Entenda por que transporte ferroviário e metroviário é tão boicotado no Brasil

Charge da Ultima Hora (Arquivo Google)

Francisco Vieira

Como eu gostaria de deixar o carro em casa e ir trabalhar de metrô, lendo jornal ou um livro, como fazem os cidadãos dos países civilizados, e nunca mais pagar um IPVA para receber em troca multas e buracos! Como eu gostaria de colocar meu carro em um vagão de um trem, embarcar em outro vagão ou avião, e tirar o carro lá no litoral, sem ter corrido o risco de ter batido de frente em algum caminhão, nem ter ficado estafado.

Mas… este é o preço que pagamos por termos um Supremo que engaveta processos contra políticos mercenários que defendem os interesses do transporte automotivo num país da extensão do Brasil.

Se construírem ferrovias (e, por acréscimo, metrôs) e se os motoristas puderem deixar os automóveis em casa até baixar o preço da gasolina, ou, até mesmo não comprar um carro novo, pegar o dinheiro economizado e investir na própria qualidade de vida, como sobreviverão as montadoras de automóveis, os parlamentares que recebem propina pelos “incentivos fiscais” e os donos dos postos de gasolina?

Como ficariam os lucros dos que exploram os brasileiros através da produção e venda de pneus, combustíveis, lubrificantes e autopeças, que sofrem inexplicável e impune superfaturamento nas revendas “autorizadas”?

ARRECADAÇÃO – Qual seria a queda de receita do Estado se os brasileiros, que hoje estão endividados por financiamentos, tivessem à sua disposição um transporte público decente, vendessem o carro financiado, não comprassem outro e ficassem livres de pagar IPVA, seguro obrigatório, seguro feito pela seguradora, multas de trânsito e prestação do veículo?

Com o advento das ferrovias e metrôs, como viveriam os donos das empresas de ônibus urbanos, intermunicipais e estaduais, que são financiadores e cúmplices dos governantes?

Como as transportadoras de carga poderão agradar aos governantes locais se o transporte for feito por linha férrea, o que prejudicará, até mesmo, os pedágios dos amigos – que já têm contrato feito por “200 anos”? E as seguradoras de automóveis, que chegam a cobrar até 10% do já superfaturado valor do veículo por um ano de seguro?

E OS DETRANS? – Por fim, como ficarão os Detrans? Como lucrarão sem arrecadar impostos ou poderem multar por excesso de velocidade ou pelo motorista ter tomado uma simples lata de cerveja antes de ocupar o volante?

Como podemos ver, o único beneficiado pela implantação do transporte ferroviário e metroviário seria o cidadão. Isso explica por que esse tipo de transporte nunca foi incentivado e acabou sendo boicotado abertamente no Brasil, a partir do governo de Juscelino Kubitschek.

Em terra, não existe transporte público decente que não seja o metroviário/ferroviário. O resto é conversa fiada de políticos e governantes lobistas.

17 thoughts on “Entenda por que transporte ferroviário e metroviário é tão boicotado no Brasil

  1. Quem já esteve na Europa ou outro país que possua metrô de verdade, acaba ficando “viciado”, pois sempre podemos deslocar para qualquer parte e chegar tranquilos, aqui nesse chiqueiro, em primeiro os preços dos automóveis, são hiper faturados, o preço de um Ford Ka nos Estados Unidos (zero Km) é metade do mesmo Ka montado nessas terras, sem falar sobre os Detrans, um órgão onde a corrupção corroí feito ácido, de fato os perdedores desse nosso sistema mofado que é elogiado pelos políticos, e só por eles é o cidadão, um manso nato!

  2. Faltou falar nos mais de 5.000 km de costa e inúmeros rios que podem ser navegados.
    Às 6 horas da tarde, em Florianópolis, é muito estranho olhar para a Ponte congestionada enquanto no mar da baía não se vê uma única canoa entre a Ilha e o continente separados por poucas centenas de metros. E isso se repete em todo o Brasil.

  3. A meu ver, o ilustre Autor Sr. FRANCISCO VIEIRA incorre no engano de considerar as Indústrias de Transporte Rodoviário, Ferroviário, Naval e Aérea, como um jogo de soma zero, o que uma ganha, a outra perde. Não é assim.
    Todas deveriam crescer harmonicamente e se desenvolver conforme as Leis da Demanda e Oferta determinarem.

    Agora, aponta muito bem o Sr. FRANCISCO VIEIRA que no Brasil, estamos muito atrasados na Indústria Ferroviária/Metroviária, e deveríamos investir prioritariamente nesse setor, mas sem desatenção das outras Indústrias.

    Prova disso é que os EUA, Inglaterra, Canadá, Austrália, Japão, Países Escandinavos, Europa, etc, enfim as Economias mais harmonicamente desenvolvidas, tem a mais densa rede Ferroviária do mundo, mas também a maior Indústria Automobilística, Naval e Aérea.

    A meu ver, o que o que dificulta o desenvolvimento nos Países pobres ( sub-Capitalizados) como o Brasil, Renda perCapita +- US$ 10.000, é que a Indústria Ferroviária/Metroviária, que a longo Prazo é +- 5 vezes mais Econômica que a Rodoviária, é +- 10 vezes mais cara na sua implantação. Daí que opta-se por um ganho de Curto Prazo, em troca de uma perda muito maior a Longo Prazo. Como as Administrações Públicas Democráticas são de +- Curto Prazo, NINGUÉM que plantar, para outros colherem.

  4. O sucateamento da já escassa malha ferroviaria é parte importante do problema.

    Brasília é um símbolo: muitas famílias que mal têm onde morar, acumulam diversos carros e dívidas colossais que amarram a sua vida.

    Eu vivo sem carro e opto pelo metro, estudando, lendo a tribuna, o hélio, notícias e gramática em vários idiomas, a bíblia traduzida em várias línguas, livros espíritas e budistas, literatura, direito, administração, engenharia, medicina…

    Durante as viagens ou os percursos longos de caminhada, me vêm os melhores planos para o trabalho, a vida pessoal, ideias de artigos, análise e direção para os meus investimentos.

    Transporte público é qualidade de vida.

    Mas pego fora dos horarios de pico (em que a população sofre como gado) e vou até a estação final para seguir sentado, confortável e longe da muvuca, assim como faz o maior investidor brasileiro da bolsa, aquele simpático, simples e genial bilionário que circula de metro por São Paulo.

    Enquanto o caos impera e o interesse e o desinteresse se aliam em nosso desfavor e a cultura automobilística de uma classe média endividada e tacanha de parca educação financeira despreza o transporte público, sigamos nossos sonhos construindo riqueza e independencia pessoal com trabalho e investimento.

    Todos conhecem os gargalos, mas é sempre salutar relembrar.

  5. O maior erro do Juscelino, foi escancarar as portas para as indústrias automotivas estrangeiras, sem incentivar a industria nacional de veículos.
    Se desde o governo Juscelino, cada governo seguinte fizesse uma pequena parte de ferrovias, hoje teríamos uma grande malha ferroviária, e aos poucos o transporte rodoviário iria se ajustando, não haveria choque. Está na hora de iniciar-se um projeto de ferrovias…

  6. Venero JK, mas creio que ele realmente errou nesse aspecto. FHC acabou de afundar de vez, vendendo as linhas remanescentes como ferro velho. O Brasil deve ser o único país do mundo em que a malha ferroviária, ao invés de crescer, diminuiu, para não dizer desapareceu. Havia trens no Nordeste, em SP todo, do Rio para SP, de SP para Santos. Mesmo lentos, era muito bom. Triste.

  7. Muito pertinente a abordagem do ilustre articulista, Sr. Fancisco Vieira, acerca do tema.

    Parabéns por explicitar tais considerações sobre uma grande verdade.

    Cordialmente,
    Christian.

  8. O artigo de Francisco Vieira serve como alerta às “autoridades” quanto à falta de criatividade no transporte público.

    Não há meio de locomoção mais barato e rápido que o trem, ultrapassando em celeridade alguns trechos ao avião, surpreendentemente, ainda mais com os velocíssimos trem-bala!

    Dito isso, não posso e não devo atribuir a JK não termos ferrovias que rasgassem este país nos seus quatro cantos!

    Quando Juscelino decidiu construir Brasília, o modo mais rápido de se chegar ao Planalto era por rodovias, aproveitando as que existiam para somente ampliá-las.

    Evidente que muitas estradas novas surgiram, Belém/Brasília, Brasília/Salvador, afora a contribuição indiscutível de aproximar as regiões, antes absolutamente separadas pelo tamanho continental deste país.

    Agora, depois de JK, preciso lembrar que a eleição de Jânio desencadeou a sua renúncia no mesmo ano, e a dificuldade que Jango assumiu, havendo o famoso episódio da Legalidade, no RS, quando Brizola decidiu enfrentar aqueles que não queriam o vice assumindo a presidência da República.

    Curiosamente, os militares que de fato desenvolveram o Brasil em estradas, pontes, viadutos, elevadas e túneis, deveriam também investir em ferrovias, o que não aconteceu.

    Quem criou uma estrada de ferro foi Sarney, Norte-Sul ou a Ferrovia do Sarney, um monumento à inépcia, pois até hoje devem ter construído meia dúzia de quilômetros apenas.

    Collor deve ter comprado um Ferrorama, diante da sua bisonha e infantil maneira como governou o Brasil, FHC somente se preocupou em vender as estatais, Lula imaginava quando se falava em “trem” que era a célebre expressão mineira para qualquer coisa e, Dilma, de tanto usar este bordão da sua terra não teve a menor vontade de propor uma ferrovia ou a continuidade da Norte-Sul!

    No governo da presidente petista ela chegou a comentar sobre o Trem Bala, certamente pensando que era uma guloseima em forma de caramelo, então também nos 14 anos do PT o trem sequer apitou, quanto mais andar nos trilhos!

    Dessa forma, acusar JK desta omissão criminosa de presidentes civis e militares que lhe sucederam sobre a nossa clara deficiência de transportes ferroviários é uma clamorosa injustiça, a meu ver, pois depois do mineiro tivemos Jânio, Jango, Castelo Branco, Costa e Silva, Garrastazú, Geisel, Figueiredo, Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula, Dilma e Temer, ou seja, catorze presidentes, que nada fizeram neste sentido!

    Isento JK completamente neste aspecto, pois o seu objetivo era construir a capital brasileira, e não implantar uma malha ferroviária. Ora, que seus sucessores tratassem de ampliar as estradas e inaugurar Estações de trem ao longo do país.

    • Prezado Bendl,
      Concordo com você,, sou um admirador do governo JK., que em 5 anos adiantou o Brasil em 50 anos. É preciso considerar a base deixada por Getúlio Vargas, sem a qual JK não teria condições de fazer o que fez.
      Na minha opinião, o único erro dele foi não incentivar amplamente a indústria nacional de veículos, Chegou a dar um impulso a FNM., que os militares acabaram destruindo e mais outras pequenas indústrias automobilísticas.
      JK fez com competente sua parte, caberia aos governos seguintes, fazer sua parte.Se desde o governo JK, cada governo fizesse um trecho de ferrovias, hoje o Brasil teria uma grande malha.
      Um abraço, saúde e paz

      • Meu caro Jacob,

        Temos o direito de nos deixar levar pela emoção, neste caso indignação e revolta, com relação à falta de criatividade e nacionalismo pelos presidentes eleitos e não eleitos após JK, sobre a falta que as ferrovias fazem para esta terra de dimensões continentais, mas não podemos culpar Juscelino por esta carência em transporte no país!

        Juscelino não merece as críticas quanto não termos trens que viajem pelo Brasil, mas ser reconhecido pela sua obra grandiosa ao construir Brasília, e proporcionar a milhares de brasileiros à época, a esperança de trabalho, desenvolvimento pessoal e profissional e, consequentemente, um povo realizado.

        Na condição de testemunha desse crescimento que experimentamos, porque em 1.959, antes da inauguração da nossa nova capital, eu descia na Rodoviária do Plano Piloto com a minha mãe e irmão com fé e determinação de encontrarmos uma oportunidade de vida, Brasília se tornou o último “Eldorado” do planeta, e atraindo investidores e empreendedores de vários países!

        Não houve tempo, Jacob – lembro que não havia a reeleição -, para que JK terminasse a sua obra imortal, que possibilitou a felicidade para milhares de brasileiros, e que elevou o mineiro a ser tão admirado e reverenciado pelo Brasil!

        Um abraço, meu amigo.
        Saúde e Paz!

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