Era só o que faltava. Agora a culpa é da Comissão de Ética da Presidência da República.

Carlos Newton

Reportagem de Natuza Nery, Breno Costa e Flávia Foreque, publicada na Folha sobre o parecer da Comissão de Ética da Presidência no caso do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, nos dá margem a algumas reflexões sobre a prática política e a necessidade permanente de os detentores do poder fazerem autocrítica.

Antes de ser governo, um dos mais expressivos diferenciais do PT era praticar internamente a autocrítica. Infelizmente, porém, esse salutar procedimento caiu no limbo depois que o PT assumiu as rédeas da nação. Nunca mais se ouviu falar em autocrítica, é como se tivesse deixado de existir essa necessidade, o que absolutamente não é verdade. Não só os políticos, mas qualquer pessoa tem de estar permanentemente fazendo autocrítica, para conseguir se aprimorar como ser humano.

A reportagem da Folha indica que o parecer da Comissão de Ética da Presidência da República, ao recomendar a exoneração do ministro Carlos Lupi, gerou desconforto no Planalto e contrariou a presidente Dilma. A indicação teria surpreendido o governo tanto pela decisão quanto pela velocidade com que o órgão analisou o caso.

Além de reavivar as pressões para que Dilma demita seu sexto ministro suspeito de corrupção, o que deve finalmente acontecer amanhã, o ato ocorreu quando a presidente já havia decidido só trocar o comando da pasta em janeiro, na reforma ministerial”, diz a reportagem, acrescentando algo verdadeiramente inacreditável e inaceitável: “O mal-estar chegou a tal ponto que interlocutores palacianos apostam numa reformulação na Comissão a partir de junho”.

Caramba! O que queria o Planalto? Que a Comissão de Ética demonstrasse a mesma conivência praticada nos casos dos ex-ministros Erenice Guerra e Antonio Palocci? E que mantivesse o rumoroso caso na gaveta, à espera de que a presidente da República (ou seu mentor, Luiz Inácio Lula da Silva, que até hoje não “desencarnou” do Poder) enfim decida fazer a reforma ministerial?

Pelo visto, o Planalto precisa urgentemente retomar a política de autocrítica que era tradição no PT. Ou, então, fazer como o governador Sergio Cabral e mandar preparar um Código de Conduta Ética, para enfim conseguir compreender o que é certo ou errado em matéria de interesse público.

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RELATORA RESPONDE AO PLANALTO

Ao tomar conhecimento de que o relatório da Comissão de Ética desagradou a presidente Dilma Rousseff, a autora do documento, Marília Muricy, afirmou  que reafirma sua posição “palavra por palavra, vírgula por vírgula, ponto e vírgula por ponto e vírgula”.

No relatório, ela apontou “inequívoca falta de zelo na conduta do denunciado” e “certa dose de arrogância” do ministro ao lidar com as acusações em sua pasta. E a relatora afirmou ainda que o documento não foi um “desafio” à presidente Dilma.

“Em primeiro lugar, a presidenta não está subordinada à Comissão de Ética. Ao contrário, a Comissão de Ética é criada por um decreto presidencial, os membros são nomeados pela presidenta da República e a Comissão de Ética assessora a Presidência”, disse.

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