Era só o que faltava… CPI do BNDES também acaba em pizza!

Charge do Humberto (Jornal do Commercio de PE)

Aguirre Talento
Folha

O relatório final da CPI do BNDES, apresentado pelo deputado José Rocha (PR-BA), não propôs o indiciamento de nenhum dirigente do banco, nem empresários ou políticos já investigados por possíveis relações com problemas em financiamentos. O relator leu o parecer nesta terça-feira, mas a CPI ainda tem até a próxima semana para votá-lo, aprovando-o (o que é mais comum) ou rejeitando-o.

Em diversos pontos do relatório há queixas sobre a falta de documentos necessários para avaliar se os financiamentos foram regulares e vantajosos economicamente.

A Folha apurou que a ausência de indiciamentos e de acusações mais graves deve levar a oposição a apresentar um voto paralelo, para marcar posição contrária ao relatório.

Os sub-relatórios, apresentados anteriormente, eram mais críticos ao funcionamento do banco. O deputado Alexandre Baldy (PSDB-GO) chegou a sugerir o indiciamento do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, mas não foi acatado pelo relator.

SEM DOCUMENTOS?

Em relação a um dos casos mais polêmicos envolvendo o BNDES, os financiamentos superiores a R$ 300 milhões ao grupo São Fernando, ligado ao pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula, Rocha escreveu que “não foi possível apurar se houve irregularidades na condução do negócio pelo banco, porque não chegaram até esta CPI os documentos de análise que subsidiaram as decisões favoráveis”.

Também, por exemplo, sobre a usina hidrelétrica de Belo Monte e sobre a refinaria de Abreu e Lima (PE), o relator alega que não teve acesso a documentos necessários para aprofundar a investigação. “Sem acesso aos documentos relativos à fase pré-contratual da relação entre BNDES e tomador de crédito, não se pode avançar em investigações que busquem identificar favorecimentos, dado que não se conhecem os termos do pedido de financiamento”, escreveu José Rocha sobre Abreu e Lima.

Nas conclusões do relatório, José Rocha faz recomendações para melhorar o funcionamento do banco de fomento.

Dentre elas, reservar parte dos financiamentos para projetos que estimulem pesquisa em “regiões carentes de desenvolvimento, a exemplo do semiárido”, determinar impedimentos para empresas que contrataram consultorias de políticos ou ex-integrantes do BNDES, avaliação da efetividade dos financiamentos concedidos, publicação das atas de reuniões e a realização de auditoria no braço de investimentos de capital de risco do banco, o BNDESPAR.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O fato é que esta geração de políticos está completamente desmoralizada. Todas as CPIs acabam em pizza. E não é verdade que tenha sido sempre assim. No final da década de 80, fui contratado pelo deputado João Cunha (PMDB-SP) para coordenar a CPI Atos de Corrupção, presidida por ele, tendo como relator Gustavo de Faria (PMDB-RJ). Como resultado da CPI, foram extintos dois importantes órgãos públicos, o Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) e a Superintendência Nacional da Marinha Mercante (Sunamam). Nos dias de hoje, isso parece que seria impossível. Recordar é viver. (C.N.)

7 thoughts on “Era só o que faltava… CPI do BNDES também acaba em pizza!

  1. Caro Jornalista,

    “Como resultado da CPI, foram extintos dois importantes órgãos públicos, o Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) e a Superintendência Nacional da Marinha Mercante (Sunamam). Nos dias de hoje, isso parece que seria impossível.”

    -Ora, não adiantou nada então! Não são as paredes, os móveis e as luminárias de uma instituição que roubam, mas as pessoas que a administra. Os ladrões apenas saíram do IAA e da SUNAMAM para roubar em outro lugar. Os ratos só mudaram de dispensa.
    -Provavelmente eles ainda estão roubando até hoje em algum (outro) cargo de confiança.

    -O que resolve é a cadeia – assim como foi feito com os velhos ladrões da FIFA…

    Abraços.

  2. Vamos por partes, aprendi com meus pais que todo delito deve e é punido, de acordo com seu teor, mas no Brasil, esses valores foram completamente subvertidos. Vejam o caso de Sergio Naya, do edifício Palace II, devem se lembrar que não resultou em nada, apenas prejuízos para os infelizes que compraram os apartamentos desse nobre pilantra, mas vamos ao caso: ” desabamento do edifício Palace II, no Rio de Janeiro, em 22 de fevereiro de 1998, que provocou a morte de oito pessoas, além de deixar 150 famílias desabrigadas. A construção havia sido interditada pela defesa civil em 1996, quando a obra já estava atrasada, devido à morte de um operário que caíra no fosso de elevador, que apresentara defeito. Inicialmente, Naya tentou culpar os moradores pelo excesso de carga que teria causado o desabamento. A Construtora Sersan, empresa em que Naya era o principal acionista, porém não era o engenheiro responsável, construiu o edifício e foi acusada pelo Ministério Público de negligência por supostamente ter usado material de baixa qualidade na construção do prédio. A empresa já havia sido processada quatro vezes antes do desabamento pela má construção, que impediu a obra de receber o habite-se. Segundo Naya: “se areia de praia desse concreto, mesmo de baixa qualidade, não haveria mais praias no Rio de Janeiro, pois não dá liga para o concreto”.
    Após o incidente com o Palace II, Naya foi para os Estados Unidos, mas conseguiu ser localizado algum tempo depois em Miami. Chegou a ficar preso por 137 dias, em duas passagens pela prisão (26 dias na Polinter, no Rio, em 1999, após ser preso em Brasília, pelas denúncias de ser o responsável pelo desabamento e em 2004, em Porto Alegre, por mais quatro meses, quando tentava fugir para Montevidéu), mas em 2005 foi absolvido por cinco votos a zero do processo criminal que o acusava de causar o desabamento. Ficou comprovado que ele não era o engenheiro responsável pela obra, tendo erro de cálculo do projetista. Quanto ao uso de materiais de baixa qualidade, o laudo não foi convincente o suficiente para a condenação. A anulação da condenação ocorreu porque os promotores, ao apelarem da sentença, desrespeitaram o Código Penal, alterando a classificação do crime de doloso (cabível se o prédio tivesse sido construído com o objetivo de cair) para culposo (o crime ocorreu devido à negligência, desatenção ou descaso)”. O resultado disso é conhecido por todos, as pessoas amargaram com os prejuízos a Justiça continuou cega e surda, e o Sergio morreu em fevereiro de 2009, com a consciência tranquila.
    Vamos ao segundo, coisa pequena, a diretora de uma unidade escolar da Bahia no município de Feira de Santana, nesse caso foi protocolado todos os documentos necessários para que a tal diretora fosse investigada, por desvio de dinheiro da merenda escolar, dos projetos educacionais, (verba federal), assédio moral contra a vice diretora, obstrução em eleições para direção escolar, entre outros, todos esses documentos foram entregues à Ouvidoria da Educação, ao Secretário da Educação, bem como ao departamento jurídico da mesma, além de uma cópia entregue ao diretor do NRE 19 de Feira de Santana.
    O que vai acontecer com essa senhora, que em montante de delitos é amadora perto dos Eduardos cunhas e Luizes Inácios dono do Poder eterno, NADA, além de ser premiada com a direção em outra unidade escolar do estado, para dar continuidade dos delitos. Isso aconteceu e vai continuar acontecendo, de diretores de unidades escolares públicas, prefeitos, deputados, senadores, ex-presidentes ao povinho que já conhece as firulas da corrupção, em resumo, o Brasil é um grande pomar, que de caras de pau, laranjas a bananas, como eu, indignados com uma situação que é bem normal e que a justiça acata, basta que venha acompanhada de dinheiro.
    NUNCA VAI MUDAR N-A-D-A!

  3. Bom dia leitores(as):

    Eis aqui um gritante e verdadeiro exemplo de garantia de impunidade aos agentes públicos envolvidos em CORRUPÇÂO e FALCATRUAS no exercício de suas funções,pois ao invez de puní-los,punem-se as instituições públicas suas vítimas,isto é,extinguem-se ou até mesmo mudam seus nomes,para proteger os agentes públicos acima mencionados.

    VEJAM ESTE EXEMPLO:

    “Como resultado da CPI, foram extintos dois importantes órgãos públicos, o Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) e a Superintendência Nacional da Marinha Mercante (Sunamam). Nos dias de hoje, isso parece que seria impossível. Recordar é viver. (C.N.)”

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