Era só o que faltava. Sarney agora diz que não indicou Pedro Novais, o ministro do Turismo que pagou festa no motel com verba pública.

Carlos Newton

De repente, não mais que de repente, como dizia Vinicius de Morais, o presidente do Senado, José Sarney se esqueceu do passado recente e afirmou que não foi responsável pela indicação do ministro Pedro Novais, seu grande amigo e correligionário do Maranhão, que portanto, aos 80 anos, teria chegado ao Ministério por obra e graça do Divino Espírito Santo.

Sarney apenas fez questão de dizer que o ministro do Turismo, Pedro Novais, indicado pelo PMDB, é “homem de reputação ilibada”, ou seja, sem mancha, embora a Polícia Federal tenha prendido hoje 38 suspeitos de desviar recursos destinados ao Ministério do Turismo por meio de emendas parlamentares.

Seis acusados foram presos no Amapá, por onde Sarney se elege, 20 em Brasília e 12 em São Paulo, ou seja, parece que os policiais ainda não tiveram tempo de ir ao Maranhão. A PF também apreendeu R$ 641 mil em um dos endereços em São Paulo. O secretário-executivo da pasta, Frederico Silva da Costa, é um dos detidos na operação batizada de Voucher.

Logo após o início da operação, a presidente Dilma Rousseff ordenou que o ministro do Turismo, Pedro Novais, voltasse imediatamente de São Paulo para Brasília para prestar esclarecimentos, mas o que ele poderá dizer?

Cerca de 200 policiais participaram da operação. Além do secretário-executivo, foram presos o secretário nacional de Desenvolvimento de Programas de Turismo, Colbert Martins da Silva Filho, o ex-secretário executivo da pasta e ex-presidente da Embratur, Mário Moyses, e empresários, diretores do ministério e funcionários do Ibrasi.

Segundo a PF, foram expedidos 19 mandados de prisão preventiva, 19 de prisão temporária e sete de busca e apreensão. Os presos em São Paulo e Brasília foram levados para Macapá em aviões da própria PF e deverão prestar depoimento ainda nesta terça-feira. Os envolvidos podem ser indiciados por formação de quadrilha, peculato e fraudes em licitações.

A imprensa, no mês passado, já havia denunciado que o secretário-executivo era um dos responsáveis pela contratação irregular do Instituto Brasileiro de Hospedagem (IBH), uma ONG que também treinava profissionais de turismo e era dirigida pelo empresário César Gonçalves, que responde a duas ações por improbidade administrativa. Há três anos, Gonçalves foi afastado da Brasiliatur – estatal que coordena ações do turismo do governo do Distrito Federal após denúncias de desvio de verbas, mas continua mamando nas tetas do goverrno.Detalhe: a verba repassada pelo Ministério do Turismo ao IBH chega a R$ 52 milhões.

Outras “organizações”, como o Instituto Marca Brasil também foram beneficiadas no esquema. O instituto é uma das ONGs que mais recebem dinheiro do ministério e já fora denunciado por pagar passagens aéreas para o Diretor do Departamento, Articulação e Ordenamento do Ministério do Turismo, Ricardo Moesch.

A Operação Voucher, da Polícia Federal, inviabiliza a candidatura de outra protegida de Sarney, a deputada Fátima Pelaes (PMDB-AP), a uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU). A investigação da PF começou com uma emenda de R$ 4 milhões da deputada. A emenda foi apresentada em 2009 com objetivo de abastecer um programa de qualificação de profissionais de turismo sob a responsabilidade do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi). Ao todo, o programa teria recebido mais de R$ 15 milhões. Em pouco tempo de investigação a PF descobriu desvio de dinheiro e fraude na prestação de contas, entre outras irregularidades.

Resumindo, a corrupção no governo é tamanha que a Corregedoria-Geral da União, a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a própria imprensa já não tem, em termos de pessoal e equipamento, para levantar tanta patifaria. Aliás, jamais na História deste país se viu nada igual.

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