Escrevo “ouvindo” os poderosos exércitos de EUA, França e Grã-Bretanha, na Guerra de DOIS DIAS, na Síria. A China-comunista-capitalista, pertíssimo da Síria, deve tudo a Mao. Bolívia e Brasil têm que resolver: um encarregado de Negócios pode mais que dois presidentes, ministros, embaixadores?

Helio Fernandes

Não me incomodo com qualquer opinião, em qualquer assunto, até mesmo nesse escabroso episódio da Bolívia. Mas mesmo aceitando e até compreendendo, por mais incongruente (que palavra) que seja, não posso ficar em silêncio. Principalmente porque em geral ultrapassaram o limite do pensamento perdulário e indefensável.

Como “defender” um diplomata que confessa que falou com Deus? Pois se ele diz, “ouvi a voz de Deus”, é lógico que houve “diálogo”, o “misericordioso” não lhe cassaria a palavra.

Ao contrário de Deus, que conversou com Eduardo Sabóia, aqui ele nem precisa se defender, existe antes de qualquer exame dos fatos o pressuposto de que Sabóia foi “humanitário, sensível, se arriscou para salvar uma vida”, como ele mesmo afirmou.

Concordemos, pelo menos para discordar. Se cada encarregado de Negócios pode tomar suas decisões acima da hierarquia, do respeito aos superiores, e das ordens de quem pode emiti-las, então estaremos executando ou caminhando para executar uma verdadeira revolução do serviço diplomático.

NEM MINISTÉRIO DO
EXTERIOR NEM CHANCELER

É isso que vai ou deveria acontecer. Por decreto presidencial ou determinação do Congresso, não demora e o Itamaraty será extinto, para satisfação de tantos que não pregaram isso abertamente, mas está implícito nas razões (?) que apresentaram.

E não é só isso. Podem cortar 99 por cento dos que servem à diplomacia. Cada embaixada não precisará mais do que um funcionário, tenha ele o nome que tiver. E aí, sim, Eduardo Sabóia terá prestado um grande serviço ao país. A economia em todas as mais de 100 embaixadas será colossal.

Esse funcionário único representando não o país, mas o “espírito humanitário, o objetivo de salvar vidas, a sabedoria de entender que os asilados estão pensando em suicídio, se arriscar para salvá-los”, mesmo sem conversar com eles.

A CUMPLICIDADE BOLIVARIANA,
PERDÃO, APENAS BOLIVIANA

Nem é preciso explicação: mesmo os que defendem Sabóia, para ele não ser “sacrificado”, concordam ou deveriam concordar: percorrer 1,6 mil quilômetros de território desse país, em 22 horas, uma façanha extraordinária.

Como alguém disse aqui mesmo, Sabóia merece ou mereceria uma condecoração. Por ter ludibriado as autoridades da Bolívia ou por ter feito ACORDO com elas, coisa que o Brasil não conseguiu.

A VITÓRIA DA
INTIMIDAÇÃO AUDACIOSA

Eduardo Sabóia é um diplomata ou um agente do SNI, disfarçado? É o que parece. E não há dúvida que tem todos os requisitos para investigar e executar o planejado, sem autorização de ninguém.

Logo que foi chamado ao Brasil, já veio “inteligentemente” abastecido para intimidar. Compreendendo tudo num relance, notificou e intimidou de forma abrangente, sem individualização:

“Estou preparado para qualquer acusação, tenho documentos estarrecedores”. Não explicou mais nada, é um vitorioso.

Tudo que tenho dito e estou relatando, são fatos, fatos, fatos, naturalmente dentro do possível. Pois são tantas as fontes e personagens, se conflitando, se desdizendo, se contradizendo, que é preciso buscar e rebuscar, para não se ofuscar, se enganar ou ser enganado.

O único que está acima de qualquer dúvida ou descrença é o próprio Sabóia: sozinho, sem ajuda ou autorização de ninguém , planejou, burilou e executou a operação.

Com sucesso? Aí é o grande problema. E que determinará o fim do episódio, que está condicionado a duas respostas, apenas adivinhação, não é o meu território.

1 – Sabóia garante que voltará para o posto que ocupava na Bolívia. Quem quiser que responda, para mim parece episódio de romance policial. Mas tudo pode acontecer.

2 – O governo da Bolívia, por intermédio, antes, da ministra da Comunicação, depois, do próprio chanceler, que EXIGIU: “O senador tem que voltar imediatamente para responder perante da Justiça do país do qual fugiu”.

3 – Numa das suas contradições, Dona Dilma disse: “Eduardo Sabóia SALVOU uma vida”. Portanto, não poderá de jeito algum devolver o senador à Bolívia. Se fizer isso, estará arriscando a vida dele, que passara de ASILADO a PRISIONEIRO.

4 – Como se vê, sem a menor dúvida, criaram situação tão complicada, que é difícil encontrar solução. A Comissão de Sindicância vai tentar ganhar tempo para que Dona Dilma e Morales façam o que não fizeram em quase 2 anos. E que Eduardo Sabóia “fez”, sem hierarquia, mas “falando com Deus” e “cumprindo o que ouviu”.

DILMA, MORALES
E PATRIOTA

Para terminar por hoje, unicamente por hoje. Todos os três voltaram atrás no discurso e nas ações. O presidente da Bolívia, oficialmente e com bastante hostilidade: “Queremos de volta à Bolívia o senador que fugiu daqui, sem licença ou autorização”. Antes, dizia: “As relações de Brasil e Bolívia não serão atingidas”.

Dona Dilma, na transmissão do cargo de chanceler: “Quero agradecer ao ministro Patriota sua dedicação, sua eficiência e a competência com que comandou a diplomacia brasileira”. Antes, mandou que Celso Amorim fosse pedir ao chanceler que apresentasse sua demissão, não podia continuar.

O ex-chanceler, que tentou preservar Eduardo Sabóia, jogou-o do alto dos 3 mil e 800 metros de La Paz. Desdisse ontem, tudo o que disse antes. São todos trogloditas.

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PS – Monica, o Gabeira, convidado por vários partidos para ser candidato a governador, recusou totalmente. Com o massacre de Cabral, talvez dispute para senador, talvez.

PS2 – Domingo, Gabeira estreia um programa de reportagem na GloboNews, canal por assinatura. Domingo, meia-noite, incógnita.

PS3 – Solon, um abraço, o candidato a governador pelo Estado do Rio seria o Bernardinho, e não o filho do Abílio Diniz. O filho é sócio do economista-técnico numa rede de academias de ginástica. Isso é informação, nenhuma opinião.

PS4 – Em relação à denominação que usei, “China-comunista-capitalista”, é a mais completa realidade. Concordamos inteiramente na admiração por Mao, que com sua “Grande Marcha” de 1949, tirou a China do carro de boi, colocou-a nos holofotes do prestígio e da inveja. Mas existe.

PS5 – Você não gosta que se fale na parte “capitalista” da China “comunista”, embora concorde que ela tenha deixado de ser marxista. Quanto a Cho En Lai, poderíamos jantar os três, com a maior satisfação, o que ficou impossível. Um abraço.

PS6 – Termino, por hoje, quase ouvindo o estrondo das poderosas forças armadas dos EUA, França, Império Britânico, começando o que chamam de “Guerra dos dois dias”, sem invadir a Síria.

PS7 – Pela primeira vez, afirmam: “Não queremos derrubar Assad, não temos como objetivo invadir a Síria. Mas não podemos permitir que usem armas químicas”.

PS8 – O mundo já ouviu isso, na Guerra do Iraque, depois desmentido pelos próprios observadores da ONU. Que no episódio de agora tentam desesperadamente ADIAR A OPERAÇÃO MASSACRE, “esses países só QUEREM ISSO E MAIS NADA”.

PS9 – Todos sabem que a Síria tem um dos maiores arsenais de armas químicas, mas outros também têm. Só que mesmo durando dois ou três dias, e aconteça todo o “ESPÍRITO PACÍFICO” desses países, ela terá consequências, imediatas ou mais demoradas. Nenhuma guerra civil , “pacífica” ou não, acontece e termina em dois ou três dias, com todos se confraternizando.

PS10 – Além do mais, Rússia e China estão perto, tão perto, que não ouvirão, silenciosos, o que eu ouço, antes (?) de acontecer. Podem não reagir agora, mas ficará tudo escrito. Para ser respondido. Ou retaliado.

PS11 – Enquanto “ouço” os poderosos massacres de França, Grã-Bretanha e EUA, vou recebendo informações. Agora me comunicam que a ONU está preocupada com documentos que recebeu: “São os rebeldes que estão usando armas químicas na Síria”.

PS12 – Sabem de onde surgiram essas armas, só não podem informar, ou serão todos demitidos dos cargos mais do que cobiçados.

PS13 – Diante disso, o secretário-geral da ONU pede desesperadamente aos EUA (os outros são apaniguados, não podem sem sofrer retaliações) para atrasarem a operação em alguns dias. Assim, os “observadores” da ONU constatariam o que se diz das armas químicas, que seriam no mínimo dos dois lados.

PS14 – Escrevo, é minha obrigação, mas continuo “ouvindo” o estrondo. Como é que se destrói arma química com dois rótulos?

PS15 – Quando os americanos usaram Napalm no Vietnã (e assim mesmo foram derrotados), a Dow Chemical era a maior fabricante do mundo. E no Brasil, presidida pelo general Golbery.

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41 thoughts on “Escrevo “ouvindo” os poderosos exércitos de EUA, França e Grã-Bretanha, na Guerra de DOIS DIAS, na Síria. A China-comunista-capitalista, pertíssimo da Síria, deve tudo a Mao. Bolívia e Brasil têm que resolver: um encarregado de Negócios pode mais que dois presidentes, ministros, embaixadores?

  1. Helio:
    “Concordemos, pelo menos para discordar. Se cada encarregado de Negócios pode tomar suas decisões acima da hierarquia, do respeito aos superiores, e das ordens de quem pode emiti-las, então estaremos executando ou caminhando para executar uma verdadeira revolução do serviço diplomático.”
    .
    Nem dei continuidade à leitura, pois provocaria, como você mesmo qualfica, “pensamento perdulário e indefensável”.
    Helio, você poderia ter parado por aí por ter esgotado o assunto.Talvez somente merecesse alguma continuidade o fato de que essa revolução não se limitaria ao “serviço diplomático”, mas ao serviço público como um todo.
    Contudo,histórico Helio: quem respeita quem, neste governo corruPTo e esculhambado que ninguém sabe se é esculhambado porque é corruPTo ou se é corruPTo porque é esculhambado.
    .
    Arrego!

  2. “PS6 – Termino, por hoje, quase ouvindo o estrondo das poderosas forças armadas dos EUA, França, Império Britânico, começando o que chamam de “Guerra dos dois dias”, sem invadir a Síria.”
    .
    Isto merece uma profunda reflexão, de todos.

  3. Caro Hélio Fernandes,
    Notícias desta manhã dão conta de que, na eventualidade de ataques da OTAN à Síria, os russos farão o mesmo com a Arábia Saudita!

    Fontes militares russas também informaram, nesta manhã, que uma flotilha, liderada pelo contra-torpedeiro Almirante Chabanenko, aproxima-se do porto sírio de Tartús. Segundo informes lidos pela rádio militar israelense Debka, desde o último sábado o exército russo está em estado de alerta frente a um possível ataque dos EUA, Grã-Bretanha e França contra a Síria. Segundo a agência russa de notícias RNA, além da Rússia, outros países aliados dos sírios recusam-se a colaborar com os planos bélicos do Ocidente.

    Potências nucleares como Rússia e China podem transformar a ação bélica norte-americana em “um passeio no inferno”, segundo aquelas fontes militares russas. Na ONU, ambas as nações asiáticas já vetaram qualquer ataque ou manobra militar contra os sírios. Depois, o Irã, maior potência militar do Oriente Médio, com um exército regular de dois milhões de militares efetivos e mais um milhão de guerreiros muçulmanos mobilizados, fundamenta sua sobrevivência regional na existência do regime de Damasco.

    “Em terceiro lugar, ainda segundo a RNA, Israel, o terceiro braço da Otan na região, encontra-se cercado por forças do Hezbolah, aliados de Síria e Irã, por um lado, e por mísseis e forças em terra do Hamas, na Faixa de Gaza; além do exército sírio, com aviões e mísseis de médio alcance. Mesmo o Iraque, com um governo xiita, é aliado preferencial do Irã e já negou seu espaço aéreo a qualquer incursão militar contra a Síria.”

    “Em quarto lugar, qualquer intervenção militar estrangeira na Síria desataria uma ação dos curdos contra a Turquia, aliado das forças ocidentais”, segue a agência russa de notícias, em análise divulgada nesta quarta-feira. E, por último, o Egito, hoje controlado por militares aliados dos EUA e Israel, poderá mergulhar em uma divisão anárquica, protagonizada por diferentes grupos islâmicos fundamentalistas, ainda dispersos por uma coalizão de forças que mantém o país unificado. Ao menor sinal de distúrbios na Síria, o Irã também poderá bloquear o Estreito de Ormuz, por onde escoam cerca de 40% de todo o petróleo consumido nos EUA e Europa.

    O vice-chanceler sírio, Faisal Maqdad, também disse, nesta quarta-feira, que Estados Unidos, Grã-Bretanha e França ajudaram “terroristas” a usar armas químicas na Síria, e que os mesmos grupos vão em breve atacar a Europa com essas armas. Falando a repórteres do lado de fora do hotel Four Seasons em Damasco, Maqdad disse que apresentou provas aos inspetores de armas químicas da ONU de que “grupos terroristas armados” usaram gás sarin em todos os locais dos supostos ataques.

    – Nós repetimos que grupos terroristas são aqueles que usaram (armas químicas) com a ajuda dos Estados Unidos, Reino Unido e França, e isso tem que parar. Isso significa que essas armas químicas serão usadas em breve pelos mesmos grupos contra o povo da Europa – acrescentou.

    Ainda assim, os navios da Marinha de Guerra dos EUA e da Frota Real do Reino Unido que estão no leste do Mediterrâneo, possivelmente, efetuarão um ataque aéreo contra alvos na Síria já na noite de quinta para sexta-feira, logo depois da votação no parlamento britânico em apoio da operação militar contra o regime sírio, informa a imprensa e televisão norte-americanas. Pressupõe-se que o ataque pode durar várias horas, entre objetivos principais citam unidades do Exército da Síria que podem potencialmente usar armas químicas, bem como os Estados-Maiores, centros de comunicação e complexos de lançamento de mísseis, afirma a mídia, se referindo a uma fonte anônima no Pentágono.
    (Informações obtidas do Correio do Brasil).

    A mesa está posta para um banquete de proporções inimagináveis de mortes e problemas de ordem mundial!

  4. Prezado jornalista Hélio Fernandes,

    com a desastrosa e invertebrada administração petista, a ficção é que se transforma em realidade. Nada melhor que se inteirar dos fatos no reino da fantasia de Lima Barreto. Qualquer semelhança das prodigiosas façanhas dos administradores das Terras do Nunca…são meras coincidências.

    Os Bruzundangas, de Lima Barreto

    A diplomacia da Bruzundanga

    …O ideal de todo e qualquer natural da Bruzundanga é viver fora do pais. Um dos meios de que a nobreza doutoral lança mão para safar-se do país, é obter empregos diplomáticos ou consulares, em falta destes os de adidos e “encostados” às legações e consulados. Convém notar que, quando digo que a ânsia geral é viver fora do país, excetuo os ativos, aqueles que sugam dos ministérios subvenções,propinas,percentagens e obtêm concessões, privilégios, etc. Estes demoram-se pouco fora dele e, seja governo o partido radical, seja governo o partido conservador, esteja o erário cheio, esteja ele vazio, sabem sempre obter fartos e abundantes recursos monetários de um modo de que só eles têm o segredo.Estes senhores gostam muito da Bruzundanga e são ferozes patriotas…
    …Nem sempre foi assim a diplomacia da Bruzundanga. Mesmo depois de lá se ter proclamado a República, os seus diplomatas não tinham o recheio de ridículo que atualmente têm…Eram simples homens como quaisquer, sem pretensões do que nãoeram, sem fumaças de aristocracia, nada casquilhos, nem arrogantes. Apareceu, porém, um embaixador gordo e autoritário, megalômano e inteligente, o Visconde de Pancome, que fizeram ministro dos Estrangeiros, e ele transformou tudo. Empossado no ministério, a primeira cousa que fez foi acabar com as leis e regulamentos que governavam o seu departamento. A lei era ele…
    O novo ministro era muito popular na Bruzundanga; e vinha a sua popularidade do fato de ter obtido do Rei da Inglaterra a comenda de Jarreteira para o Mandachuva e seus ministros, assim como o Tosão de Ouro da Espanha para os generais e almirantes. Todos os senhores hão de se admirar que tal cousa tenha feito o homem popular. É que os bruzundanguenses babam-se inteiramente por esse negócio de condecorações e comendas; e, embora cada qual não tivesse recebido uma, eles se julgavam honrados pelo fato do Mandachuva, do ministro, dos generais e almirantes terem recebido condecorações tão famosas no mundo inteiro…
    Não há mal algum que seja assim a diplomacia daquelas paragens.
    A Bruzundanga é um país de terceira ordem e a sua diplomacia é meramente decorativa. Não faz mal, nem bem: enfeita.

    • Prezado repórter Hélio Fernandes,
      quase um “jab” de direita para os adoradores da China comunista, o grande império de Mao. Enquanto no Brasil, a diplomacia é de enfeite, lá, os enfeites escondem pedidos de socorro. Em Cuba, também, a revolução se apropriou das pessoas transformando-as em escravas ( coisas), depois são enviadas para diversos países para trabalharem. Assunto, já abordado na Tribuna da Imprensa, mas sabemos que tudo é por amor a “causa”.
      PS. Exemplo é a frase de + um ( brizolista) maluco:… por que a gente pode importar um aparelho de ressonância magnética(coisa) e não pode importar médicos(coisas)… Cristovam Buarque, senador(?).
      Segue a matéria:

      27/08/2013 09h25

      Chinês diz ter escrito carta sobre abusos achada em enfeite nos EUA
      Mulher achou texto com denúncia de trabalho forçado em caixa de produto.
      Carta pedia que quem a encontrasse fizesse denúncia.
      Do G1, em São Paulo
      Carta foi encontrada em enfeite de Halloween.
      Um chinês de 47 anos disse ter sido o autor de uma carta com um pedido de socorro que foi encontrada na embalagem de um enfeite de Halloween comprado por uma americana em uma rede de supermercados, segundo o jornal “The New York Times”. A carta pedia que quem a encontrasse fizesse uma denúncia a organizações de direitos humanos, e afirmava que os produtos eram fabricados em campos de trabalho forçado na China.
      O texto foi encontrado por Julie Keith, moradora de Oregon, nos EUA. A mulher divulgou a carta no Facebook, gerando repercussão ao redor do mundo e chamando a atenção para o sistema de colônias penais onde pessoas que cometeram pequenos crimes, ofensas religiosas e críticas ao governo podem ficar até quatro anos.
      “Quando encontrei a carta, duvidei que aquilo fosse real – eu conhecia pouco sobre a China. Mas quando foi pesquisar na internet sobre o campo vi que aquele não era um bom lugar”, disse a mulher.
      O autor afirmava que milhares de pessoas estavam sendo perseguidas pelo Partido Comunista Chinês, e dizia que as pessoas eram forçadas a trabalhar 15 horas por dia, sem nenhum descanso semanal e quase nenhum pagamento. O texto também dizia que a maior parte das pessoas no local servia penas de um a três anos, mas nenhuma delas havia sido julgada.
      O autor da carta, que se identificou apenas como Zhang, foi encontrado durante entrevistas realizadas pelo “The New York Times” sobre os campos de trabalho forçado.
      Julie Keith achou a carta vinda da China em um produto decorativo de Halloween (Foto: Thomas Patterson/The New York Times)
      Julie Keith achou a carta vinda da China em um
      produto decorativo de Halloween.
      Ele disse que a carta foi uma de 20 que escreveu secretamente enquanto esteve no campo de Masanjia e colocou nas embalagens que tinham embalagens com escritos em inglês – e que provavelmente seriam enviadas para o Ocidente.
      “Por um longo tempo eu fantasiava que algumas das cartas haviam sido encontradas, mas depois de um tempo desisti e me esqueci delas”, disse o homem, que contou ter roubado uma caneta de uma mesa quando limpava o escritório da prisão.
      De acordo com o jornal, a escrita e o pouco conhecimento de inglês do homem são bastante semelhantes aos encontrados na carta – embora tenha sido impossível confirmar com certeza que ele foi o autor daquele texto.
      Zhang e outros ex-prisioneiros descreveram horrores praticados nos campos, como abusos físicos, dias sem dormir e prisioneiros amarrados em posições incomodas por semanas.
      A empresa Sears, dona do Kmart, local onde o enfeite de Natal com a carta foi encontrado, disse que uma investigação interna aberta após a descoberta não encontrou nenhuma violação das regras da companhia contra o trabalho forçado. A empresa não informou o nome das fábricas responsáveis pelo produto.
      Julie Keith, a mulher que encontrou a carta, entregou o texto para a agência federal de Imigração e Alfândega, que informou que iria analisar o caso.

  5. Hélio, sempre vi Marx como um valoroso ensaísta criativo, não como um cientista. Você chega facilmente a esta mesma conclusão, ao ler sua obra “A Sagrada Família”, sofisticado ensaio sobre o tema, desenvolvido juntamente com Engels.
    Ensaísta, mas não totalmente distanciado das motivações políticas. Tanto que o grupo Brigadas Vermelhas sequestrou e matou o Primeiro Ministro Aldo Moro, da corrente cristã italiana, praticamente tendo A Sagrada Família como vade-mécum.
    Tanto Marx, como David Ricardo, e também Adam Smith, nenhum estudioso do assunto, aliás, ignorou que a cupidez e a avareza são os motores do desenvolvimento econômico. Nem mesmo Cristo, o chamado Príncipe da Paz, ignorou a cupidez e a avareza, já que aconselhou aos mamíferos que o seguiam a “acumular riqueza no Céu, onde as traças não a podem corroer, nem os ladrões podem roubá-la”. Claro, o Nazareno não poderia dizer para acumularem riqueza numa nave espacial, ou em outro corpo celeste onde não existissem traças, nem ladrões, já que a malta daquela época não iria entender.
    Embora eu tenha mencionado que A Rússia e a China abandonaram o marxismo, agradeço a você por me dar esta oportunidade de fazer uma retificação. Ninguém abandonou o marxismo, a não ser na aparência. Tenho até a impressão de que nenhum país conseguiu ainda implantar o marxismo. Mais algumas gerações, e vão perceber que Marx, Freud e Einstein é que continuam contribuindo com o direito, a medicina, a ciência e as artes. Já acontece um florescimento de talento baseado nesses três luminares, basta ver a contribuição de Arthur Koestler, Saul Bellow, Isaak Babel, Philip Roth e Lenny Bruce, entre outros.
    Alguns desses até desenvolvem certa cotação entre Cristianismo e Bolchevismo (Ah, o fabuloso cineasta Sergei Eisenstein), fazendo comparações entre Karl Marx e São Paulo, sempre lembrando que ambos eram judeus.
    Quanto ao que você declarou sobre o fabuloso Mao Tse-tung, você já disse tudo. E como na China, a liderança única pertence ao Partido Comunista, fundado por Mao, salta aos olhos, e rebenta os ouvidos, que o marxismo enaltecido por Mao está apenas adormecido.
    Retribuo o abraço, com votos de saúde, riqueza e amor.

  6. Ninguém mexe com a natureza impunemente.
    O Homem como qualquer animal já esta pronto há milhões de anos.
    A simploriedade de filósofos ou ensaístas de século XVIII e XIX, desconhecendo que existe mais no universo que imagina a nossa vã filosofia, com exceção de Nietzsche, que até se declarou um anti-filósofo,levaram -nos a acreditar que seria fácil organizar um mundo perfeito. No século XX deu no que deu.
    O tempo é o melhor juiz.
    Nietszche acertou.

    De um novo chines mais tranquilo com o capitalismo: “Devo não nego, pago quando puder”

  7. O cancelamento da cassassão do Donadon em sessão secreta me faz apoiar cada vez mais o Black Bloc…

    Não sei se o resto do Brasil sabe, mas as manifestações no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre nunca pararam, como a grande mídia fez questão de omitir.

    Guerra mundial a vista, revolução no Brasil com a “tomada da bastilha”.

    Admirável mundo novo!!!

  8. Tempos atras, século XX, eu, um torcedor, torcia para os vietcongs, que ganharam a guerra contra os americanos. Hoje, vejo que o derrotado foi o Vietnan do Sul, que seria , seguramente, mais um tigre asiático.
    Enfim, fazer o quê.
    Não há exército por mais mais poderoso, que derrote uma religião.

  9. Pedro do Couto, concordo com você. Ora se o imPatriota era um descansado, o Sabóia resolveu o que deveria ter sido feito há um ano. O imPatriota deveria ser aposentado por invalidade.Volto a perguntar: houve alguma dificuldade para um bandido, assassino italiano asilar-se no Brasil?

  10. Um jogo violento

    Logo após o término da segunda guerra mundial, até a década de 60, os EUA possuíam uma economia muito forte, vendendo fantasias e ilusões, de liberdades e de deslumbrantes padrões de consumo. Ainda detinham bom controle e gerência sobre as riquezas produzidas em toda a América Latina. Naqueles anos dourados, semelhante armação, envolvendo o inacreditável tráfico de um senador boliviano, acusado de muitos crimes, inclusive assassinato, jamais teria acontecido. Por várias razões.

    Nessas últimas décadas, a estrutura capitalista mundial vem passando por profundas e rápidas alterações, responsáveis por perigosas instabilidades e deteriorações. A exuberante entrada da China no mercado mundial, produzindo de tudo e a baixos preços, em crescentes qualidades, causou significativas mudanças no centro de gravidade da economia mundial. Jamais imaginadas.

    Além disso, as diversas contradições do sistema capitalista se aguçaram. Dentre elas, o crescente fantástico poder da tecnologia substituindo o trabalhador braçal e intelectual, causando baixos salários e milhares de desempregados em todo o mundo, reduzindo o polo consumidor, empurrando o sistema capitalista para sucessivas crises, de difíceis equacionamentos.

    Além disso, outros ingredientes surgiram. Como a presença marcante da força do islamismo no mundo, constituindo grande obstáculo aos impensáveis interesses dos EUA no Oriente Médio, uma das mais explorada e saqueada região do mundo. Para piorar esse quadro, o incondicional apoio à política de expansão territorial de Israel tem produzido adicionais desgastes à imagem da política externa dos EUA.

    Apesar de tudo, a economia norte-americana ainda é a maior. Mas, inserida em semelhante complicado quadro econômico mundial, estão sendo levados ao desespero, deixando de lado a velha máscara da democracia e dos direitos humanos. A cada dia tornam-se mais selvagens e violentos, sem receios e escrúpulos algum. Nesse contexto, invadem o Iraque e a Líbia para posse e controle de suas gigantescas reservas de petróleo, fazendo pesados bombardeios e massacres de todos os tipos, inclusive, da hedionda tortura. Na mesma região, desencadeiam a primavera árabe sem medir consequências, vendendo “libertação” daquele sofrido povo, mas que na verdade, procurando controle e domínio de uma vasta região altamente estratégica e riquíssima em petróleo.

    Nesse cenário global de inseguranças e de muitas dúvidas, a continuada gigante crise econômica mundial desde 2008, fez com que os EUA ficassem muito atentos às lideranças de tendências nacionalistas da América Latina. De há muito que estão tentando remover e desmantelar todos os governos mais distantes de seus interesses. Tornou-se prioridade de Washington. Em recente passado, por muito pouco o ex-presidente da Venezuela, Hugo Chávez, não foi assassinado pela CIA, por ter posto fim nas pesadas evasões de riquezas por conta do bilionário petrolífero na Venezuela. Vários outros suspeitos e estranhos episódios tem surgido nesses últimos anos, contando com total apoio da grande mídia “livre” tentando jogar o Brasil contra a Argentina, Venezuela, Bolívia, Colômbia, Cuba, e outros. Acorda, Brasil.

  11. Prezado Seytrym,
    O final do teu comentário trazendo à tona o título do livro de Aldous Huxley, escrito em 1932(!), Admirável Mundo Novo, encaixa-se perfeitamente neste mar de confusão que hoje vivemos tanto no Brasil quanto no mundo!
    Foste muito feliz nesta lembrança, pois a ironia quanto ao adjetivo empregado ao “novo” e, ao “mundo”, não poderia ser melhor.
    O novo porque não é tão admirável como sem pensava, aliás, repete muito dos tempos de antanho;
    E, o mundo, não é tão admirável também, haja vista não ter aprendido as lições deixadas pelos maiores conflitos da História da Humanidade no século passado: a Primeira e a Segunda Guerras Mundias.
    Legal, Seytrym, legal.

  12. Welinton, péraí, meu,
    O teu comentário somado ao do Solon são demasiadamente importantes para depois serem esquecidos de acordo com novos temas postados neste Blog incomparável, assim como faço com os artigos do Hélio.
    Eu os estou arquivando para posterior estudo e aprofundamento nessas questões sociais que a todos dizem respeito, inclusive e principalmente, para aqueles que não veem em Mao esta figura gigantesca que Solon lhe atribui mediante suas convicções, que devem ser respeitadas e contestadas, se for o caso, através de alegações fundamentadas e não meramente opinativas, haja vista que, a História, não concede permissão para que os fatos sejam alterados. Podem ser interpretados diferentemente (corrijo meu pensamento quando escrevi ao contrário do que ora afirmo ao Batista Filho, que está ausente há tempo deste espaço democrático, independente de termos posições diferentes na maioria dos assuntos postados), mas não que os acontecimentos sejam modificados ao sabor de interesses e conveniências de povos e nações.
    Assim, se parabenizas ao Solon pelo que escreveu e que concordo plenamente, o mesmo faço contigo, merecidamente.
    um abraço forte a ambos.

  13. O que acontece há tempos na Síria é apenas uma batalha. Uma batalha da Guerra contra o Irã. Da Guerra dos EUA e Israel contra o Irã. Simples assim….Quanta gente morrendo por causa de meia dúzia de “hijos de puta”….??? Se alí é a Terra Santa, onde anda Deus para castigar esses monstros?

  14. Qual a cara?
    (Vai ser assim,
    Cara de palhaço,
    Pinta de palhaço
    Roupa de palhaço
    Até o fim!!! – Miltinho)
    .
    Teori Zavascki, Roberto Barroso, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Rosa Weber e Ricardo Lewandowski, todos ministros do Supremo, devem estar orgulhosos com o Congresso que desrespeitou sentença da instituição STF.
    .
    Barroso surpreendeu. Preocupante um ministro do STF expor não somente em público, mas em pleno julgamento suas particulares convicções ideológicas que autorizam ilações a comprometimentos partidários.
    Ontem uma jornalista especulou uma provável relação entre as “caras” e as profissões. Em vindo a ser tese vencedora, esse Barroso não tem “cara de ministro” do STF.
    Segundo o admirável Obama: Lula “É o cara!”. Como generalizou, certamente significa que ele tem várias, ou, todas as “caras”, concordo.

    A dúvida que fica é: qual a nossa cara?

  15. Mandato acobertado secretamente. O que dizer aos nossos filhos?

    Milton Corrêa da Costa

    A sociedade brasileira amanheceu, nesta quinta-feira 29/08, mais algemada e indignada ainda. Um deputado federal, algemado sob as vistas do público, condenado por formação de quadrilha e peculato e recolhido ao cárcere, foi acobertado pela Câmara Federal através do voto secreto. Ou seja, o parlamento brasileiro condenou o julgamento legal do Poder Judiciário que sentenciou o deputado Natan Donadon, absolvendo-o politicamente, com a manutenção do exercício de seu cargo eletivo. No cárcere continuará, portanto, sendo tratado de “Vossa Excelência”. Vergonha.

    Pois bem, a partir de agora, enquanto os que votaram secretamente pela manutenção do mandato do parlamentar, estiverem no repouso de seus lares ou em seus momento de lazer, contingentes da Polícia Militar, contra quem se cospe, atiram pedras e bombas incendiárias, tentarão conter, em nome da ordem pública, o ímpeto ainda mais agressivo dos vândalos arruaceiros que destroem o patrimônio público e privado, impedem o direito de ir e vir e cuja própria benevolência da lei os solta apressadamente aos serem detidos. O que dizer aos nossos filhos sobre a contaminação da mal cheirosa falta de ética na política e da leniência da lei brasileira? Por que a justiça tarda em colocar na cadeia os quadrilheiros do mensalão? Que país é esse?

  16. Dilma ficou tiririca da vida! Ficou uma fera! Saiu distribuindo coices!

    Claro! Pois o diplomata (e brasileiro de verdade) Eduardo Saboia resolveu em 22 horas algo que Dilma e “seu” Itamaraty vinham ENROLANDO há 455 dias!

    (Juca Valo)

  17. Putin ameaça atacar Arábia Saudita.

    Um memorando considerado de urgente segundo fontes militares russas, foi expedido pelo escritório do presidente Vladimir Putin nesta quarta-feira que ordena um ataque massivo da Russia contra a Arábia Saudita se as Forças da OTAN atacarem a Síria. Uma flotilha russa liderada pelo contra-torpedeiro Almirante Chabanenko aproxíma-se do porto de Tartús na Síria.

  18. Sempre falei aqui desde o começo de que nas arábias sai um governo ruim e entra outro pior. Assim , se se confirmar o que Aquino escreveu, apoio Putinho da Rússia em sua reação de atacar a Arábia saudita se houver intervenção na Síria por parte dos EUA e aliados.

  19. Caro Bendl

    De seu comentário acima, inserido na apreensão das próximas horas, posso lhe assegurar, que nunca acreditei em qualquer possibilidade de deliberada reação violenta por parte da Rússia contra a impune, criminosa e inconsequente agressão norte-americana aos mais fracos. Putin sabe muito bem, que qualquer resposta violenta contra os EUA, será a última e, para todos. A Terra passará a ser habitada somente por baratas. Dizem que esse inseto seria um dos pouco ser vivo capaz de sobreviver ao holocausto nuclear. Oremos.

  20. Prezado Jornalista Hélio Fernandes, os casos que você tem abordado nesses últimos dias e sempre, são importantes, é claro, mas existem alguns de repercussão internacional que precisam ser divulgados, conversados, discutidos, denunciados, por todas as pessoas de bem. Assuntos que dizem respeito a qualquer ser humano o uso de armas químicas na guerra na Síria.
    O senhor tem muitas fontes de informações e sabe provavelmente como muitos poucos sabem que não é o governo do presidente Bachar El Assad que está usando armas quimicas matando inocentes ou não em seu País.
    Qualquer cidadão medianamente esclarecido e com um pouco de memória há de se lembrar das armas atômicas e bombas atômicas que nossos irmãozinhos do norte diziam ter o Iraque, ficou provado como todos sabiam, que elas nunca existiram, foram apenas um pretexto para invadir e fazer daquele território um pais de párias a serviço do capital internacional, empresas de petróleo e armamento bem a gosto de três ou quatro potencias lideradas pela potencia maior.
    Como se não bastasse vem a tona e fica provado por A+B que os irmãozinhos do norte promovem um Big Brother de nível mundial e irrestrito e apesar de tudo isso a Imprensa –Empresa, como bem colocou um comentarista desta Tribuna da Imprensa, ninguém dá uma palavra sobre o que é divulgado em mídia alternativa e via internet no mundo inteiro.
    Os países que dizem que não poder admitir, não se pode sequer pensar o que dizer admitir, o uso de armas químicas querem fazer uma guerra de dois ou três dias, só sendo muito imbecil poder acreditar em algo assim, para avisar ao Presidente da Síria que estão de olho e que não concordam com o uso de armas químicas.
    Até quando teremos que continuar ouvindo e lendo bobagens sem que alguém sério esclareça com fatos e dados que estão nos enganando e que mais uma vez estão fazendo um teatrinho de quinta categoria para esconder os verdadeiros motivos e ganhar mais dinheiro com a morte, a guerra, a pobreza e a ignorância, a onda desenfreada de consumismo cego e de uma ditadura econômica capitalista que assola o mundo?
    O mestre jornalista está com a palavra e com certeza em condições de colocar um pouco de clareza nessa escuridão.

  21. A formidável arma de defesa

    Caso o possível ataque norte americano contra a Síria ocorra, demonstrará outra vez, a fragilidade das armas convencionais de defesas frente ao esmagador poderio do predador EUA. Acontecerá a mesma coisa que aconteceu nas invasões norte-americana do Iraque e da Líbia. Em poucas horas toda a frota de aviões militares desses países foram destruídas, postas fora de combate. Para fazer frente aos criminosos interesses dos EUA, somente dispondo de um mínimo de poder de fogo nuclear. É infantil continuar insistindo em tamanho desconhecimento.

  22. Prezado Hélio, interessante a sua imaginação de um jantar virtual com a presença de Chu En-lai. Ele era o número dois do regime comunista chinês.
    Registro aqui o comentário do historiador Pierre Guillemot em sua obra “Mao Tse Tung e a História do Povo Chinês” (Edição Reservada aos Amigos do Livro, editora de Lisboa, e Édition Férni, de Genebra):
    “A 11 de Maio de 1972, um membro do Partido Comunista Chinês escreve num editorial do jornal oficial de Pequim, o Diário do Povo:
    “A decisão do presidente Nixon de fazer minar os portos vietnamitas é uma flagrante provocação contra o povo vietnamita e uma iniciativa perigosa.
    “O povo chinês considera como seu dever fazer tudo quanto estiver ao seu alcance para apoiar e ajudar os três povos da Indochina na sua luta contra a agressão americana e para a salvação dessas nações. Durante todo o tempo que prosseguir a guerra dos imperialistas americanos contra o Vietname e a Indochina, sob qualquer forma que seja, nós continuaremos a ajudar os vietnamitas e os outros povos da Indochina a travarem sua guerra de resistência até o fim, até a vitória final.”
    E prossegue Guillemot:
    “Esta tomada de decisão de Pequim entra no jogo diplomático de Mao Tsé-tung e sobretudo de Chu En-lai. Trata-se, por um lado, de fazer compreender aos americanos que a visita a Pequim do presidente Nixon não modifica em nada a política chinesa naquela parte da Ásia. Por outro lado, quando os dirigentes de Hanói, ajudados sobretudo pelo Kremlin, tergiversam entre Moscovo e Pequim, não querendo desagradar nem a um nem a outro, o governo chinês intensifica suas manifestações verbais a respeito do Vietname do Norte com o fim bem claro de forçar a mão aos russos.
    De facto, Pequim não está descontente por ver a escalada da guerra lançar os americanos muito mais contra os russos do que contra os chineses. Estes, realmente não podem ser acusados de ter fornecido armas aos norte-vietnamitas. Nunca foram encontradas no terreno da luta quaisquer armas chinesas.
    Pequim não pretende dar presentes a Moscovo. Mao Tsé-tung não esquece que na véspera de seu encontro com Nixon, os dirigentes do Kremlin não hesitaram em fazer circular os boatos mais mal intencionados a respeito do comunismo chinês. Na véspera da viagem do presidente Nixon a Moscovo (22-28 de Maio de 1972) Pequim está muito feliz por pagar sua conta a Brejnev. A China apresenta-se como campeã da retaguarda do povo vietnamita.”
    Na verdade, Hélio, como jornalista ativo e atento qu sempre é, você sabe perfeitamente que o governo chinês reafirmou, naquela época, que os setecentos milhões de chineses estariam prontos a fornecer um poderoso apoio ao povo vietnamita. Que a imensa extensão do território chinês constituía uma segura retaguarda. Que não importava o que fosse ocorrer. A posição chinesa manter-se-ia firme e inalterada.
    Hoje pergunto a você o que acha de a posição chinesa estar bastante afinada com a posição russa em relação ao que ocorre na Síria?

  23. Pingback: Como “defender” Saboia, um diplomata que confessa que falou com Deus? | andradetalis

  24. Mauro Julio Vieira, saudações
    Não entendi seu comentário, dizendo que o derrotado foi o Vietnã do Sul, etc.
    Hoje reina a paz lá, o Globo Reporter mostrou os habitantes felizes (uma moça sorridente disse para a Glória Maria que ganhava cinco dólares por dia, vendendo peixes!!!), dois jogadores brasileiros disseram que nem há delegacia de polícia … que nunca viram ninguém lendo jornal … As famílias se reúnem para almoçar e agradecer, em seus rituais … É um mundo muito diferente do nosso, altamente dependente de “ganhar mais”, “de saber mais”, “de trair mais”, etc. Você torceu pelos Vietcongs? Eu também, Na época, usava camisetas com o nome HO CHI MINH estampado, ou VIVA GIAP. O governo fornece dinheiro para o plantio de arroz e abacaxi (principalmente) e também para a construção de pequenos barcos e apetrechos para pesca. Mil anos para pagar!!! O Vietnã hoje é um dos maiores produtores de café, tendo como principal cliente … os Estados Unidos. (os templos budistas … e o Delta do Mekong – patrimônio da Humanidade – que espetáculos!!!)

  25. Olá Almério, mas quanto ao Vietnan do Sul eu acho que, depois de ver Singapura, Coreia do Sul, Taiwan e outros do tipo hoje , eu fico na dúvida sobre a vitória do norte sobre o sul, comparando o nível de vida do Vietnan do Sul com os países citados acima.
    Abraços

  26. 1) Quem realmente ergueu a China foi Deng Xiaoping. Esse foi o verdadeiro arquiteto e executor do milagre chinês. A essência de sua extraordinária reforma foi a abertura da China ao capitalismo, embora mantivesse o controle estatal sobre o povo. Essa é a parte ruim que em algum momento será demolida.

    2) Quanto à Síria, o Ocidente deveria largá-la à sua própria sorte. Ali sempre será um “trocar seis por meia dúzia ou por menos”. Há outras fontes de energia que poderão substituir, até com vantagens, o petróleo. Aliás, o petróleo é finito. Esses países acabarão logo após o esgotamento do petróleo e, então, irão se engalfinhar em lutas intestinas para disputar os restos, como sempre ocorreu. Só no século passado, Irã e Iraque ficaram em guerra mais de dez anos, o Kuwait foi invadido pelo Iraque em outra guerra sangrenta. Esse pessoal gosta mesmo é de brigar. Os países ocidentais não devem entrar nessa fria. O que os ocidentais irão ganhar com isso? Absolutamente nada de bom e, talvez, mais problemas e grandes aborrecimentos. Intervenção forte deve ocorrer somente se algum desses países oferecer efetiva ameaça grave aos cidadãos ocidentais. Se eles querem matar as suas próprias crianças e jovens, não podemos e nem devemos fazer nada, embora isso seja lamentável e nos deixe tristes.

    3) O Patriota recebeu um belíssimo castigo. É aquela velha estorinha do sapo e o urubu na famosa festa no céu. Posso ouvir o Patriota gritando: Não me mandem para os EUA não, por favor! Pelo amor de Deus, não quero ir para a ONU!

    4) Alguns jornalistas ironizam o Saboia “falando com Deus”. Até o petista doente Jânio de Freitas fez isso. Realmente existem alguns leitores “menos espertos” que caem nessa. Para esses leitores, vamos rebater o maldoso comentário da seguinte forma: Senhores jornalistas, prestem atenção no desenho. O significado de “falar com Deus”, conforme declarou o diplomata Saboia, significa consultar a própria consciência, agir de acordo com os valores positivos incorporados à sua vida, tais como dignidade, honestidade, perserverança nos bons costumes. É a tão falada e conhecida “voz da consciência”. Ele pode nem ter falado com o senador Molina. E daí? Ele mantinha contatos diários com os que trabalham na embaixada e, é lógico, estava bem informado. Ora, não é preciso fazer um grande exercício de raciocínio para entender isso. É preciso apenas, ser honesto na análise.

  27. Chicão da Serra colocou muito bem os fatos e entre eles falou do “jornalista” Jãnio de F, que sempre critico aqui como mais um santayana da vida.
    Contra fatos não há argumentos.

  28. Que pena que a Grã Bretanha botou o galho dentro diante da reação da Rússia e também da China!
    O mundo já ia ficar menos monótono, aquela cansativa repetição ia ser quebrada, com a Rússia bombardeando a Arábia Saudita, caso a OTAN agredisse a Síria.
    Não quiseram pagar para ver.

  29. Meu caro Almério,
    Este Blog é mesmo incomparável, haja vista a abordagem de temas os mais diversos.
    Na determinação do esclarecimento quanto às dúvidas existentes ou discordâncias entre pensamentos, percebo que existe a pesquisa à procura de fatos e dados históricos à elucidação da origem da questão que motivou o impasse ou conceitos diemetralmente opostos.
    Assim, meu amigos Almério Nunes e Mauro Júlio Vieira, torna-se importante salientar sobre o Vietnã, o seguinte:

    O Vietnã do Sul, que não mais existe, foi derrotado em 30 de abril de 1975, passando a se chamar República Socialista do Vietnã;

    Anteriormente, Sul e Norte compunham a Indochina francesa, que explorava aquelas terras, inclusive introduzindo a sua cultura e levando a religião católica para esta parte da Ásia;

    Com a derrota da França na Europa em 1940, a Terceira República francesa foi substituída pelo Regime de Vichy, no qual a colônia se manteve fiel. Fortemente dependente da Alemanha nazista, a França de Vichy foi forçada a entregar o controle da Indochina francesa ao Japão, aliado da Alemanha. Os recursos naturais do Vietnã foram explorados para servirem às campanhas militares do império japonês contra as colônias britânicas da Birmânia, da Península Malaia e da Índia. A ocupação japonesa tornou-se uma das principais causas da Fome no Vietnã de 1945, o que causou cerca de dois milhões de mortes, o equivalente a até 10% da população contemporânea do país;

    Com o fim da Segunda Guerra Mundial, os franceses tentaram restabelecer o controle da região, sem sucesso. Assim sendo, a França foi derrotada na Batalha de Dien Bien Phu, após oito anos de luta armada, comandada por Giap em 1954 na primeira guerra da Indochina. Mesmo com a ajuda dos Estados Unidos, o Vietnã foi dividido em dois países separados, na Conferência de Genebra, conhecidos como Vietnã do Norte e Vietnã do Sul;

    Durante a Guerra Fria, o norte comunista tinha o apoio da China e da União Soviética, enquanto o sul anticomunista era apoiado pelos Estados Unidos, o que deu lugar à Guerra do Vietnã em que os americanos foram obrigados a abandonar, em março de 1973, a cidade de Saigon que foi tomada pelo Vietcong – frente de libertação do sul em abril de 1975;

    Em julho de 1976, a República do Vietnã (Vietnã do Sul) e a República Democrática do Vietnã (Vietnã do Norte) se reunificaram formando a República Socialista do Vietnã;

    Todavia, as consequências do conflito foram gravíssimas: os intensos bombardeamentos norte-americanos tinham destruído cerca de 70% das instalações industriais do Norte, tornado impraticáveis quase todas as vias de comunicação e queimado com bombas químicas (Napalm) vastas extensões de floresta;

    De uma maneira geral, as operações militares tinham tirado mão de obra das atividades industriais (estima-se em mais de um milhão e meio de homens em idade de trabalho que foram mortos nesta Guerra), causando assim a interrupção de todos os investimentos profundos do Norte; haviam impedido as atividades agrícolas no Sul; limitado fortemente em todo o país a pesca do mar alto que, pela enorme extensão das costas vietnamitas e pela densidade demográfica ao longo da faixa litorânea, se tornando uma região de cada vez de maior importância na economia vietnamita (é da fermentação dos peixes de que se extrai o nuocman, o famoso condimento da cozinha local);

    Contudo, passados mais trinta anos, a República ainda tinha de resolver problemas importantes, entre os quais – e não é certamente o último – se encontra o da integração de duas estruturas econômicas , hoje profundamente diferentes uma da outra, pois trata-se de um problema que evoca o outro, ainda mais complexo, da REUNIFICAÇÃO SOCIA E CULTURAL de populações continuadamente divididas durante muito tempo, portanto, com expressões de modos de vida opostos;

    As diferenças regionais condicionaram claramente as orientações da política empreendida pelo governo, no momento da formação da nova República. Além de uma série de procedimentos organizacionais, como a modificação do aparelho administrativo do país – reestruturado e readaptado muitas vezes após a reunificação, de modo que, das 40 províncias existentes em 1957, foram feitas várias reformas até chegarem ao número atual de 60 -, as políticas adotadas previam no campo econômico respeitando a iniciativa privada nas regiões meridionais, onde se reconhecia o direito de propriedade sobre pequenas superfícies cultivadas, quando no resto do país prevaleciam já há algum tempo formas de gestão cooperativa;

    Pelo contrário, o Estado controlava em todo o território os serviços fundamentais e as atividades financeiras e comerciais. Também houve a abertura de investimentos estrangeiros para estimular o desenvolvimento industrial em todo o país, com o qual se preparou, aliás, um posterior aumento da indústria pesada. Mais recentemente, para favorecer o aumento da produtividade, foram introduzidos novas formas de indústrias para a superação das quotas de produção, que tinham sido apresentadas após a realização dos planos quinquenais.

    Finalizando, o Vietnã além da reconstrução de um país, tem a questão fundamental de criar uma IDENTIDADE para esta terra dividida durante tanto tempo, diferentemente da reunificação alemã, cuja tradição, filosofia, história, cultura era uma só para a Ocidental e Oriental.
    O modelo socialista com a forte influência chinesa e soviética sobre o Vietnã, a meu ver, é a solução mais adequada até o seu fortalecimento industrial, cultural e comercial, para mais adiante, então, o amadurecimento da própria região exigir eleições diretas e maiores liberdades no que diz respeito à economia e política, haja vista a necessidade de se ter uma meta a ser seguida sem as questões eleitoreiras e demagógicas proporcionadas sempre pela democracia em sociedades em formação ou com baixo nível educacional.

    Portanto, Mauro Júlio Vieira, o nosso mestre Almério tem razão quando não havia compreendido a tua forma de se expressar sobre o não mais existente Vietnã do Sul, atualmente em franco processo de desenvolvimento social e econômico.
    Um forte abraço a ambos.
    (Auxiliei-me de livros e da Wikipédia sobre alguns dados a respeito do Vietnã).

  30. Obrigado Francisco Bendl.
    Tenho que acrescentar que o Vietnan depois da guerra passou e ainda passa por dificuldades econômicas. Por essas e outras até reatou laços com os EUA para cooperação geral. O governo daquele país viu que na prática a teoria é outra e seguiu a China, que até de vez em quando faz de lá uma filial para exportar seus produtos a países que impõe cotas de importação aos chineses.
    Enfim hoje os vietnamitas são amigos dos americanos.

  31. Nenhum país é amigo do outro. Cada qual cuida dos seus interesses.
    Como sempre enfatiza o grande jornalista Hélio Fernandes, Mao Tsé-tung foi um gigante nacionalista que trouxe a China do século décimo para o século vigésimo. E o douto e egrégio Sr. Hélio Fernandes não está exagerando, já que ele próprio foi contemporâneo dessa caminhada. Não pode ser sequer cotejado com quem pinça informações suspeitas do Google, uma empresa americana.
    Hélio Fernandes é um contemporâneo da História recente. Sabe que, sob a máscara de um bom menino, Mao foi um calculista. E decidiu ligar ao seu próprio destino aqueles que deliberadamente escolheram jogar sua cartada. Por isso fez designar, entre os dezesseis membros titulares do gabinete do comité central, sua bela e jovem esposa Chiang-Ching e a mulher de Lin Pao, Yeh-Chun.
    Tendo assim assegurado sua retaguarda, Mao pode blançar a China no tabuleiro internacional. Seu objetivo teve a vastidão do país. Graças a Mao, a China assumiu lugar no seio das grandes potências, tornando-se, ainda em sua época, uma das três grandes.
    Foi graças a Mao que, no ano do Cão, a China faz o lançamento de seu primeiro satélite. Este êxito assinalável coloca a China no plano da terceira grande superpotência, sob as égides do Partido Comunista e pelo aniversário da República Popular. A China precisava também ser uma potência militar, construindo sua bomba atômica desde 1964, ano em que o Brasil se ocupava com golpe militar contra um governo legalmente eleito. Possui a bomba de Hidrogênio desde 1967.
    Dizer que a bomba está superada é uma grande burrice, além de ser uma contradição radical, já que algumas potências do Ocidente se esforçam para que o Iran não desenvolva seu armamento nuclear.
    Hoje a China pode se dar ao luxo de uma abertura de mercado, sem que isto signifique adotar o capitalismo. Na verdade, o Partido Comunista Chinês está cada vez mais vigilante., conforme estamos vendo.

  32. Amigos, uma curiosidade:
    Sabem quem lutou na guerra de Dien Bien Phu (ou algo assim)/Indochina, como soldado francês?
    Alain Delon!!! Isso mesmo!!!
    Finda a guerra, ele foi trabalhar como garçon. Até que um cliente olhou pra ele … achou bonito … e convidou-o para ser ator. Mas aí … já começa uma OUTRA história!!!
    E, Solon, vale recordar a frase do secretário de Estado dos Estados Unidos nos anos 50, John Foster Dulles:
    “Um país não tem amigos: tem interesses”.
    É isso!!!

  33. Falei em sentido figurado que os vietnamitas são amigos dos americanos. Mas um fato é claro, eles, os vietnamitas têm menos rancor contra os EUA que muitos brasileiros que não sabem que os EUA sempre cooperou com o Brasil, inclusive construindo a CSN que, sem ela, o país não se industrializaria.
    Mas que fique bem claro, sou só a favor do povo brasileiro. Não confundir com o estado brasileiro que sempre esteve nas mão de bandidos e , agora com o PT, piorou.

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