equivalente no setor privado.

Com isso, as remunerações poderiam aumentar ou diminuir, dependendo da situação da economia e do mercado de trabalho no setor privado. Ele também instaurou um sistema meritocrático que funciona não só no concurso de admissão como ao longo de toda a carreira do funcionário, incluindo o pagamento de bônus variáveis de até 50% do salário por desempenho. A meritocracia substituiu a isonomia no setor público.

MUITAS CRÍTICAS

Lee foi altamente criticado por pagar elevados salários para os funcionários do governo. Mas hoje Cingapura é bem governada, limpa, verde, segura e tem a terceira maior renda per capita do mundo.

No ano passado, Cingapura recebeu nota 8,5 na lista de 168 países que compõe o índice de “percepção de corrupção” da Transparência Internacional. É de longe o país mais avançado da Ásia nesse quesito e ocupa o 8º lugar do planeta.

O Brasil recebeu nota 3,8 (76º lugar). Hoje temos uma chance histórica de redefinir o que queremos ser nessa área. Em algum momento da história, alguns países mudaram culturas e paradigmas na área institucional e, exatamente por isso, se tornaram os mais ricos do planeta.

(artigo enviado pelo comentarista Wilson Baptista Jr.)

25 thoughts on “Entenda como Cingapura conseguiu vencer a corrupção

    • Entretanto, há de se reconhecer, que a interferência de interesses externos na economia de Cingapura é infinitamente menor à que é praticada nas nações que detêm riqueza relevantes e altamente cobiçadas peos senhores do sistema financeiro mundial, os quais, de fora, se encarregam de “promover” e sustentar tanto novas como velhas fórmulas corruptoras e intimidadoras!

      Cingapura é um país pequeno de poucos recursos naturais, população reduzida e por isso, muito mais simples de “ser colocado nos eixos” do que o nosso Brasil, . . . mas ainda chegaremos lá!

      Leiam “Confissões de um Assassino Econômico” de John Perkins, ou algum de seus muitos documentários reveladores disponíveis no Youtube. Vale a pena! Segue sugestão de link: https://www.youtube.com/watch?v=vO8vPa_H71g

  1. Caro Jornalista,

    É impossível combater e/ou acabar com a corrupção no Brasil sem a vontade das AUTORIDADES DO PODER JUDICIÁRIO, responsáveis por colocar BANDIDOS na CADEIA ou nas RUAS.

    • Pois é Vieira, mas AINDA MAIS IMPORTANTE do que termos “AUTORIDADES DO PODER JUDICIÁRIO sem vontade de acabar coma a corrupção”, é o fato (que NINGUÉM ABORDA) de termos uma gigantesca GANGUE de delinquentes funcionais com juramento firmado com a MAÇONARIA, infiltrados no nosso JUDICIÁRIO e no nosso DIREITO, influenciando, corrompendo e MINANDO as PRÁTICAS CONSTITUCIONAIS DEMOCRÁTICAS com suas mancomunações secretas e espúrias visando sua concentração e controle do PODER!

      SEM se ATACAR ESSA QUESTÃO, NÃO EXISTE SOLUÇÃO . . . ! E pelo visto meu caro Watson, “Não existe ‘motivação’ política para se ‘atacar’ esse tema, visto que o universo político é infestado de maçons, tendo se tornado a praia deles!

      • Caro Zara,

        -O nosso Poder Judiciário ainda está no tempo dos FARAÓS, que acreditam (e impõem a todos) que a dinastia é mais importante (para o Estado, do qual se apossaram) do que as qualidades individuais…

        -Tá difícil!

  2. OLHO VIVO BRASILZÃO. TEM BANDIDOS NA MANIFESTAÇÃO TENTANDO ROUBAR A CENA DA MEGA-SOLUÇÃO. EM QUEM CONFIAR ? Se a situação PTMDB-agregados tem que sair, a oposição PSDEMB-agregados não pode voltar, a Mega-Solução (RPL-PNBC-DD-ME) tem que ser colocada no lugar, porque senão nada de fato irá mudar e muito menos melhorar e só frustração e perda de tempo como acontece há 126 anos é o que de novo restará. Cingapura é um bom exemplo, mas é apenas uma cidade-nação, como já disse o Zara mais fácil de colocar nos eixos, mas o nosso Brasilzão é um caso mais sério e muito mais complexo, são muitas nações com todas as suas peculiaridades numa só nação, e a nossa Solução tem que ser uma Jabuticaba toda nossa. E face ao nosso estágio de deterioração avançado, tipo decadência terminal transpirando por todos os seus poros, o primeiro passo tem que ser o Projeto Novo e Alternativo de Política e de Nação, alicerçado na reeducação e na meritocracia, criando uma nova classe política enquanto carro-chefe da sociedade com autoridade moral para moralizar o conjunto da obra.

  3. Para diminuir com a corrupção no pais é só proibir partidos como o do senador do helicoptero, o senador das falcatruas no Detran, o partido do delator dos correios de chegarem as chaves dos cofres.
    E tambem sermos uma ilha como Cingapura com area menor do que o municipio de Campinas. EsseMarcos Jank éjenioe amanhã estará nas passeatas da uniãoe dos indignados com os indignos

  4. São os famosos penduricalhos do judiciário, legislativo e executivo, é preciso acabar com esta prática, paga-se excelentes salários para funcionários públicos de alto escalão, com tantos benefícios que nenhum trabalhador tem, cartão corporativo, benefícios, auxílio moradia, etc…, o trabalhador comum paga tudo do próprio salário e consegue sobreviver.

  5. Em 1993, no Governo Itamar, Genuino e Roberto Campos debatiam na TV. Campos defendia mais liberdade econômica. Genuino retrucou dizendo que Campos queria transformar o Brasil numa grande Singapura.
    Campos retrucou; ” Quem me dera !!! “

  6. Está ótimo o artigo do Josias de Souza no UOL , sobre a convenção do PMDB…Título: Um cadáver esperando na fila..
    Vamos encurtar a fila, amanhã leve mais um.!

    • Não acho que seja Mimimi não,. . . acho que seja pulso e determinação aplicados sobre propósitos elevados.

      Mas veja que Singapura era uma cidade-estado de colonização inglesa, e portanto, sob a política hegemônica adotada pelos ingleses após a experiência Indiana de manter os laços (econômicos-extrativistas) promovendo a independência-aculturada em suas universidades!

      Para os ingleses (e sua economia) o que interessa não é a ocupação física de suas colônias e sua proliferação como raça dominante mundo afora, pois abem a boa bisca que são e que a proliferação de sua espécie e mentalidade não garantirá a estabilidade nas colônias que precisam ser mantidas submissas. A solução é o processo de aculturação das lideranças locais aos seus ensinamentos, que lhes garanta a “docilidade” econômica subserviente que perpetue seus interesses extrativistas locais!

  7. Eu tenho dúvidas se a Operação Lava-Jato, embora com todas as suas consequências, realmente vai amedrontar aqueles que praticam o desvio de verbas públicas e são corruptos contumazes. Eu já afirmei em comentários anteriores que máfias e cartéis de toda natureza em todo o mundo, por mais derrotas que sofram, apenas sofisticam seus métodos, mas sempre serão grupos criminosos. Não me refiro aqui à política como um todo, mas o que existe de pior dentro dela. Portanto, é preciso vigiar permanentemente os negócios que envolvam o setor público e o privado, pois todos são passíveis de suspeição e favorecimentos. Os sistemas de vigilância precisam sofisticar-se muito para combatê-los, porque as consequências de tudo isso quem paga é a sociedade.

  8. Em 1986, a empresa que eu trabalhava, mandou um grupo de técnicos à Cingapura fazer um pesquisa para ver a viabilidade econômica da compra de um equipamento.

    Neste grupo, havia um Engenheiro Inglês que, durante a segunda guerra lutou na Marinha Inglesa contra os japoneses. Durante nossa estadia neste país ilha ele não cansava de dizer que na sua época era um baita de favelão e que tudo tinha mudado para melhor. Itens mais o impressionou foram a limpeza, seegurança, esgoto canalizado e o elevado numero de construções.

    Com isto observamos os dados do turismo que a ilha de Cingapura, país na época com 3,8 milhões de habitantes, no ano anterior a nossa estadia, tinha recebido mais de 3 milhões de turistas.

    Em 2015, seu aeroporto movimentou 15.231.469 milhões de turistas tendo a ilha uma população de 5.350.000 de habitantes.

    Depois ficamos sabendo que devido segurança, limpeza e educação, muitos casais em lua de mel do Japão, Malásia, Indonésia, Índia e outros, iam para lá fazer turismo devido baixo custo e por que podiam andar em qualquer lugar e horário sem preocupação.

    As leis lá são rígidas e cumpridas.

    Porém, Cingapura é um dos lugares mais seguros do Planeta.

    Espero um dia voltar lá.

  9. Pelamordedeus! O Brasil é “só” 11.894 vezes maior que Cingapura, que tem uma área menor que a metade da área da CIDADE de São Paulo.

    No caso, pau que dá em Lee Kuan Yew não dá em Chico não!

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