Especialista mostra a vulnerabilidade da urna eletrônica sem comprovante do voto impresso

As urnas são seguras mesmo?

Equipe do prof. Diego Aranha já testou as urnas duas vezes

Patrícia Campos Mello
Folha

Diego Aranha, professor associado de segurança de sistemas na Universidade de Aarhus, na Dinamarca, e outros técnicos apontam que todas as possibilidades de auditagem disponíveis hoje em dia dependem do software – e, se o programa for adulterado, compromete todas as checagens.

O Tribunal Superior Eleitoral afirma que o problema é resolvido com o Registro Digital do Voto – que armazena em ordem aleatória nas urnas o voto de cada eleitor, criptografado. “Esse é mais um mecanismo de auditoria, que permite a contagem eletrônica de votos e preservando o sigilo do voto de cada eleitor. Se o partido quiser, ele pode até imprimir esse registro”, diz o tribunal, em nota.

Especialistas afirmam, porém, que o Registro Digital do Voto também se baseia no software, que pode ser adulterado. Então, não constitui contagem independente.

TESTES PÚBLICOS – Aranha participou de dois testes públicos de segurança do TSE. Os testes permitem que equipes de técnicos em computação explorem o sistema e tentem encontrar vulnerabilidades.

Em 2012, Aranha e sua equipe acessaram os registros digitais dos votos. Embora os RDV sejam embaralhados, a equipe conseguiu colocá-los em ordem e, assim quebrar o sigilo do voto – saber como votou o primeiro eleitor, o segundo etc.

Em 2017, eles adulteraram o software de votação, alteraram o funcionamento da urna, colocaram uma propaganda com o nome de um candidato na tela e impediram que os votos pudessem ser armazenados na memória da urna. O TSE afirma ter corrigido as falhas.

MAIS TEMPO… – Aranha afirma que até os testes públicos são um instrumento de auditagem insuficiente. “Os testes públicos de segurança só oferecem ambiente controlado e com tempo restrito para os técnicos descobrirem vulnerabilidades – na vida real, obviamente, hackers têm muito mais tempo e flexibilidade”, diz.

Segundo o TSE, o fato de as urnas não estarem ligadas à internet é uma garantia de que não podem ser hackeadas. Especialistas como Aranha discordam.

“Qualquer atacante racional vai tentar adulterar o software antes de ser instalado nas urnas. Por exemplo, durante a gravação dos cartões de memória ou após eles serem gravados [cada cartão instala 50 urnas, um bom fator de escala para o atacante]”, diz Aranha.

É POSSSÍVE FRAUDAR – “Um programador, um técnico do TSE, ou do TRE, alguém que carrega os cartões de memória [com o software] pode ter a capacidade de fazer isso. Não acho que aconteça, mas acho que é possível, não elimino esse risco”, afirma.

A votação paralela também é alvo de críticas. Nos dias das eleições, urnas selecionadas por sorteio são retiradas dos locais de votação e participam de uma cerimônia pública que funciona como uma simulação da votação.

Para Aranha, o número de urnas usadas na votação paralela é muito pequeno para ter significância estatística.

TSE INSISTE – O TSE rechaça as críticas ao sistema atual e diz ser “um equívoco afirmar que o sistema brasileiro é mais atrasado porque não imprime o voto”.

“Os sistemas eleitorais são intrinsecamente dependentes da legislação e da cultura dos povos que os utilizam. O Brasil, ao adotar o processo eletrônico de votação, venceu um histórico de fraudes em eleições com cédulas de papel”, diz o tribunal.

Assim, a urna eletrônica foi um avanço por ter diminuído a chance de ocorrência de fraudes, ao reduzir o risco de interferência humana na contagem dos votos. 

10 thoughts on “Especialista mostra a vulnerabilidade da urna eletrônica sem comprovante do voto impresso

  1. Enquanto isso a BOIADA vai passando…

    Câmara aprova privatização dos Correios.

    Obs. Como bem dizia Hélio Fernandes “toda a privataria tucana não resultou em nenhum benefício para o país”.

  2. A ânsia é tamanha de insuflar os ataques contra a urna eletrônica que a TI esquece que ter um papel mais equilibrada seria melhor.
    Rachou a cara no golpe.
    Dizia-se que o Brasil melhoraria com Temer, que prepararia tudo para o sucessor. A imagem seria recuperada no exterior. Bolsosonaro foi eleito nessa esteira.
    E o que vemos até aqui? Ações instáveis na Bolsa. Insegurança política e jurídica. Meio ambiente comprometido.
    Todo exterior impressionado negativamente com o Brasil e o Louco Genocida eleito pelos brasileiros, com seu postos Ipiranga, já que sempre alegava que não sabia nada de economia, de saúde, de planejamento, de educação etc. Até inspirando movimentos de boicotes contra produtos do Brasil.

  3. `É provável que que o voto digital possa ser fraudado, porém até nossos dias a lógica tem demonstrado que tal fato não tem acontecido. Ponto final. O que disse o especialista disse é mera suposição.

  4. …se o programa for adulterado, compromete todas as checagens.

    Ora, ora. Se o programa for alterado… Isso é claro, é ba-bá. Para evitar isso existe segurança, as rotinas devem ser testadas em ambiente de teste antes de passar á produção.
    Imaginem o cuidado que uma companhia gigante como a Apple, ou a Google ou a Intel (de chips) devem ter com seus desenvolvimentos.
    Ora, ora, me dá um break, professor. Please.

    • Aqui vai um caso breve: um amigo meu estava fazendo PhD em Computação em uma universidade americana. Já tinha mestrado na mesma área.
      Ele resolveu procurar um emprego para custear parte de suas despesas. Preparou o curriculum e o mandou para várias companhias. Foi entrevistado por algumas mas não conseguiu o emprego. A razão alegada era a mesma: ele precisava de experiência – o gringo não procurava títulos mas know how!

    • Não é tão simples assim adulterar um programa destes, porque antes de implantar o programa nas urnas que serão usadas normalmente existe uma cópia dos fontes do software original guardada a sete chaves com assinatura eletrônica, você teria também que ter acesso às cópias de segurança e substituí-las pelas alteradas para evitar ser descoberto.

    • Ora..ora…professor especialista. Vou te fornecer meu nome completo. Daí espero q encontre meu CPF, banco, agência e conta e saque, limpe a minha conta. Especialista….

  5. Fala de Boçalnalha em 1993 sobre urnas:

    “Esse Congresso está mais do que podre. Estamos votando uma lei eleitoral que não muda nada. Não querem informatizar as apurações pelo TRE. Sabe o que vai acontecer? Os militares terão 30 mil votos e só serão computados 3 mil”.

    jmb, deputado federal de primeiro mandato (PPR-RJ), Jornal do Brasil, 21 de agosto de 1993

    https://www.google.com/amp/s/oglobo.globo.com/epoca/ha-25-anos-bolsonaro-defendeu-informatizar-apuracao-das-eleicoes-para-combater-fraudes-23160301%3fversao=amp

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