Entra governo, sai governo, e a reforma agrária realmente não avança no Brasil

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

“Criança! não verás nenhum país como este!” – os versos do poeta nacionalista Olavo Bilac jamais foram tão verdadeiros como agora. Em meio à esculhambação institucional, o agronegócio fala mais alto e sustenta a economia brasileira, apesar do descaso com que sucessivos governos vêm tratando o mais importante segmento econômico. Lembremos que, a pedido do governo petista, o BNDES, com a maior facilidade, possibilitou que Cuba construísse um dos mais modernos portos do mundo, mas esqueceu de investir na modernização dos portos brasileiros, assim como na construção de ferrovias e rodovias destinadas a agilizar as exportações dos produtos alimentícios brasileiros.

CONDIÇÕES IDEAIS – Em matéria de produção agroindustrial, nenhum país do mundo possui condições de concorrer com o Brasil, cujo potencial no setor só tende a se expandir, apesar do descaso das autoridades.

O país tem as mais extensas terras agricultáveis, em condições ideais de luminosidade, que permitem várias safras anuais, e dispõe da maior reserva de água doce do planeta, na superfície e no subsolo, para irrigar a baixo custo as plantações.

Além disso, desenvolve avançada tecnologia própria através da Embrapa, criada pelo engenheiro agrônomo Alysson Paulinelli, o melhor ministro da Agricultura possível e imaginável.

CAMPEÕES NACIONAIS – Com o avanço da Lava Jato, veio à tona o escândalo do favorecimento do grupo Friboi, que em poucos anos se tornou o maior produtor de proteína animal. Os irmãos Batista entenderam a mensagem de Geraldo Vandré (“quem sabe faz a hora”) e entregaram o sistema de corrupção que favoreceu o crescimento da empresa,  altamente benéfico ao país.

Na verdade, a política dos campeões nacionais é adotada no mundo inteiro e explica o desenvolvimento mágico de países como Japão, Coréia do Sul ou China. E BNDES embarcou nessa por indução do então presidente Carlos Lessa, que em 2003 introduziu no banco esta proveitosa política nacionalista, exaltada agora pelo atual presidente Paulo Rabelo de Castro, ao admitir que apoiar a Friboi foi o melhor negócio que o BNDES já fez…

PROPINAS DO PT – O que Lessa não conseguiu prever foi a criação do macroesquema de propinas no governo do PT, que inicialmente não atingiu o BNDES. Somente na gestão de Guido Mantega é que o banco foi corrompido. Mesmo assim, a propina era distribuída diretamente ao PT e à base aliada, abrangendo 1.829 políticos de 28 partidos, incluindo legendas de oposição ao governo petista, como PSDB, DEM etc, numa promiscuidade surpreendente.

Se pagava propinas também no BNDES, Joesley ainda não revelou. Pelo contrário, disse à Lava Jato que foi chantageado por Eduardo Cunha, que ameaçou abrir uma CPI do BNDES, mas deu errado, porque o empresário lhe respondeu que a Friboi não seria  atingida por nenhuma investigação sobre o banco estatal.

REFORMA AGRÁRIA – Nesta terça-feira, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra  invadiu simultaneamente terras da família do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, do empresário João Baptista Lima Filho, coronel reformado da PM e amigo do presidente Temer, e de Ricardo Teixeira, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol.

Caso sejam terras improdutivas, o MST merece apoio incondicional. “Fazendas” existem para “fazer”, precisam justificar a denominação etimológica. Terra improdutiva não é fazenda, pois nela não se está fazendo nada. Portanto, a propriedade deve ser altamente taxada e estar sujeita à desapropriação para reforma agrária com elevado deságio na avaliação. Simples assim. O que não pode é existirem áreas permanentemente improdutivas, enquanto houver camponeses sem terras para produzir. É apenas uma questão de lógica e humanismo. O fato concreto é que entra governo, sai governo, e a reforma agrária não anda.

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P.S. 1 – Terminamos este artigo citando um comentário de Antonio Carlos Fallavena: “Interessantes mesmo são os dados, pouco claros, da reforma agrária. Quanto lotes já foram vendidos? Quantos militantes reingressaram nas fileiras, depois de vender lotes? Quanto custou a reforma agrária? Sempre defendi a reforma agrária, mas de forma diferente. A terra é tão importante para um país que, ao invés de propriedade da terra deveríamos adotar o “uso da terra”. Enquanto tiver usando e tendo resultado, usa a terra. A terra para agricultura e pecuária deveria ser propriedade de todos os brasileiros e para uso de quem planta e cria. Assim, terminaríamos com a vigarice dos latifúndios improdutivos”.

P.S. 2Cuidado, Fallavena… Se o filho do Bolsonaro ler este comentário seu, você pode ser tachado de comunista e ir para a cadeia, nos termos do projeto de lei que tramita no Congresso para criminalizar o comunismo. (C.N.)

8 thoughts on “Entra governo, sai governo, e a reforma agrária realmente não avança no Brasil

  1. Tai uma coisa totalmente anacrônica e que se não funcionou no passado, agora mesmo é que não funcionará.
    Esta tal de reforma agrária nos moldes que é colocada, se perdeu no tempo. No inicio do século 20, la no México, revolucionários como Pancho Vila e Emiliano Zapata, pregavam a distribuição de terras aos camponeses, que trabalhavam na própria terra mas não eram proprietários.
    As terras pertenciam aos latifundiários que os exploravam.
    Os atuais sem terras brasileiros, a maioria sequer é do meio rural, são trabalhadores urbanos, moradores das periferias, recrutados para objetivos políticos.
    Quem vive no meio rural, sabe que dar um pedaço de terra a um indivíduo, uma foice e uma enxada, não contribuirá em nada para tira-lo da miséria, portanto só deseja reforma agrária, quem não conhece o meio.
    O governo deveria esquecer estas “soluções líricas” desejadas por saudosistas e partir para a verdadeira equação do problema agrário, que a exemplo das cooperativas agrícolas, tem modernizado a vida no campo, tornando agricultores pessoas com renda e padrão de vida
    de primeiro mundo.
    Hoje no campo, o que resolve é a parceria entre os envolvidos e ao invés de “picar” a terra entre muitos minifúndios, deveria é se fomentar a criação de empresas agrícolas, operadas pelos atuais sem terra, e supervisionada por organismos próprios do governo.
    As palavras “reforma agrária e burguesia”, são termos que só sobrevivem na cabeça da esquerda lunática e atrasada.
    Na primeira metade do século 20, o comunismo se aliou a capitalismo e derrotou o nazismo, porém até hoje persiste a dúvida, quem teria matado mais pessoas, nos três regimes.
    Se a guerra tivesse sido vencida por Hitler, o proscrito hoje seria o comunismo, mas o vencedor é quem sempre tem razão.

  2. Excelente artigo,. A nota do P,S, 2 é verdadeira; durante a ditadura quem defendesse a reforma agrária, o governo de João Goulart, a lei de remessa de lucros, ou fosse contra a política dos EUA, era taxado de comunista.
    Reforma agrária, é um processo, que não é somente dar a terra para o trabalhador rural. Esperar até a colheita, que leva meses, como o trabalhador vai viver durante essa espera? por isso muitos acabam vendendo as terras. O que a maioria dos governos vem fazendo é assentamentos sem um mínimo de apoio dos governos, para que o trabalhador possa produzir. Fazer simplesmente assentamentos, não é reforma agrária

  3. Há décadas fala-se em reforma agrária, o único que fez alguma coisa foi Getúlio Vargas e Leonel Brizola no sul, o congresso está cheio de latifundiários parlamentares, qual interesse que teria de aprovar um projeto decente, nenhum, o pequeno agricultor sem incentivos, vende seu pedacinho de terra e vai trabalhar para este corruptos latifundiários, pobre Brasil.

    • Roberto, concordo com seu comentário.
      Com esses três podres poderes e um sistema arcaico e elitista, o Brasil não decola de jeito algum.

  4. A reforma agraria do Brizola está documentada no livro de David Nascer sob o título de Joao Sem Medo.

    Trata-se de um debate entre Brizola e João Calmon na antiga Tv Tupi. O livro relata com detalhes, a “mini reforma agraria” feita por Brizola na fazenda Pangaré. Terras de sua propriedade. Dizendo-se não ser homem de
    nogócios, diz que dividiu a fazenda ao meio, vendendo uma das metades a diversos homens do campo,por módicas quantias, para serem pagas em 20 anos.

    Calmon, resolveu conferir. Foi ao Sul e nos Cartórios apurou o seguinte: Brizola comprou a fazenda Pangaré por 1000 – número hipotetico para facilitar o entendimento – Vendeu a metade por 2000 a diversos pequenos proprietarios, para que fossem pagas em 20 anos. Só que como governador, trocou todos os titulos no Banco do Rio Grande do Sul em dinheiro vivo. Belo negócio

    Para Carlos Lacerda passou a ser o Pangaré do Sul.

  5. Vocês sonham demais, reforma agrária só funciona com a implantação de comunismo e no final quem fica com as terras é “os amigos dos reis” como aconteceu na Venezuela.
    No final que se ferra é justamente aquele que estava “na linha de frente” apanhando.

  6. O inusitado é que se afirma que as terras rurais deveriam ser publicas e usadas por quem produz. Por que só terras rurais ? Por que não os apartamentos das cidades também nao podem ser publicos e , se não usados, dados aos sem-teto? Por que não as lojas, as fábricas , os dinheiros depositados nos bancos ? Se não estao sendo usados para “fins públicos” , então que sejam expropriados , segundo o mesmo raciocínio. E é por conta dessa gente , que não sabe a diferença entee um boi e uma vaca, que não vamos nunca sair desse buraco em que estams.

  7. Duas coisitas para pensar: Na fazenda de “Temer da Mala” em nome do coronel João Batista Filho, antes de qualquer coisa deve ser feita uma revista rigorosa para descobrir os cadáveres de torturados que porventura ali tenham sido enterrados. Porquê digo isso: Porquê o coronel Ultra (o maior torturador da históeia brasileira frequentava o local sempre acompanhado). Ninguém sabia quem eram os acompanhantes. Será que alguns deles estão enterrados na fazenda? Não sei estou apenas perguntando. Outra coisita: Blairo Maggy é “dono de terras do tamanho da Belgíca. Vem de Cuabá a Santarém na foz do rio Tapajós com Amazonas. Ele foi a China com Temer da Mala e ofereceu grandes áreas de suas terras aos chineses. Só para não esquecer: Blairo “grilou terras dos índios que ajudaram o coronel Cândido Rondon a demarcar o Brasil nos primeiros anos do Século XX Rondon reservou uma área para os índios, que ficou esperando a demarcação e homologação desde 1912. Blairo surrupiou a maior parte das terras. Hoje passam até estradas nas terras que deviam ser dos índios. (Vou me lembrar o nome da tribo). Esse é o Brasil de “Temer da Mala”. Mandou invadir tudo. Se houver resistência: morte, morte, sejam índios, sejam sem terras e comunidades de descendentes de negros.A lei da reforma agrária foi extinta. Temer parece ser do “Estado Islâmico”.

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