Escolhendo um governador

Sebastião Nery

Uma tarde de 1970, o governador do Paraná, Paulo Pimentel, conversou longamente com o deputado da Arena, Haroldo Leon Peres, no escritório da representação do Estado, na esquina da Rua da Assembléia com a Avenida Rio Branco, no Rio. Saiu Peres, Pimentel estava furioso:

– Nery, esse Haroldo é um idiota. Imagina que veio aqui me dizer que vai ser o próximo governador. Já está escolhido, mas gostaria de ter o meu apoio. Em troca, assegura para mim o Ministério da Agricultura. Mal conseguiu eleger-se deputado, não tem prestígio, eu não o quero, o Ney (Braga) não o aceita, como é que ele vai ser governador e negociando ministério?

Uma semana depois, ao fim de um jantar, em Brasília, o general presidente Médici dizia à mulher do deputado Haroldo Leon Peres:

– A senhora está de parabéns. Amanhã, saberá.

***
LEON PERES

No dia seguinte o governador Paulo Pimentel e o senador Ney Braga foram chamados ao Palácio do Planalto pelo presidente Médici:

– Quero comunicar aos senhores que o próximo governador do Paraná vai ser o deputado Leopoldo Peres.

Ney, pálido, baixou os olhos e suou frio. Pimentel sorriu amarelo:

– Mas, presidente, o deputado Leopoldo Peres, secretário-geral da Arena, é do Amazonas. Não tem nada a ver com o Paraná.

– Não é esse não. É o outro, de Maringá, no Paraná, o Haroldo Peres.

Paulo saiu do palácio para o aeroporto. Ney, para uma casa de saúde. Leon Peres foi nomeado. Um ano depois, foi demitido por corrupção demais.

***
MÍDIA DA PAZ

Na internet, em 2008 li um texto primoroso de meu velho companheiro de Rádio Mundial, Paiva Neto, presidente da LBV (Legião da Boa Vontade), a única ONG brasileira que faz parte do Conselho de Assistência Social da ONU.

Analisando a tragédia da jovem e bela Eloá de Santo André, ele citava o ent]ao presidente do Conselho Nacional de Propaganda, Hiran Castello Branco:

“A mídia hoje se constitui no espaço público no qual a sociedade discute os seus problemas e tem uma grande influência na formação das crianças e dos jovens. E lamentavelmente a violência é talvez um dos produtos mais promovidos desde a Segunda Guerra Mundial até os dias atuais. É possível obter grandes audiências construindo a cultura da paz”.

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