Entenda por que a França é o maior alvo do terror e lá até padre é degolado

Kermiche e seu cúmplice: morte após assassinato de padre na Normandia Foto: Reprodução de vídeo

Estado Islâmico divulgou um vídeo com os assassinos do padre

Elaine Ganley
Associated Press

Quando extremistas ligados ao Estado Islâmico (EI) querem atacar a Europa, a França é o alvo favorito. Desde janeiro de 2015, ataques inspirados pelo EI mataram pelo menos 235 pessoas no país, mais que em qualquer outra nação ocidental. Cidadãos franceses e residentes no país realizaram a maior parte dos atentados, quase sempre utilizando táticas suicidas. Analistas concordam com a afirmação do presidente francês, François Hollande, de que o país é o principal alvo do terrorismo por sua reputação de berço da democracia moderna e dos direitos humanos. No entanto, apontam a história colonialista da França, suas tensões demográficas e políticas intervencionistas contra muçulmanos no exterior como as principais motivações por trás dos atos dos terroristas.

A França abriga a maior população muçulmana da Europa, e muitos deles cresceram falando o idioma local nos distritos mais pobres e alienados do país. A tentativa de promover a integração da população muçulmana a uma sociedade secular aumentou as tensões em diversas ocasiões, como nas proibições do uso de véus nas salas de aula, em 2004, e das burcas, em 2010.

“Aqueles que ficaram à margem da sociedade francesa são mais rancorosos que os imigrantes no Reino Unido e na Alemanha”, afirmou o sociólogo Farhad Khosrokhavar ao “New York Times”.

ANTIGAS COLÔNIAS – O Marrocos conseguiu sua independência em 1955, a Tunísia em 1956, e a Argélia em 1962. Mas assim como acontece na África Ocidental, onde o capital e as tropas francesas continuam a atuar ajudando governos amigos de Paris, a França nunca retirou completamente sua influência do Norte da África, mantendo um papel muito maior do que o desempenhado pelo Reino Unido em suas antigas colônias.

E essa atuação militar nas antigas colônias africanas aumentou durante o governo de Hollande, que em 2013 ordenou uma intervenção no Mali e ainda hoje mantém soldados espalhados pelo continente. Não é surpresa, portanto, dizem os analistas, que a maior parte dos responsáveis por ataques na França tenha laços familiares com o Norte e o Oeste da África, e não com o Oriente Médio.

Os filhos desses imigrantes africanos agora buscam atender ao chamado de recrutamento do EI em níveis bastante superiores aos de outras nações europeias. Cerca de mil cidadãos franceses, a vasta maioria deles descendentes de muçulmanos africanos, viajaram à Síria, ou foram detidos em sua tentativa, desde que o país — que também passou duas décadas sob domínio francês — entrou em ebulição há cinco anos. O EI, por sua vez, intensificou sua propaganda usando jihadistas francófonos em pelo menos nove comunicados emitidos nos últimos três meses, e pedindo que “seus soldados derramem o sangue dos porcos, destruam suas almas e façam a França tremer”.

CONTRA O ESTADO ISLÂMICO – Em resposta ao ataque que deixou dezenas de mortos em Nice no Dia da Bastilha, Hollande prometeu ampliar a participação francesa na coalizão que combate o EI no Iraque e na Síria. Alguns analistas, no entanto não veem na participação militar francesa um motivo para os ataques. Segundo eles, o país abriga a maior concentração de muçulmanos marginalizados do planeta, que enxergam sua pátria como um local pecaminoso e hostil às tradições islâmicas.

— Não sei dizer se o terrorista que atacou com um caminhão em Nice estava particularmente preocupado com os bombardeios sobre Raqqa — diz o analista François Heisburg, da Fundação de Pesquisa Estratégica.

Para Heisburg, ataques à população francesa utilizando terroristas locais deram ao EI a chance de agir com “sucesso garantido” contra uma nação que representa, aos olhos de seus líderes, “um alvo de descrença, heresia e apostasia”.

6 thoughts on “Entenda por que a França é o maior alvo do terror e lá até padre é degolado

  1. François Hollande, errou redondamente, a França nunca foi berço da democracia moderna ou dos direitos humanos. Na democracia os ingleses chegaram primeiro, nos direitos humanos : os franceses colaboraram com os nazistas, promoveram um massacre no Norte da Africa, só na Argélia, torturaram e massacraram 700.000 pessoas. Vejam um filme de Pontecorvo, a Batalha da Argélia. Os franceses detestam este filme, por óbvias razões.

    • Acho tão boba essa adoração que certas pessoas no Brasil tem por tudo que é britânico.

      A democracia moderna foi inventada na Grã-Bretanha? Na prática, o regime democrático era muito limitado, o direito de voto durante muito tempo foi tão limitado a ponto de grandes cidades cidades industriais como Manchester durante muito tempo não terem representantes no Parlamento, e na prática a vontade popular era cerceada pela aristocrática e não eleita Câmara dos Lordes.
      Muitos franceses (não todos) colaboraram com os nazistas porque a França foi ocupada. No único território britânico que foi ocupado pelos alemães,as ilhas do Canal da Mancha (não vou discutir filigranas sobre o status da cidadania de Guernsey e Jersey, são territórios britânicos de fato) as autoridades e policiais locais colaboraram sim com os nazistas, inclusive entregando judeus que viviam lá.
      Todos os europeus praticaram massacres nos paises que submeteram à colonização, não só os franceses. Os britânicos exterminaram a população nativa da Tasmânia, realizaram matanças na Índia (amritsar), no Quênia, na tentativa de debelar a revolta Mau-Mau, e, segundo alguns teriam inventado o conceito de campo de concentração, durante a guerra contra os Boers, na África do Sul. Veja-se ainda como os Ingleses trataram a população da sua vizinha Irlanda.

  2. A reportagem aborda um tema importante. Mas, é preciso olhar com mais atenção para um outro problema tão importante quanto este, ou talvez mais. Refiro-me ao jornal de propriedade de judeus (esqueço o nome), que escarnecia e anarquizava Mahomé semanalmente. O jornal foi atacado e morreram pessoas. Mas o jornal continuou escarnecendo Mahomé. É preciso entender que esse comportamento do jornal funciona como jogar gasolina em um incêndio. O jornal devia ser proibido de fazer esse tipo de reportagens.

    • Sr. Aquino, se não fosse aquele jornal, seria outro o pretexto que aqueles fundamentalistas encontrariam para se ofender. Estão aí os protestos quando se publica uma simples caricatura de Maómé que não me deixam mentir. Certíssimo fizeram os americanos que inventaram o Draw Muhammad Day (dia mundial de desenhar Maomé) na Internet, para se contrapor a este tipo de idiotice.

      Liberdade de Expressão é um dos pilares básicos, de qualquer sociedade livre. Mesmo nesta terra, onde eles ainda são tão capengas a ponto de existirem aqui e ali jornalistas defendendo a censura- o que me faz perguntar se são mesmo jornalistas- a situação é bem melhor do que nos países em que não se pode dizer um ái sem a aprovação do governo. Ficou na dúvida? Dê uma olhada na condição de vida da população desses países em que tudo é proibido em nome de se proteger o ego dos governantes.

  3. Tanto rodeio para não chegar ao óbvio: a França é o “alvo favorito” dos atentados simplesmente porque “abriga a maior população muçulmana da Europa”.

    Cada islâmico é uma ameaça em potencial. Mais islâmicos=mais atentados. Simples assim

    O islamismo não é uma religião, é uma ideologia da morte.

  4. O islã é um terreno fértil para o surgimento de terroristas. Muçulmanos são como tanques de gasolina: parecem inofensivos até que encontrem o fogo, e então explodem! Eles aprenderam e acreditam que MATAR é uma ordem de Alá e que serão recompensados se matarem os “infiéis” com 72 virgens no PARAÍSO!!! Então eles matam para provar sua devoção a Deus (Alá)! Eles AMAM mais a MORTE do que você ama a sua vida! Eles crêem em uma fé assassina, imitam e cultuam um profeta assassino: MAOMÉ!
    Quando deixamos os muçulmanos viverem em nosso meio, estamos convidando nossos próprios assassinos!
    Está provado que o islã NÃO É compatível com o mundo ocidental, pois os muçulmanos não sabem viver em paz e harmonia com os não-muçulmanos.

    Não se engane. NÃO EXISTEM MUÇULMANOS MODERADOS!!!

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