Envolvido no escândalo do Ministério do Esporte, o governador de Brasília sofre um ataque de amnésia.

Carlos Newton

Em meio à sucessão de denúncias, o governador do Distrito Federal e ex-ministro do Esportes, Agnelo Queiroz, ao tentar rebater as acusações do atual ministro Orlando Silva, teve um súbito ataque de amnésia. Não se lembra de ter sugerido a seu sucessor que recebesse o então correligionário João Dias Ferreira, o PM milionário cuja ONG firmou convênio fraudulento com o ministério. Detalhe: na época, os três eram do mesmo partido, o PCB. Depois, Agnelo Queiroz passou para o PT e se elegeu governador, com apoio de Lula.

Ontem, Queiroz disse não lembrar de ter encaminhado o PM a Orlando Silva, ainda que tenha identificado João Dias Ferreira como ex-colega de partido, o PCdoB: “Sequer lembro disso, imagina se vou me lembrar de todas as pessoas que encaminho para as áreas respectivas. Se ele (Orlando) lembra, tudo bem. Mas não há maldade em receber as pessoas e executar projetos dentro da lei. Conhecia o policial, que foi candidato a deputado e fez campanha com minha coligação. É uma relação política”, alegou o ex-ministro, que está sendo acusado de corrupção pela Polícia Federal, em processo que começa a tramitar no Superior Tribunal de Justiça.

Queiroz, que chegou ontem à Suíça para acompanhar o anúncio das datas e locais dos jogos da Copa do Mundo de 2014, afirmou que as denúncias sobre sua participação em esquemas de desvio de verbas em seu ministério não são de sua responsabilidade.

“Passei seis anos no ministério e, quando saí, tive minhas contas todas aprovadas pelo Tribunal de Contas da União. Não houve um único processo contra mim, nem de Segundo Tempo nem de outra coisa. Essa é a realidade de meu mandato. Fora disso, quem responde é o próximo ministro. A responsabilidade é dele” – disse o governador ao repórter Fernando Duarte, de O Globo, que se encontra em Zurique.

O governador também comentou as acusações de que recebeu R$ 256 mil em propinas como parte das fraudes do Segundo Tempo, um programa de repasse de verbas para ONGs ligadas ao esporte, criado na gestão dele no ministério. Segundo o ex-ministro, trata-se da mesma acusação feita durante a campanha eleitoral de 2010 por sua principal adversária, Ueslian Roriz, mulher do ex-governador Joaquim Roriz. E Queiroz diz que agora a denúncia deve ser investigada, como forma de encerrar o que classificou como uma acusação pueril.

Embora tenha se esquivado de críticas a Orlando Silva, com quem disse ter uma ótima relação, Queiroz fez questão de assinalar que seu sucessor foi quem conduziu a maioria dos projetos do Segundo Tempo nos tempos em que Orlando Silva ocupou a secretária-executiva do ministério. O governador, porém, não acredita que as denúncias sejam represálias por parte de seu sucessor.

“Temos uma ótima relação com o ministro e bastante sintonia com o Ministério do Esporte. Não acredito que a denúncia tenha vindo dele (Orlando Silva). É um caso muito baixo, ele jamais estimularia uma coisa dessas”, declarou.

No entanto, quando perguntado se o sucessor deve sobreviver ao escândalo, o governador foi evasivo: “Hoje sou governador do Distrito Federal. Não posso entrar em méritos dessa ordem”.

Traduzindo: ninguém mais defende o ministro Orlando Silva.

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