Escola CIEP de Brizola, Darcy e Niemeyer pode se tornar padrão na Inglaterra

Projeto do CIEP encantou Kevin Haley e David Chambers

Luiz Erthal
Blog Toda Palavra

Há quatro anos o governo britânico lançou o programa Building Schools for Futures (Construindo Escolas para o Futuro), que pretendia suprir o déficit de salas de aula na Inglaterra com a construção em larga escala de escolas pré-moldadas econômicas e de rápido processo construtivo. O plano do então secretário de educação, Michael Gove, gerou uma intensa polêmica entre os arquitetos ingleses, que viam com desconfiança a ideia de serem produzidas escolas padronizadas com um design inferior e despersonalizado.

Enquanto os empreiteiros se apressaram a apresentar ao governo projetos de kits pré-moldados baratos, ao custo de 1.465 libras (cerca de 1.950 dólares) o metro quadrado, o Royal Institute of British Architects (RIBA) desafiou os arquitetos ingleses a buscarem alternativas para oferecer um projeto escolar de alto padrão de design, pois os modelos até então propostos, segundo eles, equivaliam a galpões que, além de desconfortáveis, dificilmente poderiam ser adaptados a terrenos acidentados.

VIERAM AO BRASIL – David Chambers e Kevin Haley, diretores do conceituado escritório londrino de arquitetura e design Aberrant Architecture, vieram, então, ao Brasil buscar inspiração nos Centros Integrados de Educação Pública, construídos no Rio de Janeiro nos anos 80 e 90, durante os dois governos de Leonel Brizola, com projeto educacional de Darcy Ribeiro e arquitetônico de Oscar Niemeyer. Para eles, aquele seria o modelo ideal de escola pública a ser adotado pelo Reino Unido.

A pesquisa realizada por eles resultou em uma impressionante apresentação, com a exibição de réplicas em miniatura dos 508 Cieps construídos no Brasil, contendo seus nomes e localizações, dentro da exposição “Venice Takeaway: Ideas to Change British Architecture” (Veneza Takeaway: Ideias para Mudar a Arquitetura Britânica), realizada pelo British Council para a Bienal de Arquitetura de Veneza de 2012.

NO CORAÇÃO DE LONDRES – No ano seguinte a exposição foi montada no próprio RIBA, no coração de Londres, com grande destaque na imprensa britânica, e agora a pesquisa dos dois arquitetos foi transformada em livro (Wherever You Find People: The Radical Schools of Oscar Niemeyer, Darcy Ribeiro and Leonel Brizola) a ser lançado no final deste ano.

O programa de construção de escolas do governo britânico ainda não deslanchou por conta de dificuldades políticas, mas alguns dos conceitos dos Cieps já foram aplicados em uma escola de ensino fundamental do Leste de Londres, a Rosemary Works, cujo projeto de reforma foi assinado pela Aberrant Architecture. Sabotados pelos governos que sucederam Brizola no Estado do Rio, desprezados pela mídia e pelas elites brasileiras, os Cieps conquistam, enfim, 31 anos depois de lançados, o reconhecimento internacional como um dos mais extraordinários programas educacionais já realizados no mundo.

BOA ARQUITETURA – O blog Toda Palavra entrevistou com exclusividade um dos sócios da Aberrant Architecture para saber por que um projeto de mais de 30 anos, concebido para ser executado em um país tropical marcado por grandes desigualdades sociais e por um baixo padrão de educação pública seria adequado para um país europeu como a Inglaterra. Admitindo que os britânicos também possuem problemas sociais a serem enfrentados, David Chambers destaca a importância da boa arquitetura a serviço da educação.

“Ficamos fascinados ao descobrir que a padronização no Brasil teve como objetivo estender o alcance da arquitetura de alta qualidade para todos. A maioria dos Cieps ficavam em áreas pobres, onde não havia uma boa infraestrutura pública. Então eles assumiram um papel cívico maior”, diz Chambers.

“Os playgrounds cobertos, por exemplo, tornaram-se praças públicas essenciais. Era fundamental que eles fossem além do papel de uma escola: todo o programa preconizava o uso da arquitetura a favor de uma nova filosofia educacional.”

SOLUÇÃO TROPICAL – Para o arquiteto inglês não haverá dificuldades em adaptar o projeto do calor dos trópicos para o rigoroso inverno europeu. Ele lembra que isso aconteceria aqui mesmo no Brasil, caso Brizola tivesse chegado à Presidência da República e realizado o seu plano de espalhar 10 mil CIEPs pelo Brasil, pois muitas dessas escolas seriam instaladas em regiões de clima mais temperado, como o Sul do país. David Chambers prefere destacar a robustez dos edifícios, que, segundo ele, estão resistindo bravamente ao tempo e ao abandono.

“Claramente o design tem sido extremamente resistente ao longo do tempo. Construções escolares às vezes sofrem com mudanças sucessivas de administração e por falta de manutenção e de recursos. Mas a alta qualidade do design e da construção tem permitido aos Cieps manterem boa aparência e permanecerem robustos até hoje.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A importante reportagem foi enviada pelo jornalista Sergio Caldieri, que fez o seguinte comentário: “Por volta de 1985, a mais importante revista alemã “Der Spiegel” fez uma matéria  considerando os CIEPs, a maior revolução educacional da América Latina. Mas no Brasil vários professores que tentaram educar o povo foram duramente perseguidos, como Graciliano Ramos, Josué de Castro, Anísio Teixeira, Paulo Freire, Darcy Ribeiro, Milton Santos, Décio Freitas, Florestan Fernandes, Joel Rufino, Maria Yeda Linhares e tantos outros”.

30 thoughts on “Escola CIEP de Brizola, Darcy e Niemeyer pode se tornar padrão na Inglaterra

  1. Parabéns a redação por lembrar do saudoso e grande Milton Campos !
    O pior é que aos poucos os currículos das universidades foram tirando esses grandes clássicos.

  2. Parabéns Newton, por dar divulgação a fato tão relevante. Isto vem a desmentir todas as mentiras deslavadas propaladas pelas elites, pela Dona Sandra Cavalcanti defensora da escola de três turnos do Governo Lacerda, pela Globo, pelo Roberto Marinho que bombardeou o máximo que pode o projeto especial de educação, contra os CIEPS. Os argumentos falaciosos eram que as escolas eram muito caras, situadas nas beiras das estradas e outras besteiras desse jaez.

    Brizola foi realmente o único governante brasileiro que priorizou a educação. Construiu 6.300 escolas durante seu mandato como Governador no RS entre 59 e 63, e mais os 500 CIEPS com capacidade para 1.000 alunos cada. A concepção de Anísio Teixeira foi aperfeiçoada por Darci Ribeiro, que até transformou os camarotes do sambódromo na maior escola pública do mundo. No Brasil, as escolas tinham que ser em tempo integral porque as nossas crianças pobres não tinham o que comer em casa nos anos 80, entravam no CIEP às 8 da manhã, tomavam o café e tinham aulas, inclusive de educação física, até o meio dia, quando almoçavam. À tarde, faziam os deveres de casa no estudo dirigido auxiliadas pelos professores, pois em casa muitas vezes não tinham nem mesa onde pudessem escrever, muito menos orientação pedagógica. Por fim, no final da tarde, lanchavam, tomavam banho e iam para casa. Lembro que na época, metade dos anos 80, 1º mandato de Brizola no RJ, havia uma lavadeira que trabalhava para minha mãe que sempre comentava que ia trabalhar tranquila, pois sabia que o neto estava no CIEP e não na rua, onde podia ser cooptado pelo crime. Cada CIEP comportava 1.000 alunos em tempo integral. Já pensaram se houvesse tido continuidade administrativa em relação a esse projeto? Teriam sido 500.000 crianças beneficiadas por ano nos últimos 30 anos (1986 – 2016). A situação dessas crianças, pelo menos no RJ, seria bem menos pior do que hoje. Além disso, dada a carência sócio – econômica de nossas crianças pobres, era necessário ter uma visão integrada em relação à educação no sentido de que, além da instrução pública, a escola pública teria que fornecer alimentação, assistência médica, odontológica e até moradia, como era o caso dos meninos pobres órfãos que moravam com um Oficial da PM no último pavimento do CIEP, onde havia um dormitório.

  3. Certamente a mentalidade de nossos governantes sempre voltadas à corrupção, à desonestidade, ao roubo, destinam para o povo brasileiro o que sobra, os restos, as deficientes e péssimas condições de uma educação cambaleante, uma saúde que não atende a demanda e uma insegurança que imola mais vítimas que a guerra na Síria!

    O modelo educacional de Darcy Ribeiro e Brizola servirá para a Inglaterra, mas não será jamais reaplicado no Brasil pelos motivos acima expostos, pois os impostos arrecadados são distribuídos aos três poderes em forma de salários nababescos e penduricalhos ilegais e imorais, cuja falta de dinheiro atualmente será compensada por mais aumentos de impostos e salário mínimo cada vez mais aquém das necessidades do VERDADEIRO TRABALHADOR, corroboradas pelo desemprego, inflação, recessão econômica, juros extorsivos, ausência de futuro e esperança!

    E quanto pior o nível educacional, a nossa situação econômica, social e política se deteriora, o país não se desenvolve, e deixa de oferecer as oportunidades necessárias de emprego, de estudos, de crescimento pessoal aos seus cidadãos.

    No entanto, temos a Dilma fazendo “vaquinha” com seus admiradores para “viajar”, os petistas vociferando pela sua volta, seu sucessor preocupado com as alianças políticas, a Justiça envolvida inacreditavelmente com os criminosos que dilapidaram o patrimônio nacional, e o povo à mercê de desmandos e descalabros.

    Nesse meio tempo, as nações que atingiram excelentes patamares de progresso mais ainda se preocupam com o bem-estar de seus povos, enquanto que os brasileiros estão tendo as suas vidas mais difíceis, mais complicadas, de baixa qualidade!

    Parabéns à Inglaterra, e meus votos de repúdio e condolências aos governos mortos-vivos que administram este país, gente das pior espécie, reles ladrões, bandidos, execráveis criminosos!

    • Bendl, durante 2 anos fiz um trabalho voluntário no atual CIEP Nação Mangueirense com alunos problemas e na EJA. Tive que sair ‘corrido’ pois o ‘ Doutor’ Chiquinho da Mangueira não estava gostando.
      O nosso Estado virou isso.

    • Bendl, você está certo. Não se pode esperar nada dos políticos brasileiros medíocres e interesseiros, que só pensão em cargos e dinheiro,. O único presidente que quis dar continuidade ao projeto do CIEPs foi o Collor. FHC por ser neoliberal jamais daria andamento a esse projeto. Lula, vaidoso e nutria uma grande inveja do Brizola a ponto de dizer que escola não era pensão, também não daria prosseguimento ao projeto de escolas de tempo integral.
      A falta de escolas de tempo integral em todo o país dos anos 80 para cá deixou milhões de crianças pelas ruas e com certeza, muitas delas foram cooptadas pelo crime, por isso o narcotráfico cresceu, deu margem a outros tipos de crimes e hoje podemos considera-lo o quarto poder de tão forte e espalhados por todo o Brasil.
      Vamos aguardar que os novos presidentes do Brail siga o exemplo da Inglaterra e valorize a educação no Brasil

  4. Lembrete.
    Na Inglaterra o ensino é totalmente gratuito em todos os níveis, exceto o superior para estrangeiros lá residentes.
    Nem a dona Margarete mexeu nisso.

    • Virgilio
      Me perdoe mas não posso deixar passar.
      Não existe um lugar no mundo onde o “ensino seja gratuito”. Pode parecer,a princípio, uma bobagem. No entanto, quando ouço pessoas pobres “achando” que realmente é de graça, me bate uma tristeza.
      Talvez seja por coisinhas assim, aparentemente sem importância, a razão que leva a maioria das comunidades escolares descuidarem e até ajudarem a destruir e maltratar os prédios escolares.
      Afinal, se é gratuito, ninguém paga nada!
      Dias atrás um professor renomado, tentando me responder sobre a mesma observação, escrever que é uma “maneira de dizer-se”. Bela maneira de aculturar pessoas.
      Um abraço e saúde.
      Fallavena

  5. Também tem este detalhe, Virgílio, de suma importância!
    Grato pela lembrança e informação, que coloca as nossas ditas “autoridades” em seus devidos lugares:

    NO LIXO DA HISTÓRIA, porque imundos, corruptos, desonestos, imorais e extremamente COVARDES!

  6. Prezado Prof. Dr. CARLOS FREDERICO ALVERGA,
    O grande Governador CARLOS LACERDA UDN-DF, ao assumir o Governo do Estado da Guanabara, antigo DF, em 1961, criou como Primeiro Programa de seu excelente Governo, que marcou história, reconhecido por todos seus Adversários Políticos, o Programa “NENHUMA CRIANÇA SEM ESCOLA”, Nos dois primeiros anos, na EMERGÊNCIA, sua Secretária de Educação Profª SANDRA CAVALCANTI teve que instituir 3 Turnos, e foi uma dificuldade enorme conseguir PROFESSORES. “Mas nenhuma CRIANÇA ficou sem Escola”.

    Quanto aos CIEPS, que devem ser dirigidos principalmente as Comunidades mais Pobres, e que são o maior veículo para produzir JUSTIÇA SOCIAL. LACERDA, SANDRA CAVALCANTI e toda a UDN Nacionalista, ( e por ser NACIONALISTA não chegou a Presidência da República – Os Americanos VETARAM). haja visto a importância que CARLOS LACERDA dava a Educação, ele que como Dep. Fed. mais lutou e aprovou a “Lei de Diretrizes e Bases da Educação”, APOIARIAM.
    Mas antes, na EMERGÊNCIA, “Nenhuma Criança sem Escola, mesmo com 3 Turnos”.

  7. A verdadeira história dos CIEPS: Quando Brizola foi governador do Rio Grande do Sul de 1958/1962, construiu 5.902 escolas primárias,278 escolas técnicas e 131 ginásios, colégios e escolas normais, perfazendo 6.302 estabelecimentos de ensino. Abriu 688.209 novas matriculas e admitiu 42.153 novos professores. Com o triunfo da “revolução redentora de 1964” os adversários de Brizola queimaram quase todas as escolas. Muitas se tornaram aprisco de ovelhas. Ao voltar do exílio e eleger-se governador do Rio de Janeiro, Brizola diz a Darcy: Darcy estamos ficando velhos precisamos construir escolas diferentes da que construí no RGS. Devem ser bem feitas com material de primeIra, bem projetadas para quando morrermos nossos adversários tenham vergonha de queimá-las como fizeram no Sul. Darcy, lembrando de Anizio Teixeira, com quem trabalhara idealizou os CIEPs e deu para o gênio Niemeyer que materializou o projeto com material “protendido”, uma beleza. Brizola e Darcy morreram, Moreira Franco, Garotinho e Casar Maia, que ainda vivem aí como almas penadas, procuraram destruir os CIEPS. Não conseguiram. A imprensa e a elite invejosa fizeram de tudo para desqualificá-los. Em parte conseguiram. Podem até destruir escolas. Só não destroem a ideologia trabalhista de Getúlio, Jango e Brizola. Incompreendidos, perseguidos discriminados, continuamos nossa caminhada.

  8. Por que não enviar esta extraordinária matéria para as autoridades do Estado do Rio de Janeiro, com foco para o Secretário de Educação?
    Todos que estudaram e adoram fazê-lo, sabem que a “Educação” é a solução que alavanca a vida e a auto-estima de milhões de pessoas ao redor do mundo, pois podemos perder bens, mas não o que aprendemos ao longo de nossas vidas.
    Há necessidade urgente de termos governantes antenados com as carências de nossa população mais desassistida.

  9. Este projeto foi ignorado pelo poder público, Moreira Franco, Marcelo Alencar, Garotinho, Sérgio Cabral, Pezão e Dornelles, o povo continua a escolher mal seus governantes.

  10. Me desculpe Flávio, mas não há termo de comparação entre a prioridade dada à educação por Brizola e Lacerda. O primeiro fez educação pública de qualidade para o povão, o segundo era um elitista preconceituoso removedor de favelas com dinheiro americano. Removeu as favelas do Esqueleto na Lagoa e do Pasmado em Botafogo, onde houve um incêndio criminoso até hoje não esclarecido e jogou a população na Cidade de Deus e na Vila Kennedy, também construídas com grana da “Aliança para o Progresso”. Isso sem falar no assassinato dos mendigos no Rio da Guarda. Fez boas obras também (Túnel Rebouças, Adutora do Guandú, Aterro do Flamengo, os projetos das linhas policromáticas de Doxiadis (atuais linhas amarela e vermelha)) mas, no geral, governou para as elites, Brizola governou para melhorar a situação da população pobre. Me informe o seu e mail que lhe envio tese sobre o Governo Lacerda. Abraço, Alverga.

  11. Brizola cometeu erros no combate ao crime mas em três aspectos era muito superior ao Lula : Investimento na educação, inserção do negro na política e honestidade

  12. Prezado Sr. LUIZ FERNANDO SOUZA,
    CARLOS LACERDA era 8 anos mais velho que LEONEL BRIZOLA. Não podia copiar muito o Gov. BRIZOLA. A meu ver, ambos tinham a visão correta de que a Educação Básica, ( Escolas + Bons Professores) são a Base da JUSTIÇA SOCIAL/MOBILIDADE SOCIAL.
    Do ponto de vista Político, como bem diz nosso Colega Trabalhista Histórico, Sr. ANTONIO SANTOS AQUINO, deixemos que a História os julgue. Abrs.

  13. Prezado Prof. Dr. CARLOS FREDERICO ALVERGA,
    Deixemos as paixões Políticas para a História CLARIFICAR. A meu ver, ambos os Líderes, CARLOS LACERDA, 8 anos mais velho que LEONEL BRIZOLA , davam corretamente igual importância á EDUCAÇÃO, principalmente a BÁSICA.
    Em seu, como sempre bom Comentário acima, eu entendi que o senhor cometeu grande Injustiça quando escreveu: O Gov. BRIZOLA foi realmente o “único” Governante Brasileiro que priorizou a Educação, em contraste com o Gov. CARLOS LACERDA e sua Secretária da Educação Profª SANDRA CAVALCANTI que promovia Escola Básica em 3 Turnos.
    Então, eu clarifiquei que isso só se deu nos primeiros 2 anos de seu Governo devido ao inicial Programa Emergencial “NENHUMA CRIANÇA SEM ESCOLA”. Só isso. Mas é importante.
    Meu E-mail
    flavio.bortolotto@Gmail.com
    Ficaria muito grato em ler a tese sobre o Governo CARLOS LACERDA. Muito Obrigado.

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