Escravidão persiste na Amazônia

Paulo Peres

A grande imprensa brasileira não fala do assunto ou se fala o faz difarçadamente, sob o cabresto de certas autoridades, mas a exploração ilegal da mão de obra continua, impunemente, sob condições brutais ao longo dos 2,5 milhões de km² da região amazônica, longe do alcance do governo, diz o jornal americano Los Angeles Times, em reportagem sobre a escravidão “moderna” encontrada na região.

Com o velha estória da garantia de trabalho, as vítimas são geralmente levadas para áreas remotas e se deparam com condições cruéis e impossibilidade de fuga. “Alguns recebem pouco ou nenhum dinheiro”, destaca o jornal. Outros escutam que precisam trabalhar para pagar “despesas” de alojamento e alimentação, e são tratados com violência ou abusados.

“A Organização Mundial do Trabalho (OIT) estimou em 2003 que havia 25 mil brasileiros trabalhando em condições análogas à escravidão”. Mas o chefe da unidade da OIT que combate o trabalho forçado, Luis Machado, diz que o número é provavelmente maior agora. “Mais de 40 mil trabalhadores foram resgatados desde 1995”, afirmou ao Los Angeles Times. “Mas nenhuma pessoa na história do Brasil foi presa por esse crime. Esses homens se sentem intocáveis. Eles acham que não estão arriscando nada fazendo isso.”

Segundo o jornal, muito do trabalho que os explorados fazem reflete a “ilegalidade que reina na selva”. “Eles são colocados para trabalhar derrubando a floresta ou em fazendas ilegais de gado, em áreas protegidas da Amazônia. Outros colocam pedaços de madeira em poços quentes para fazer carvão, muitas vezes sem equipamento de proteção”.

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