Entenda como Meirelles espera evitar que haja aumento de impostos

Henrique Meirelles

Charge do Baptistão, reproduzida do jornal El Pais

Wagner Pires

O ministro Henrique Meirelles disse que se o país crescer 2% em 2017 o aumento ou criação de tributos não ocorrerá. Diante dessa afirmação do condutor da política econômica, é preciso entender que a opção por aumento de tributos não foi descartada, de maneira alguma. Meirelles apenas colocou um fator condicionante. E qual é esse condicionante? Que a economia brasileira cresça no ritmo mínimo de 2% em 2017, para que não seja necessário o aumento da carga tributária brasileira.

Foi isso que foi dito! E por quê? Simplesmente, porque a previsão do Ministério da Fazenda para o resultado fiscal de 2017 é um déficit primário de R$139 bilhões, já contando com os ajustes e compensações advindos de um aumento de arrecadação via concessões e privatizações,  no conjunto do ajuste fiscal, que compreende também a delimitação do aumento das despesas orçamentárias de 2017 pela taxa inflacionária de 2016.

NÚMERO MÁGICO – Para 2017, a previsão feita pela equipe econômica é de que o PIB alcançará R$ 6,782 trilhões. Portanto, o déficit primário de R$ 139,0 bilhões (esperado para 2017), dividido pelo PIB previsto, de R$ 6,782 trilhões, dá exatamente 2%. Eis o número-chave de Henrique Meirelles – um déficit primário de 2% do PIB. [R$0,139/R$6,782 = 0,02 ou 2%]

A arrecadação tributária está linearmente ligada à expansão econômica, e o PIB é expresso em termos reais, isto é, acima da inflação. Isso significa que, se a economia crescer 2% (conforme condicionou Meirelles), a arrecadação acompanhará esse crescimento em termos reais, fazendo com que a geração de receita caminhe na mesma proporção do déficit primário, tendendo a anulá-lo.

É justamente esse equilíbrio no percentual de 2% – entre o déficit primário esperado e o crescimento econômico condicionante – que fará a equipe econômica descartar a majoração tributária.

PESSIMISMO – Pessoalmente, não acredito que vá haver tal crescimento. O mercado, por exemplo, está prevendo a possibilidade de um crescimento máximo de 1,1% em 2017. Para mim, entretanto, haverá uma estabilização, apenas. Crescimento nulo.

O cenário fiscal de médio prazo traçado pelo Ministério da Fazenda é o seguinte: I) para 2016, um déficit primário de R$ 170,5 bilhões (2,7% do PIB); II) para 2017, um déficit de R$ 139,0 bilhões (2,0% do PIB): III) para 2018, um déficit de R$79,0 bilhões (1,1% do PIB); IV) para 2019, um resultado fiscal nulo, isto é, nem déficit nem superávit.

DÍVIDA EM ALTA – Nesse cenário projetado, a União só será conseguirá gerar superávit primário para a retomada do pagamento dos juros da dívida pública a partir de 2020. Até lá a dívida vai crescer e acumular podendo chegar a 80% do PIB.

É preciso entender que o Congresso tem de votar a favor das medidas propostas pela equipe econômica do governo. Se isso não ocorrer, o país vai avançar sem peias para o abismo fiscal, e aí não restará outra alternativa senão a retomada do financiamento público por meio da emissão de moeda, com a consequência terrível de mergulhar o país, novamente, na hiperinflação dos anos oitenta.

Portanto, o país está nas mãos do Congresso, e os parlamentares federais precisam entender a gravidade da situação.

6 thoughts on “Entenda como Meirelles espera evitar que haja aumento de impostos

  1. MÁGICA! MAGÌCA! O poder foi tomado por criminosos e mágicos. Primeiro diziam que o Brasil passaria 20 anos para se recuperar. O Brasil já voltou a crescer, a bolsa subiu, o dolar caiu sinal que está entrando mais dólares. O petróleo subiu de preço. Os preços internos baixaram.O SUS está funcionando. A Zica foi embora, Dengue nã existe mais. É uma festa. Foi preciso Temer agente da CIA assumir o poder. “Estava tudo errado e eles consertaram em três meses”? Deve ser a orientação do Cunha.

    • Mais barato mesmo, Aquino, Comprei (estou vindo do supermercado agora) batata lavada, linda, a 2 reais e tal o quilo. Cenoura a 1 real e tal o quilo, cebola a 1 real e tal. E linda! O leite é que não baixou.
      Não olhei o feijão. Mas os legumes baixaram sim.

  2. É a mesma cantilena de sempre, ferre os aposentados para beneficiar o grande empresariado, agora vem este ministro Eliseu Padilha com ameaças ao aposentados e pensionistas com a reforma da previdência, não conhecem outro caminho, cobrem o que devem a previdência social que sobrara dinheiro, estamos sendo governados a decadas por incompetentes

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