Era só o que faltava: Dilma agora quer legalizar os jogos de azar

Ranier Bragon e Débora Álvares
Folha

Líderes governistas na Câmara foram consultados pelo governo nesta quinta-feira (17), durante reunião com Dilma Rousseff e ministros no Palácio do Planalto, sobre qual seria a receptividade em suas bancadas da legalização dos jogos de azar no país.

De acordo com relatos de deputados que participaram do encontro, o governo avalia a possibilidade de permitir a volta de bingos, cassinos, jogos pela internet, jogo do bicho e caça-níqueis com o objetivo de elevar o caixa nesse momento de rombo nas contas públicas.

“Ela [Dilma] e os ministros pediram que a gente verificasse a receptividade da proposta, que foi sugerida na reunião dela com senadores ontem [quarta]. Perguntaram o que tinha de proposta e, dos líderes que falaram hoje, a maioria foi a favor”, afirmou o deputado Maurício Quintela Lessa (AL), líder da bancada do PR.

PROJETO NO SENADO

Um outro líder presente a reunião confirmou a discussão. “Existe um projeto sobre isso no Senado, onde ela está com um trânsito bom e acredita que pode dar agilidade a partir de lá”.

Até a próxima semana, os líderes devem levar à presidente e a sua equipe a receptividade de suas bancadas à proposta.

Quem levantou a questão na reunião desta manhã foi o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil), que teria dito a deputados, conforme relatos à Folha, que cassinos em áreas muito degradadas seriam um impulso para o desenvolvimento das regiões.

Apesar de ter consultado os deputados apenas nesta quinta, o assunto tem sido tratado com senadores desde semana passada. A sugestão inicial partiu do senador Benedito de Lira (PP-AL), que mencionou uma proposta relatada por ele no ano passado, de autoria do senador Ciro Nogueira (PP-PI), para regularizar os jogos de azar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG O núcleo duro do governo está mais perdido do que cego em tiroteio. Depois dos jogos de azar, só faltará a legalização da cafetinagem e da corrupção ativa e passiva, no bom sentido, claro. (C.N.)

23 thoughts on “Era só o que faltava: Dilma agora quer legalizar os jogos de azar

    • A megasena e as outras loterias, apesar de serem jogos de azar, estão longe, bem longe, de causar os prejuízos que o jogo nos cassinos pode causar às pessoas e às famílias. Por mais que alguém possa gostar de apostar nelas, elas não criam a compulsão de continuar jogando e compensar as perdas do momento apostando mais e mais. É comparar a maconha com o crack. Quem já jogou e já viu jogar em cassinos sabe. As loterias poderiam ser comparadas ao jogo do bicho, não aos cassinos.

  1. Está claro que o governo não fará cortes significativos e suas despesas são permanentes e crescentes. A única alternativa que existe é aumentar a arrecadação através de impostos e taxas que afetará a todos os brasileiros, principalmente os de baixa renda. O futuro é sombrio e não existe espaço para ilusões.

  2. Engraçado, o G 1 da Globo cortou todos os meus comentários sobre o assunto. “Se liberarem o jogo, o que vai ter de ‘ganhador’ que vai doar como pessoa física nas campanhas”.
    Será que ela vai montar um, ou será de algum amigo do Boni, principalmente aquele que ele chama de ‘irmãozinho’ ???

  3. Na razão direta que as igrejas neopentecostais arrecadam bilhões de reais sem qualquer imposto, como de resto as demais religiões, enriquecendo “pastores, bispos, bispas, missionários e apóstolos”, um festival de crimes contra a crendice popular por que não podemos ter de volta o jogo, hoje explorado exclusivamente pelo governo através da Caixa Federal?!
    Haveria de imediato milhares de empregos à disposição, e inúmeros empresários que construiriam cassinos em locais previamente escolhidos, pois defendo a liberação dos palácios do “azar ou da sorte” em locais específicos, um ou dois por Estado e cidades que ofereçam estrutura para turistas de grande poder aquisitivo, claro.
    Inegavelmente o Brasil seria tomado por grande movimento de otimismo, se não para o povo pelado tentar uma “fezinha” na roleta, bacará, pôquer ou 21, pela possibilidade de vagas as mais diversas nessa indústria fantástica de giro de dinheiro constante e altos valores.
    Restaurantes, shows, hotéis, crupiês, que arregimentação de trabalhadores que não haveria se esta ideia for colocada em prática!
    Digo mais:
    Dilma poderá ter descoberto a sua salvação de manter-se no governo se esta proposta for levada adiante efetivamente, e não apenas uma breve discussão a respeito e voltar para a gaveta.
    O Brasil teria um aumento na sua receita e recolhimento de impostos formidáveis, ainda mais se considerar como modelo Las Vegas, a sua organização, atrações, hotéis luxuosos e ofertas dos cassinos para clientes fieis.
    Condição sine qua non:
    Não podem ser petistas os donos de cassinos por motivos óbvios, pois em um ano todos serão fechados porque sonegavam impostos e roubavam os clientes, caindo em descrédito e deixando o Brasil muito mal perante as demais nações no Globo, e diminuindo drasticamente o turismo no país, mesmo o sexual, carnavalesco e temático.

  4. NOTA TÉCNICA
    Brasília, 13 de dezembro de 2010
    A CONAMP – Associação Nacional do Ministério Público manifesta-se contra a aprovação do Projeto de Lei n.° 270 de 2003, que legaliza a atividade de bingos, videobingos, videoloterias e jogos de cassino no país, porquanto cria ambiente favorável à lavagem de dinheiro e à atuação das organizações criminosas.

    A atuação das organizações criminosas na atividade de bingos foi comprovada pelo Relatório Final da Comissão Parlamentar de Inquérito constituída para apurar as irregularidades no setor de bingos e caça-níqueis, a qual revelou ainda a ocorrência de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e evasão de divisas, em claro atentado ao interesse público.

    Com efeito, ainda, segundo o relatório do Grupo de Ação Financeira Internacional – GAFI de agosto de 2010, no Brasil, embora a atividade de cassino esteja proibida desde 1946, o jogo não é proibido e não é submetido a qualquer uma das obrigações de combate à lavagem de dinheiro, o que coloca o país em situação de grave vulnerabilidade à atuação das organizações criminosas.

    Além do mais, devem ser considerados os prejuízos causados à saúde pelo que se denomina jogo patológico (ludopatia), conforme o Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais (DSM – IV – Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – Fourth Edition), doença caracterizada pela alteração progressiva do comportamento, tornando o indivíduo incapaz de controlar a vontade de jogar.

    Por fim, não se argumente que a destinação dos recursos para a saúde, conforme dispõe o projeto de lei em questão, revele a função social da atividade dos bingos, pelo contrário, tendo em vista a sua conexão com o crime organizado potencializada está a sua danosidade social, seja do ponto de vista da saúde, educação e segurança.

    Ante o exposto, manifestamos a nossa discordância com a iniciativa em comento, por absoluta incompatibilidade com o interesse público.

    César Mattar Jr.
    Presidente da CONAMP

  5. A causa é nobre. Que se danem as famílias que tiveram seus entes destruídos e que foram a razão do fim dos bingos. E são excelentes lavanderias, tudo o que o país precisa agora.

    • Prezado Marcos Jorge,
      Não podes atribuir ao jogo a destruição das pessoas, conforme alegas.
      Em princípio, gente com pouco dinheiro não poderia passar em frente a um cassino, diferente dos bingos, que faziam dos aposentados seus clientes prediletos, e que não era pelo vício, se chegaste a ler um trabalho cientifico muito bem feito sobre as razões que levavam idosos a frequentarem os ambientes carregados de fumaça e ansiedade pulsantes de apostadores à espera de uma linha ou cartela preenchida, mas pela indescritível sensação de serem donos de suas vidas por momentos, de se darem um prazer egoísta, e de poderem fazer do seu dinheiro o que quisessem.
      Havia exageros?
      Claro.
      Pessoas que perdiam a pensão do mês e tratavam de buscar o prejuízo, aumentando mais ainda o rombo no orçamento.
      No entanto, a culpa não está no jogo, mas em cada um obcecado, sem controle de seu comportamento, condutas que acontecem fora dos salões de jogos também, sejam elas pelo sexo doentio, remédios, drogas, taras, enfim, qualquer procedimento que esteja fora de padrões considerados normais.
      Mais a mais, pergunto:
      E a liberdade de cada um?
      Serei eternamente policiado por um Estado que apenas me tira o dinheiro através de impostos escorchantes e mal utilizados sem nada em troca?
      Até no meu prazer, na minha satisfação, ele quer me impedir de tê-los?!
      Quer dizer que só devo pagar,,obedecer e outorgar poderes?
      Mas que raio de democracia é esta?
      E as falsas religiões, que deixam o cidadão sem recursos para sustentar um Deus que não precisa do Real, quanto mais inflacionado e desvalorizado?
      Para isso somos livres, mediante ameaças de inferno e castigos eternos?
      Evidente que não estou te contestando, Marcos, pois tens razão nesta observação, mas aponto a contrapartida, meu poder de decisão, de escolha, de diversão, e com o meu dinheiro.

  6. Virgílio,
    Os bingos foram criados por clubes, te lembra?
    Não havia controle, seriedade, nada.
    Afora as máquinas de sorteio irregulares, se tornaram antros de marginais que exploravam o povo de forma criminosa.
    No caso de jogos oficializados, os cassinos, a organização como fundamental à instalação de qualquer casa neste sentido, acredito nesses empreendimentos que dão certo nos outros países, então por que não aconteceria o mesmo conosco, se explorado pela iniciativa privada e fortemente controlado pela PF e normas exigentes?
    Se pensarmos assim, então é melhor fechar esta droga chamada Brasil, se nada pode ser feito porque se transforma em agente de crimes, exploração popular e lavagem de dinheiro.
    E as igrejas?
    Os bancos?
    Os políticos e seus partidos?
    Mais escândalos que produziram e continuam livres e soltos na trilha de crimes diários!!!

    • Bendl, em Las Vegas há vários organismos de controle, sobre os casinos e suas máquinas, inclisive como o controle da taxa de devolução ao apostador. Os principais são o Gaming Control Board e a Nevada Gaming Commission. No Brasil, infelizmente , não há controle nem sobre as compras de uma prefeiturinha qualquer…
      Nos casinos modernos, não há janelas e a iluminação é invertida, para que os jogadores percam a noção do tempo.
      Conheço várias pessoas que. por serem compulsivas, tiveram de fazer tratamento psiquiátrico.
      Não sei se estou mais pessimsita que você, mas acho que no Brasil nunca haverá essa estrutura.

      • Virgílio, meu caro amigo,
        Gosto desse tipo de discussão racional, onde um apresenta argumentos diferentes do outro mas, ambos, de olho no bem comum.
        Tu não deixas de ter as tuas razões, que eu as compartilho integralmente, ainda mais no que diz respeito à seriedade de empreendimentos como pressupostos absolutos ao sucesso.
        Neste caso específico, poderíamos antes de implantar uma quantidade de cassinos, ter um apenas como piloto, amostra, e ver os resultados.
        Agora, evidente que o governo não pode participar, salvo cobrar os impostos relativos ao empreendimento, e deixar à iniciativa privada o controle do cassino, que uma vez surtindo o objetivo planejado, então estendê-los para os Estados interessados, principalmente os carentes de recursos como dinamização de suas economias.
        Maranhão, Sergipe, Amazonas, Pará, Acre, Rondônia, Tocantins, Rio Grande do Norte, Alagoas, Roraima, enfim, impulsionar esses Estados através da oferta de jogos muito bem controlados e fiscalizados para uma gama de turistas que também conheceriam a Amazônia e as belezas do litoral nordestino.
        Utopia?
        Pode até ser, Virgílio, mas ou damos os passos em direção ao desenvolvimento ou, então, seremos eternamente esta gosma como país emergente, de um povo inculto e incauto, apesar de o maior enfrentamento que teríamos pela frente seria a tal bancada evangélica, que se sentiria ameaçada de perder receita pela possível concorrência com os cassinos.
        Imagina, Deus sem dinheiro, sem doações, sem seus dízimos e ofertas de todos os tipos, criadas pelos profissionais das igrejas em não admitir que seus fieis deem o uso adequado de suas finanças, salvo se elas forem destinadas à expansão do negócio que mais cresce no Brasil, de espetáculos grotescos e histerias coletivas.
        Assiste, por favor, pelo menos um pouco, esta nova seita denominada de Apostólica da Plenitude de Deus, na Oi, que tenho assinatura, no canal 19.
        Chega a ser constrangedor a forma como as pessoas humildes são manipuladas, e os pedidos de ofertas os mais variados e extorsivos possíveis, em nome de Deus, lógico, nessas alturas mais sedento de dinheiro do povo que o PT!
        Sinceramente, extorquidos que somos pelos três poderes, que se associam às igrejas que são inauguradas a cada dia, impostos escorchantes, juros abusivos, preços incontroláveis, que esta maré de custos atribuídas à população seja compensada volta e meia com uma tentativa de se ganhar uns tostões, e não apenas perder ou ter de doá-los, que mais parece ser o destino do brasileiro enriquecer espertalhões e desonestos, curandeiros e estelionatários.
        Mas, reconheço, Virgílio, a dificuldade extrema que teríamos de oferecer casas de jogos confiáveis, em razão do conceito que temos de nós mesmos e no exterior.
        A meu ver, exatamente para mudar esta situação, enquanto que, na tua opinião, exatamente por causa desta nossa maldita tradição, que me vejo obrigado a concordar.
        Um abraço.

        • Bendl, se lembra do anão do orçamento, João Alves que ‘ganhou’ na loteria 100 vezes ?
          Enquanto não mandarem esse pessoal para a Papuda, não acredito em boas intenções…

  7. UM GOVERNO INCOMPETENTE E DESESPERADO É REALMENTE CAPAZ DE QUALQUER COISA! TEMOS QUE NOS PRECAVER, ISSO JÁ COMEÇA A ME LEMBRAR O PLANO COLLOR COM O SEQUESTRO DE NOSSAS APLICAÇÕES FINANCEIRAS!

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