Erros e deformações

Carlos Chagas

Com todo o respeito, mas o ex-presidente Fernando Henrique perdeu excelente oportunidade de ficar calado, quando compareceu a uma solenidade na Escola de Sociologia e Política de São Paulo, esta semana.  Porque declarou que as práticas políticas brasileiras são erradas e deformadas, acrescentando ter havido regressão para a República Velha, durante o governo Lula.

Na República Velha, governo não perdia eleição. Trocava-se o presidente de plantão através de acordos celebrados na cúpula das elites, geralmente paulistas e  mineiras.

Ora, quem deformou mais as instituições do que o próprio FHC ao mudar as regras do jogo depois dele começado? Quem arrancou  do Congresso a emenda da reeleição,  inclusive apelando para métodos fisiológicos, beneficiando-se quando o lógico seria aprovar a mudança para o próximo período presidencial, não o dele? Mas fez mais: a reforma  constitucional por ele patrocinada permitiu-lhe disputar o segundo mandato no exercício do primeiro, sem desincompatibilização. Quer dizer, com a caneta e o Diário Oficial na mão.

Mais do que uma prática errada, aquela veio contaminada de má-fé. De um casuísmo digno do período militar quando,  para não perder o poder, seus detentores  alteravam as instituições e as leis por atos de força. Ou terá sido democrático o estabelecimento da reeleição?

Não pode ser negada a conquista de metas sensíveis durante os oito anos de Fernando Henrique, mas essa mancha ele carregará em sua biografia. Erros e deformações, ele os cometeu.

PAÍS RICO É ASSIM MESMO

A prática é de mais da metade do Congresso chegar a Brasília às terças-feiras, pela manhã, retornando a seus estados na quintas-feiras à tarde. Um excesso de folga que limita as atividades legislativas a três dias incompletos  por semana. Fica pior quando se registra um feriado no meio  desse período, como agora.  Amanhã, quinta-feira,  transcorre um, religioso. O resultado é que, em grande número,  deputados e senadores rejeitaram a hipótese de chegar à Capital Federal  na terça-feira e retornar na quarta-feira. Melhor ficar em casa.

As atividades  parlamentares só serão mesmo interrompidas na sexta-feira, mas no começo da semana  funcionaram  de mentirinha.  Os plenários foram abertos,  mas sem nada de importante para debater ou votar. As comissões técnicas se reuniram,  a maioria sem quorum, dedicando-se a  enxugar gelo. País rico é assim mesmo…

QUE MÃE É ESSA?            

Em entrevista concedida a Marília Gabriela, no SBT, o cantor  Amado Batista mostrou-se em dia com o mundo da música popular,  mas um troglodita no reino da política.  Porque reconhecendo haver sido torturado nos anos bicudos da ditadura, justificou os choques elétricos  recebidos, e as horas  passadas  no pau-de-arara, como uma correção imposta pelas  mães   a seus filhos peraltas. São concepções assim que envergonham a memória nacional. Se existir uma só mãe capaz de tratar  seus filhos desse jeito,  melhor interditá-la e  interná-la num manicômio permanente.

MINISTROS E MINISTROS

Dos 39 ministros evoluindo em torno da presidente Dilma, pelo menos vinte serão candidatos às eleições do ano que vem. Uns para renovar mandatos de deputado e senador, outros para tentar governos estaduais e alguns, também,  tentados a iniciar carreiras políticas. Há os que hesitam, não se tendo definido até agora. Mesmo assim, nota-se óbvia divisão na Esplanada dos Ministérios: os ministros que já dedicam parte de seu tempo a projetar o futuro eleitoral e os ministros empenhados em dar o máximo de seus esforços com vistas a permanecer no segundo mandato.

Fugindo à tentação de fulanizar uns e outros, basta observar como se desenvolve a administração federal, período que mais se agravará até abril de 2014, quando vence o prazo para as desincompatibilizações. Há quem imagine a presidente Dilma pensando em antecipar essa dicotomia.

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6 thoughts on “Erros e deformações

  1. amado batista esta totalmente certo na minha época tinha castigo nas escolas mi orgulho desta época o que sou hoje agradeço os corretivos que tive na escola e em casa a ultima surra que levei foi aos 15 anos e sempre falei para meu pai se não as surras que levei jamais seria o que sou hoje não existe mais respeito com os professores com os pais com mais ninguém este direitos humanos e uma vergonha ainda bem que eles não entram na china e outros países serio que os pais podem ter disciplina sobre os filhos

  2. Caro Chagas, parabéns, FHC”esqueçam o que disse e escrevi”, esperar o que dele!? É candidato a ABL, se escreve, e manda esquecer, quais “obras” entrarão em julgamento!?. A estabilização monetária, foi obra do “topete”, que na mediocridade que está o “poder civil” desse período, foi o melhor Presidente!.
    O sistema político eleitoral, muda, ou o Brasil continuará um Pais da hipocrisia governamental em todos os poderes da república.
    Olha a “barafunda”, que começou em jan/13, é a luta do Poder pelo Poder, não há uma ideologia, uma sentimento de brasilidade, humano, ou melhor dizendo: a ideologia é a da CORRUPÇÃO DESENFREADA.
    Cria-se despesas para atender a “politicalha”, a cada dia a Mídia ( mesmo falhando por interesse econômico)não publíca,mas nos causa indignação como Cidadão consciente de ver um Brasil decente e justo para seu povo, que se contenta com “pão e circo” e sobreviver no me engana que eu gosto.
    Falta um para o Ali Babá!.
    Chega de hipocrisia, Rui e De Gaulle, com plena razão.

  3. Em uma democracia o cidadão tem o direito de falar o que ele quiser, de pensar diferente, será que existe alguma lei. Não estamos em Cuba ou Venezuela.

  4. Ricardo, não vi nimguém dizer que êle, ou qualquer um tenha de direito
    de falar, de expressar opinião. Isto é uma coisa, outra coisa é concordar
    com as asneiras, com os absurdos, com as sandices ditas por AB. Êle com certeza
    sofre de alguma patológia não descrita em nenhum manual médico. Ou então CH
    esta completamente errado no que disse:”Se existir uma só mãe capaz de tratar seus filhos desse jeito, melhor interditá-la e interná-la num manicômio permanente.”

  5. Chagas, com todo o respeito, você perdeu excelente oportunidade de ficar calado quando atacou o homem que devolveu ao Brasil a estabilidade econômica e criou condições para que governos subsequentes tivessem a tranquilidade de governar sem o fantasma da inflação (aquela que as gerações atuais nunca conheceram). E perdeu, também, o meu respeito.

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