Erundina questiona apoio de Maluf, critica slogan do PT e admite que nem conhece direito Haddad

Recém-indicada candidata a vice de Fernando Haddad (PT) à prefeitura paulistana, a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) diz que nem conhece direito Fernando Haddad, questiona o papel do neoaliado Paulo Maluf (PP) na campanha e diz considerar o slogan petista, que valoriza o “novo”, preconceituoso contra os idosos.

Em entrevista à Folha, concedida a Fábio Zambeli, a ex-prefeita cobra que seu partido deixe as administrações de Gilberto Kassab e Geraldo Alckmin.”O partido tem que discutir mais estas questões. Nós não nos reunimos, não debatemos. O partido precisa melhorar. Quero contribuir para que as decisões sejam colegiadas, em que a maioria tome decisões. A dificuldade que o PSB enfrenta nestas questões é que ele tem pouca democracia interna”, disse Erundina, recomendando que o partido entregue seus cargos não só na prefeitura de São Paulo, mas também no governo do Estado, por questão de coerência: “O dirigente até tem suas razões, mas o que me ressinto é de que as decisões não foram partidárias, de maioria”.

Folha – Em abril, a senhora se mostrava incomodada com a possibilidade de ser vice. O que mudou?

Primeiro, foi uma decisão partidária. Nenhum dos projetos políticos dos quais participei foi resultado de vontade pessoal. Foi o partido que construiu esta possibilidade e me consultou, me deixando à vontade. Eu entendi que era mais uma missão que me cabia. A direção nacional está muito envolvida. Isso me deu coragem, pois, se ganharmos, vou ter que deixar minha função parlamentar.

A senhora diz que não fez concessões para ter maioria. E agora entra numa campanha que faz concessões para ter aliados e tempo de TV, atraindo personagens como Paulo Maluf, seu adversário histórico…

Esse é um problema de governos de coalizão. Eu tenho outra concepção de governo. Por mais que tenhamos dificuldades, se isso significar alguma restrição ao seus compromissos, eu acho que tem um preço que não vale a pena pagar por ele.

Mas qual é o limite?

Não tem esse limite. Do ponto de vista ético é absoluto esse limite. É uma questão difícil de ser administrada. Tem relação a tempo de TV e rádio, recursos, meios. Nós sobrevivemos numa cultura política bastante conservadora e permissiva do ponto de vista ético e moral e a nossa sobrevivência não é uma coisa fácil. Não é fácil ser fiel a isso.

A senhora se sentiria confortável participando de eventos ao lado de Paulo Maluf?

Eu não acredito que Paulo Maluf participará de eventos públicos junto comigo e junto com Haddad. Isso é contraproducente do ponto de vista eleitoral. Eu evitaria essa situação porque cria um certo mal-estar na relação com aquelas pessoas que tem mais ligação com o povo, que sabem quem é Maluf, que sabem quem é a direita nessa cidade, que ainda continua no poder reproduzindo os privilégios. Eu vejo assim. Isso tem uma questão de correlação de forças. Deve ser uma decisão de colegiado.

Vai participar deste colegiado?

Eu pretendo.

Se consultada, opinaria contra a participação dele?

Com certeza.

Em 2004, a senhora não quis apoiar Marta no segundo turno porque dizia que o debate eleitoral foi pobre, muito centrado no candidato do “bem” contra a candidata da “coragem”. Agora se desenha uma campanha cujos slogans transmitem um embate entre o “novo” e o “velho”. Não é uma discussão que a desagrada?

Estes valores não são pedagógicos numa campanha. Você termina negando uma realidade que é própria dessa sociedade. É uma sociedade em que a terceira idade cresce e exige uma nova postura e uma nova forma de ver o problema geracional. Não dá para se imaginar que a São Paulo de hoje é igual à de 30 anos atrás. Temos que estar antenados com o que a sociedade diz.

A senhora acha que esse slogan do “novo” é preconceituoso?

Sim, pode reforçar isso. É ruim porque pode reforçar preconceitos. Em partidos como os nossos temos que lutar para conquistar poder, mas temos que ter ação pedagógica. Para que a gente avance na perspectiva de um novo modelo de governo e de sociedade. É uma perspectiva de fazer um governo para o povo.

A senhora conhece Fernando Haddad bem? Conhece há muito tempo?

Não. Ele esteve no governo, se não me engano da Marta. Mas não convivi muito naquela época. Acompanhei mais de perto no ministério. Acho que é um moço idealista, que tem potencial grande. Ao passar pelo crivo das urnas, terá melhores condições políticas para administrar.

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