Era previsível: Temer e Meirelles começam a se desentender, por causa dos juros  

Charge do Gilmar (gilmar.blogosfera.um.com.br)

Carlos Newton

Não há dúvida de que a nomeação de Henrique Meirelles para o Ministério da Fazenda foi um dado positivo para o presidente Michel Temer, especialmente porque Lula também tentou fazer com que ele assumisse o comando da equipe econômica do governo Dilma Rousseff, mas o convite foi recusado. O fato é que Meirelles comporta-se como um profissional que sabe acalmar o mercado, e o resultado tem sido animador, com o dólar em baixa e a Bolsa de Valores em alta, a economia já está dando sinais de recuperação, sem a menor dúvida.

Em meio a esse quadro animador, surgem as primeiras divergências entre Temer e Meirelles, por causa das taxas de juros. Esses desentendimentos eram previsíveis, porque Temer é um político, enquanto Meirelles é um banqueiro, seus pontos de vista são antípodas, como se dizia antigamente.

JUROS ABSURDOS – Como chefe do governo, Michel Temer quer baixar as taxas de juros, para incentivar a retomada do consumo. Para alcançar esse objetivo, já pediu que a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil diminuam seus juros. A Caixa já aceitou, o BB ainda não se pronunciou, mas deve acatar a ordem de quem está de posse da caneta.

Meirelles não disse nada, mas não gostou da intromissão na política econômica, porque exigiu condução autônoma. Por coincidência (embora isso não exista em economia…), nesta quarta-feira à noite o Banco Central decidiu manter a taxa básica Selic no patamar de 14,25%, que faz a festa dos rentistas, que acreditam na balela da existência de um capitalismo sem risco, à moda brasileira.

A BRIGA VAI AUMENTAR – A tendência é de que essa rusga entre Temer e Meirelles continue aumentando, se os juros forem mantidos na estratosfera financeira. No caso, Temer tem razão, porque a demanda está diminuindo perceptivelmente e a inflação deve ceder, e os juros não precisam ficar tão altos. Mas o senhor dos anéis chama-se Meirelles e o clima pode esquentar em pleno inverno. Vamos aguardar.

De qualquer forma, se o presidente realmente pretende tirar a população do sufoco, deveria pedir uma providência bem mais simples e humana à Caixa e ao BB, solicitando que reduzam os juros cobrados nos cartões de crédito e no cheque especial, que hoje estão superiores a 16% ao mês, o que significa mais de 400% ao ano, propiciando enriquecimento ilícito das instituições bancárias, uma situação inusitada que não existe nos demais países civilizados, como se fosse uma jabuticaba financeira.

Se os dois grandes bancos oficiais baixassem os juros dos cartões de crédito e dos cheques especiais para  5%, que já representam flagante usura, essa redução significaria um alívio para os 60 milhões de brasileiros que estão em situação de inadimplência.

É APENAS DELÍRIO – Tudo isso, é claro, não passa de um delírio do jornalista, que tem mania de dar palpite em tudo. Mas é óbvio que, caso essa providência fosse tomada pela Caixa e pelo BB, os bancos privados teriam de seguir o exemplo e reduzir drasticamente os juros do cheque especial e dos cartões de crédito, para não perder clientes.

Também é óbvio que Temer tem razão em querer usar a Caixa e o BB como instrumentos de política econômica, porque são órgãos públicos. Não há motivos para deixar de utilizá-los, desde que sejam respeitadas a Constituição e a Lei de Responsabilidade Fiscal. No caso da presidente Dilma Roussseff, ela usou e abusou da Caixa, do BB e do BNDES. Porém, fê-lo fora da lei, como diria Jânio Quadros. E por isso está sendo alijada do poder.

14 thoughts on “Era previsível: Temer e Meirelles começam a se desentender, por causa dos juros  

  1. TANTO TEMER QUANTO MEIRELLES DEVERIAM USAR O BOM SENSO E VER O ÓBVIO: OS JUROS DO CHEQUE ESPECIAL E DOS CARTÕES DE CRÉDITO ESTÃO INADMISSÍVEIS. MOREI MUITO TEMPO NOS ESTADOS UNIDOS E VERIFIQUEI QUE A SITUAÇÃO DOS AMERICANOS É BEM MAIS CÔMODA QUE A NOSSA.

  2. Embora, como tem demonstrado o Wagner Pires e o Bortolotto, não adiante estimular o crédito no momento arual da economia, a baixa dos juros extorsivos dos empréstimos já existentes (cheque especial e cartões de crédito) diminuiria a inadimplência e, aliviando a situação financeira dos devedores, poderia trazer uma maior disponibilidade que aumentaria um pouco a demanda, que por sua vez seria atendida pela capacidade ociosa que existe hoje, sem maior efeito inflacionário e estimulando a economia. Seria como uma transferência de renda dos bancos para o resto da economia, com benefícios para todos.

  3. Caro Newton, os juros a 400% ao ano, é crime constitucional na “ECONOMIA DO POVO”, A DIVIDA PÚBLICA, CHAMA-SE “INCOMPETÊNCIA E CORRUPÇÃO” DO GERENCIAMENTO DO “SUOR E LÁGRIMAS DO TRABALHADOR QUE RALA PARA SOBREVIER NESSE OCEANO DE LAMA, O ZÉ E MARIA POVINHO É GATUNADO 2 VEZES, EM 06 MESES DE SEU SALÁRIO MISERÁVEL EM IMPOSTOS; NOS DIREITOS BÁSICOS DA CIDADANIA:SAÚDE, EDUCAÇÃO, ETC. (OS 12 MILHÕES DE DESEMPREGADOS, QUE REPRESENTAM 48 MILHÕES – FAMILIA DE 4 PESSOAS, SOBRECARREGA FAMILIARES E AMIGOS, PARA NÃO MENDIGAR NA RUA!!!.
    QUE DEUS NOS SOCORRA, MAS FAÇAMOS NOSSA PARTE, NÃO REELEGENDO PARA MUDARMOS ESTE DESTINO DO FUNDO DO POÇO, QUE OS GOVERNOS HIPÓCRITAS ESTÃO NOS LEVANDO, CHEGA DE SUOR E LÁGRIMAS, DEUS NOS DEU UMA CASA RICA, MAS…A CORJA SE INSTALOU, E O POVO SE DANOU!

  4. Caro Newton, grato pelo BLOG,nosso Jornal/Boletim de junho, publicou dando o devido crédito ao Dr. João A. Belem pag. 2, ao Antonio Rocha Pag. 5. Pedro do Couto pag 7.
    Aos amigos da TI, que DEUS abençoe a todos iluminando suas mentes e PAZ no coração, para servir com AMOR FRATERNO.
    Nos sentiremos honrados, pelo acesso: http://www.aacg.org,br,
    A publicação na internet será feita normalmente aos 15 dias do mês, pois dependemos de amigo.
    Mais uma vês agradeço a todos.

  5. O grande e experiente Jornalista Sr. CARLOS NEWTON, nosso incansável Editor/Moderador chama atenção neste excelente Artigo de que: “Era previsível: TEMER (75) e MEIRELLES (70) começam a se desentender, por causa dos Juros”.
    Mas isso é bom, porque TEMER representando a POLÍTICA/URNAS, e MEIRELLES os MERCADOS/TEORIA ECONÔMICA, interagindo, produzem as melhores soluções, como sempre nos ensina o experiente DELFIM NETTO (89).
    A POLÍTICA sozinha redunda em Demagogia/Ineficiência, e no fim Estado Falido e perda das preciosas Liberdades Individuais. Os MERCADOS sozinhos, sem adequada REGULAÇÃO EFICIENTE, nos levam a extrema concentração e centralização do CAPITAL, DESEMPREGO, e enfraquecendo muito a DEMANDA, causam a auto-destruição dos mesmos MERCADOS.
    O grande Lord KEYNES já dizia nos anos 30´, que o desafio do futuro seria: “JUSTIÇA SOCIAL, EFICIÊNCIA ECONÔMICA tudo isso preservando-se as LIBERDADES INDIVIDUAIS”.
    E isso só se dá com URNAS X MERCADOS.

    Os ilustres Colegas acima, Srs. ANTONIO CORREA FILHO e WILSON BAPTISTA JUNIOR, chamam atenção de que: uma intervenção pontual do Banco Central no Mercado de Juros dos Cartões de Créditos/Cheque Especiais, trariam um alívio aos Devedores e estimularia a Demanda, medidas apontando para o lado certo.
    O problema é que nossa Presidenta DILMA (68), Pessoa de Personalidade extremamente forte, INTERVIU tanto nos Mercados ( Juros, Energia Elétrica, Combustíveis, Câmbio, Desonerações, etc,etc,) que gerou INCERTEZAS TAIS na Economia, que paralisou tudo. E a INCERTEZA é a maior inimiga do Investimento.
    Agora fica muito difícil para o Governo TEMER intervir no Mercado de Juros, sem levantar SUSPEITAS.

  6. Antes de mais nada tem que se ter em mente o alto grau de comprometimento da tenda da família brasileira (86%).

    Depois a própria queda do rendimento médio real habitual do brasileiro decorrente do achatamento salarial, da perda de postos de trabalho e do efeito corrosivo da inflação.

    Ainda, tem que se ter em mente o efeito da economia em recessão que reflete a diminuição drástica da oferta de produtos com o consequênte aumento de preços dos mesmos.

    Então, vejam só, A tentativa de diminuir os juros é com a intenção de aumentar a demanda. Mas, diante desses fatores que acabei de expor, será impossível levantar a economia pelo lado do estímulo à demanda. Fazer isso é cair no mesmo erro de Dilma – a gerenciam imbecil que faliu o país.

    O caminho para a recuperação da economia brasileira é mais penoso, é passa primeiro pela recuperação do investimento privado, como já dissemos ontem em outro comentário.

    De qualquer forma, antes de tudo deve ocorrer o ajuste fiscal, sem o qual nenhuma recuperação econômica será sentida.

  7. Prezado Sr. WAGNER PIRES,
    Tendo em vista o alto comprometimento da Renda Familiar Média do Brasileiro, ( 86% ), e as outras condições elencadas por ti, concordamos que pela ativação da DEMANDA não iremos muito longe. Mas as Medidas de diminuir Juros via “ação forçada” da CEF/BB, etc, mal não fariam.
    Realmente para destravar o INVESTIMENTO PRIVADO, que será o verdadeiro Motor do crescimento Econômico, junto com a EXPORTAÇÃO, temos que logo após o Julgamento do Impeachment da Presidenta DILMA pelo Senado, VOTAR e APROVAR o AJUSTE FISCAL, que deverá ser de efeito crescente “após a Economia voltar a crescer”.
    A meu ver, mais importante que “eliminar o Deficit Primário” nos próximos dois anos, é o Ajuste Fiscal apontar lá na frente, sempre crescente DIMINUIÇÃO RELATIVA AO PIB da Despesa Pública, e crescente SUPERAVIT PRIMÁRIO FISCAL com redução gradativa da Dívida Pública relativa ao PIB. Plano para +- 20 anos, com Balanço da Situação ao 10º Ano, como informou o Ministro da Fazenda Sr. HENRIQUE MEIRELLES, criador do PLANO.
    Só temos que primeiro “tirar o cavalo do meio do banhado” porque se tentarmos “trocá-lo em meio ao banhado”, não sei se a SOCIEDADE aguenta.
    Abrs.

  8. Tudo encenação, Meirelhes e Temer nunca vão se desentender. O desiderato deles é o mesmo. Vejam, Meireles é ligado ao capitalismo internacional com cargo de diretor de banco. Quando digo capitalismo internacional digo norte-americanos. Temer segundo o WIKILEAKS é informante da CIA. Juntaram-se a fome com a vontade de comer..Isso internacionalmente falando. Internamente estamos novamente sob a politica do “Café com Leite”. Quem está governando o Brasil são os paulistas e mineiros. O resto são sabujos, puxa-sacos, alcaguetes e lambe-botas.

  9. Tem que delirar mas parece que os clientes não estão muito preocupados em serem escorchados se tem bancos cobrando menos por que procuram os mais caros,…..pela lógica qualquer banco teria que diminuir os juros caso estivessem perdendo clientes .

  10. Simplificadamente, o Brasil tentou três pequenos surtos de Industrialização até a Revolução de 1930.
    Barão de MAUÁ no Império com D.PEDRO II, Ministro da Fazenda RUY BARBOSA (Encilhamento) no Governo DEODORO DA FONSECA, e na 1ª Guerra Mundial Governo WENCESLAU BRÁS.
    Mas permaneceu AGRÁRIO MANUAL EXPORTADOR. (+- 85% Café).

    O grande Presidente VARGAS (1930-1945) e (1951-1954), começou a mudança radical implantando e desenvolvendo o Plano de DESENVOLVIMENTO NACIONAL. Alfabetização, Eletrificação- Mecanização da Lavoura, INDÚSTRIA DE SUBSTITUIÇÃO DE IMPORTAÇÕES, INDÚSTRIA BÁSICA e objetivando no final INDÚSTRIA DE PONTA para EXPORTAÇÃO.
    Nacionalismo – Desenvolvimentismo – Estatismo.
    VARGAS e sua brilhante Equipe Econômica, queriam um Desenvolvimento Industrial o mais AUTÔNOMO e INDEPENDENTE possível. Capital Internacional que viesse principalmente em forma de Empréstimo para que usássemos à nossa discrição, e Investimento Direto de Multi-nacionais com Matriz no Exterior sob rigorosa “rédea curta” para nunca se tornar hegemônico. Tecnologia, se compraria e se pagaria de quem concordasse em nos vender.
    Corolário do Modelo DESENVOLVIMENTISTA;
    Política Externa Independente.

    A partir de 1955 o dinâmico Presidente JUSCELINO KUBITSCHEK, a quem perdoamos tudo, tudo, sentindo que o Modelo de DESENVOLVIMENTO AUTÔNOMO de VARGAS era sólido, porém LENTO, (Devagar e sempre), quis acelerar, e alterou o Plano VARGAS, dando garantias e ATRAINDO o máximo de Multi-Nacionais com Matriz no Exterior para se instalar aqui, e não se importando que a médio Prazo essas assumissem a hegemonia em nossa Economia, como de fato aconteceu. Criou o chamado MODELO MODERNIZADOR que os velhos VARGUISTAS chamam de DESENVOLVIMENTO ASSOCIADO DEPENDENTE.

    Os Governos Autoritários de 64, oscilaram entre
    esses dois polos, CASTELLO BRANCO tendendo mais para o Modelo MODERNIZADOR, e GEISEL claramente o Modelo DESENVOLVIMENTISTA.
    O fraco Governo FHC optou claramente pelo Modelo MODERNIZADOR, e com todas as suas mazelas os Governos LULA e DILMA tenderam mais ao Modelo DESENVOLVIMENTISTA.

    CARLOS LACERDA na grande crítica que fez ao PLANO de AÇÃO ECONÔMICA DO GOVERNO -PAEG Gov. CASTELLO BRANCO, cujo Ministro Autor, era o do Planejamento ROBERTO CAMPOS, claramente propunha o Modelo DESENVOLVIMENTISTA AUTÔNOMO mudando a prioridade das Empresas ESTATAIS para as Empresas de MATRIZ NO BRASIL, menos dependência da Planificação, e mais predominância do Mecanismo de MERCADOS. Tolerância as Multi-Nacionais com Matriz no Exterior evitando que se tornassem hegemônicas.
    LACERDA, e modestamente nós também, achamos que o melhor para o Brasil não é nem o Modelo DESENVOLVIMENTISTA de VARGAS, muito ESTATAL, e muito menos o Modelo MODERNIZADOR sob hegemonia das Multi-Nacionais como é hoje.

    Espero que o Governo TEMER/MEIRELLES se esforcem para tentar seguir o Modelo LACERDISTA ( Desenvolvimento-Nacionalismo-prioridade a Empresa de Matriz no Brasil), e já que não se pode no Mundo Moderno evitar certa DEPENDÊNCIA, que esta seja a múltiplos Países, como EUA, Inglaterra, França, Alemanha, China, Japão, Rússia, etc, para que tenhamos “Margem de Manobra”.

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