Especialistas divergem sobre modelo de revisão para o reajuste do salário mínimo

Paulo Peres

Os professores de economia Virene Matesco, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), e Newton Ferreira Marques,  da  Universidade de Brasília (UnB), têm opiniões diferentes sobre o modelo de revisão do salário minimo em vigor, o qual deverá ser corrigido em 13,6%, passando de R$ 545 para R$ 619,21, a partir de janeiro de 2012, conforme estabelece o Projeto de Lei do Orçamento da União enviado ao Congresso Nacional.

Segundo a professora, o método de reajuste do salário mínimo deve ser revisto, pois seu valor seguiu o acordo firmado entre o governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva com as centrais sindicais e tem como regra para o reajuste anual do salário mínimo, a inflação do ano anterior e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Por essa fórmula, o mínimo de 2012 considera a inflação de 2011 mais o crescimento do PIB de 2010.

Virene Matesco assinala que, ” o reajuste para o próximo ano será muito elevado, para um momento tão difícil da situação mundial. O percentual de aumento deveria ser discutido a cada ano, levando em consideração a situação fiscal e econômica do país”. A professora avalia que o método “é uma herança maldita de indexação da economia”.

Entretanto, o professor de Newton Ferreira Marques discorda dessa posição,  afirmando ver algo de positivo com o reajuste: “Considero a correção prevista para o próximo ano substancial e, algo que não acontecia há muito tempo no país, embora ainda não seja o valor ideal”.

O professor relembra que, “antigamente, falava-se que um salário de US$ 100 seria interessante porque a gente superaria países como o Paraguai. Hoje, se a gente imaginar que o dólar ficará a R$ 1,60, temos esse salário mínimo de R$ 619,21. Isso dá quase US$ 400”.

Newton Ferreira entende ainda que, “não existe nenhum reajuste de salários ou preços que possa ser feito de uma única vez sem levar em consideração outros fatores. Seria um aumento muito forte e muitos setores da economia não suportariam um reajuste maior. Ele citou como exemplo as famílias que pagam empregados domésticos. Outro exemplo, segundo ele, são os estados e municípios que pagam seus funcionários com as receitas provenientes da arrecadação de impostos. E, neste sentido, será que a sociedade suportaria um aumento grande de impostos para que o salário mínimo fosse maior?.

Sabemos que administrar um país é uma arte, porque é preciso atender a diversas reivindicações de vários setores, sem esquecer de privilegiar uma ordem econômica que não traga tantos transtornos para o país”, conclui o professor Newton Ferreira Marques .

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